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Calor

Está demasiado calor. Eu que adoro o Sol, incho de tanta água beber e derreto. As noites não refrescam e a minha casa arrefece um pouco à custa da energia eléctrica. À noite, só o cansaço mental me adormece. Durante cinco a seis horas estou ferrada, sob o ar em movimento proporcionado por uma ventoinha apontada toda a noite sobre a cama. Quando Marido sai para o trabalho, muito cedo, eu acordo. A luz do astro rei está dentro da minha varanda. Não consigo fechar os olhos e adormecer de novo. Bi, entretanto, já fez a sua primeira refeição preparada pelo dono salta para cima da cama a cumprimentar-me. Se finjo dormir desiste das lambidelas e deita-se no lugar do dono. Mas em dias como o de hoje que se prevê, de novo, temperaturas perto dos 40 graus Centígrados, não há maneira de virar para o outro lado, fechar os olhos de novo e adormecer. Levanto-me e vou espreitar a cidade vista da minha janela. Amanheceu pardacenta, quente e abafada. O Sol, bola redonda em fundo de cores difusas há que tempos aqueceu a manhã. Cliquei com o telélé.
Fechei todas as janelas, corri os estores e cá dentro fez-se quase noite.
Hoje, mais um dia enorme e quente pela frente.
Vou arranjar que fazer.

Aqui está uma notícia realmente importante

Revelada estrutura da enzima responsável pelo vírus da SIDA.
Os meus parabéns a Peter Cherepanov e sua equipa, pelo trabalho publicado na Nature.

A população mundial está cada vez mais perto da hipótese de novos fármacos para tratamento da SIDA.

Talvez dentro de poucos anos, vídeos como o que está aqui, apesar de criativo e engraçado, deixem de ter sentido.


"Hay que buscarse un amante"*

Esta página é sobre um tal Dr. Jorge Bucay, autor de um texto que recebi via-email. O texto é de certo modo interessante, parece uma coisa mas é outra... e eu sou uma amante das pequenas coisas da vida! Obrigada Guidinha por o teres enviado:)

«Procura-se um Amante
Muitas pessoas têm um amante, e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente são estas últimas que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insónia, apatia, pessimismo, crises de choro, ou as mais diversas dores. Elas contam-me que as suas vidas correm de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar o tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente a perder a esperança. Antes de me contarem tudo isto, já tinham estado noutros consultórios,onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão"...além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim,depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante! É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se a treva a sugerir uma coisa destas?!". Há também as que, chocadas escandalizadas, despedem-se e não voltam nunca mais.
Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte: Amante é"aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso Amante é o que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido...
Enfim, Amante é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"? "Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é deixar-mo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã. Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um amante, sejam também um amante e um protagonista da vossa vida...
Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um amante.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: "Para se estar satisfeito, ativo e sentir-se feliz, é preciso namorar a vida."»
*Dr. Jorge Bucay - Tradução do original

Esmeralda e a Lei dos Homens

Tribunal confere guarda definitiva de Esmeralda ao pai biológico
09 de Janeiro de 2009, 12:01
O tribunal de Torres Novas conferiu hoje a guarda definitiva da menor Esmeralda Porto ao pai, Baltazar Nunes, cumprindo a decisão judicial de Julho de 2004 que já fora confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça.A juíza Mariana Caetano emitiu hoje um despacho com duas dezenas e meia de páginas, entregando a guarda definitiva de Esmeralda Porto a Baltazar Nunes, com quem a menor estava a viver desde o início da das férias do Natal.Em resposta a um requerimento dos advogados de Baltazar Nunes, a juíza havia prolongado segunda-feira por mais uma semana a manutenção da criança à guarda do progenitor uma decisão que veio a ser agora confirmada, colocando fim ao impasse entre as partes quanto ao futuro da criança.Estava prevista para hoje de manhã uma consulta da menor e do pai no Departamento de Pedo-psiquiatria do Hospital de Santarém, mas o tribunal cancelou esta consulta depois de os responsáveis daquele serviço se terem recusado a fazer a avaliação de Baltazar Nunes.A recusa deve-se ao facto de o pai de Esmeralda ter criticado a actuação daquele departamento, pedindo para ser avaliado conjuntamente com a menor, o que nunca aconteceu.No despacho de hoje, o tribunal ordenou que a menina passe a ser seguida pela pedo-psiquiatra Ana Vasconcelos, de Coimbra, que deverá apresentar uma proposta de acompanhamento da menor.Para meados deste mês, está agendada uma conferência de partes que vai definir o regime de visitas e de contactos entre o casal Luís Gomes e Adelina Lagarto que até agora tinha a guarda da menor, a mãe, Aidida Porto, e a criança, cuja residência ficará a ser a do progenitor.Caberá ao pai, se assim o entender, alterar a escola que a criança frequenta, mas a menor continuará sujeita a avaliação psiquiátrica e psicológica para «minimizar danos futuros», acrescentou a mesma fonte.A menor, que faz sete anos em Fevereiro, foi entregue pela mãe, Aidida Porto, ao casal Luís Gomes e Adelina Lagarto quando tinha três meses de idade, num momento em que o pai não tinha ainda assumido a paternidade, algo que só fez quando a criança tinha um ano.O «caso Esmeralda» tem decorrido nos tribunais desde há vários anos, depois de o progenitor ter perfilhado a filha e pedido o poder paternal, o que lhe foi conferido em 2004.No entanto, a menor permaneceu sempre à guarda do casal e há vários meses estão a decorrer contactos regulares para promover a aproximação entre o pai e a criança, um processo que agora vê o seu fim.Actualmente, Adelina Lagarto está a ser julgada pelo tribunal de Torres Novas, acusada de sequestro e subtracção de menor, crimes pelo qual o seu marido chegou a ser condenado no passado, cumprindo actualmente uma pena suspensa.
"SAPO/LUSA"

E os outros processos?

Como li no Jacarandá, faltam ainda resolver:
- O da Casa Pia (é vê-los confraternizando uns com os outros e seus advogados, mostrando-se sorridentes, puros, intocáveis, fumegantes de tabaco ou de frio à porta dos Tribunais);
- A Operação Furacão (nem ouço já falar deles)
- Os do futebol (já cheiram mal de estagnados estarem)
- Os dos bancos BCP, BPP e BPN (causam-me azia, asco, dores no corpo) ...

Tenham dó!

Quer saber como vai a direita em Portugal, vá até aqui

Os Cristianos Ronaldos deste mundo

Não preciso dos meus neurónios para escrever sobre. O que li, fala por mim. Quer saber mais, vá aqui.

Acorda menino ...!!!

Hip Hop e outras misturas sonoras. Pois ...Afas, o meu amiguinho-sobrinho mais novo, veio fazer-me hoje uma visita. Falámos do Natal, das prendas, dos jogos e ... das músicas. Adoro esta - disseme-me quando sentado em frente ao computador a procurava no YouTube. E pô-la a tocar. Porque eu gostei do som dos instrumentos, da batida, das vozes e afinal havia uma melodiazita (!) fica aqui o registo sonoro e a letra, como ele quis. É que ele está apaixonado...
Estou a aprender com ele a gostar deste estilo. Mas não de todas as interpretações. Ele compreende, sou mais Ró ;)

"Cresce um encanto quando a vejo
Bate forte o coração
Menina dos meus olhos te desejo
Será imaginação?!
Não quero saber,
Se será para sempre ou não
Só quero poder
Viver essa paixão
Mama mamacita te quero bonita
Já parti muitos corações mas continuas invicta
Não sei como fazes mas me deixas louco
Só de saber que sonho contigo me torno dorminhoco!
És miragem no deserto
Que anseio por tocar
Perco me nas tuas curvas
Sem me querer encontrar
E quando vou para te biejar amor
É hora de acordar
Eii Eii Uhh Eii
Continua dançando p'ra mim
Eii Eii Uhh Ohh
Pois eu não quero mais acordar
Eii Eii Uhh Eii
Continua dançando p'ra mim
Eii Eii Uhh Ohh
Pois eu não quero mais acordar!
Não tem vez que eu fecho os olhos
Que não te veja dançando
Calibras o meu sono bem do jeito que te apetece
If you play me girl
Eu continuo jogando
Assaltas-te a mente
E o desejo permanece
É duro de compreender
Porque me fazes isto
A verdade é que quando danças p'ra mim
Me sinto no Paraíso
Cara de menina,

Corpo de mulher
Me deixa sem ar
E quando vou p'ra te beijar amor
É hora de acordar
Eii Eii Uhh Eii
Continua dançando p'ra mim
Eii Eii Uhh Ohh
Pois eu não quero mais acordar
Eii Eii Uhh Eii
Continua dançando p'ra mim
Eii Eii Uhh Ohh
Pois eu não quero mais acordar!
Não tem vez que eu fecho os olhos
Que não te vejo dançando
Calibras o meu sono bem do jeito que te apetece
If you play me girl
Eu continuo jogando
Assaltas-me a mente
E o desejo permanece
Cresce um encanto quando a vejo
Bate forte o coração
Menina dos meus olhos te desejo
Será imaginação?!
Não quero saber,
Se será para sempre ou não
Só quero poder
Viver essa paixão
Ei Bailarina
Continua dançando p'ra mim
Ei Bailarina
Mas eu não quero mais acordar
Ei Bailarina
Continua dançando p'ra mim
Ei Bailarina
Mas eu não quero mais acordar! "

A minha marca preferida de chocolates? Não!!!

CADBURY, a minha marca de chocolates preferida - Notícias:
1 - Melamina terá sido adicionada ao leite, na China, para mascarar adição de água. A melamina é um composto azotado, assim como as proteínas, e terá sido adicionado deliberadamente ao leite como forma de mascarar a sua adulteração por adição de água. Deste modo, e porque os métodos de controlo da qualidade do leite quantificam o azoto para determinar o nível de proteínas do leite, estas permaneceriam aparentemente elevadas, atribuindo maior valor ao produto.
In: Rosário Monteiro, Investigadora e professora de Toxicologia Alimentar na Faculdade de Medicina e na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, em Ciência Hoje, 2008-09-26
2 - A multinacional Cadbury Portugal esclareceu, esta terça-feira, em comunicado, que no mercado português não foram distribuídos produtos provenientes da China e que os ingredientes lácteos chineses não foram utilizados no fabrico dos produtos distribuídos em Portugal.
A multinacional esclareceu ainda que os produtos Cadbury produzidos na China são exportados apenas para os mercados de Taiwan, Hong-Kong e Austrália e não são distribuídos em nenhum outro país. In: TVI
Ah! Assim estou muito mais tranquila. A distribuição é lá para baixo, no outro lado do mundo. Mas onde serão REALMENTE fabricados os que eu compro e degusto aqui em Portugal?

Na China, os homens e mulheres são escravos do capital, trabalham mais de 12 horas por dia de 2ª a 2ª ... sem férias. É um país com uma economia em franco desenvolvimento. Os patrões devem adorar ser patrões neste País. A economia floresce, os políticos estão satisfeitos e os patrões engordam. Pois. Mas não lhes chega. Têm de fazer batota. A que custo?

Lembro-me quando era pequenita e ficava em casa dos primos da Calçada de Sant'Ana, em Lisboa, o leite chegava-nos à mesa vendido por pessoas com cântaros e medidas, porta a porta. Não havia por ali postos da UCAL. Batiam à porta de manhã cedo e a minha prima Elvira abria. Cumprimentavam-se e de fervedor na mão, segurava-o pela asa, enquanto a leiteira media o leite e o despejava para dentro. De vez em quando, ouvia falar que a leiteira tal tinha sido presa porque urinara para dentro do cântaro para aumentar o volume do líquido. Não era VENENO era só falta de higiene. Diziam também que só com análises se descobria o feito. E naquele tempo, análises ... Isto no século passado, há mais de 50 anos. Isto, no tempo das vacas magras. Isto no tempo do fascismo (sou mesmo velhota).

Só uma analogia. Mais nada.

Não quero falar de tiroteios, nem de mortes

Hoje temos motivo para celebrar. O esforço de Vanessa Fernandes numa prova que eu considero muito exigente (nunca eu conseguiria ter tanto fôlego nem pernas) foi compensado com a medalha de prata. A única Medalha Olímpica no Triatlo nacional.

Só para eu não esquecer: O Triatlo Olímpico implica 1,5 Km de Natação, 40 Km de Bicicleta e 10 Km de Corrida, sem paragem de cronómetro. É obra. É resistência física pura.

Parabéns a Vanessa. Com 22 anos. Ei-la depois de receber o merecido prémio.

P.S. - O sentir um *filing* dentro dela e *fogo* ... não conta muito para a entrevista, a medalha já a conseguiu ... ou devia contar?

Limpeza étnica

A realidade da actualidade é suficientemente assustadora. A sua exploração nos noticiários é bem patente. Para quê repetirem cenas dos capítulos diários e anteriores, para preencher a necessidade mórbida dos espectadores pelo que é alheio e feio? Podemos nós ajudar a mudar alguma coisa? Ou somos meros espectadores? Quando na semana passada vi no pequeno ecran homens empunhando armas e aos tiros numa rua do meu País, pensei: é o princípio do fim. Este nosso povo multicultural, que os políticos retiram ds barracas, embaralham e distribuem por torres de andares e espaços comuns de convívio, deviam ao mesmo tempo transmitir-lhes que quem quer ter direitos, tem que cumprir deveres de cidadania. Eles não sabem com-viver com os outros. Vivem em clãs, ainda. Não vou escrever mais nada, porque o artigo de Mário Crespo, um dos meus jornalistas preferidos, tem as palavras correctas, que contam e resumem *A estória*.

... / ...

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. *Perdi tudo!* *O que é que perdeu?* perguntou-lhe um repórter. *Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...*Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que *até a TV e a playstation das crianças* lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam *quatro ou cinco Euros de renda* à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a *quatro ou cinco euros mensais* lhes sejam dados em zonas *onde não haja pretos*. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos. A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências sócio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

Mário Crespo - Limpeza étnica; 2008-07-21, in Jornal de Notícias

Ainda há nomadas em Portugal

Desde que passeamos pelos Alentejos e pelo Algarve, de há uns anos a esta parte, observei a deslocação de famílias em carroças cheias com seus haveres. Debaixo dos chaparros, por esses montes fora, eles acampavam. Mas o que me fazia mesmo pena e ainda faz, eram os canitos, de língua de fora, amarrados, para não abandonarem a marcha longa e lenta.

Na Estrada Nacional 125 (a 125 azul do poeta cantor), pelas bermas, de vez em quando vi que havia vestígios orgânicos, deixados por animais de tracção. Pensei: Ainda andam por aí as carroças puxadas a mulas, carregando pessoas e bens, com canitos por baixo ... pus-me a pau.

Uma manhã, a caminho de Ayamonte - onde fomos para comprar caramelos e encher o depósito de gasóleo - apanhei-os. E cá estão eles. Num clic só, que não deu para mais. Quando marido abrandou numa passagem de peões perto de Monte Gordo.

Será que haverá lugar neste país para o nomadismo? Nem aqui nem na China, como se costuma dizer. As pessoas teem forçosamente de ser catalogadas para terem direitos. Tão simples quanto isto. Serão estes os últimos nómadas, à moda antiga, no Sul de Portugal?

Fala-se em ser nómada, hoje, em férias. A vontade de evasão, é uma necessidade e uma aventura. Para isso se concretizar, basta procurar empresas que nos proporcionem segurança e equipamento e nos levem, onde nunca pensámos ir. É mesmo a Aventura. Não o Nomadismo. Não é propriamente a nossa cultura nem a necessidade de procurar o sustento que nos obriga a ser nómada. É por ser moda chamarem-lhe. Por diversão. E mais não digo.

A verdade

Uma rua estreita de Olhão. Chamou-me a atenção pelo nome. Cliquei.

Nos locais por onde nos sentámos para degustarmos os petiscos em terras do sotavento Algarvio, quando chegava o momento das tradicionais bicas, verificamos que os pacotinhos de açúcar traziam mensagens.
Este ano, particularmente, as mensagens transmitidas pelas marcas Chave d'Ouro e Delta pareceram-me muito interessantes. Há quem seja coleccionador desses pacotinhos. Eu apenas me sirvo do conteúdo (gosto de beber café com açúcar). No entanto, de vez em quando guardo alguns desses pacotinhos, já vazios, para mais tarde ir lê-los e até copiar o texto escrito.
Ao ligar este aparelho, hoje que consegui arranjar um tempinho depois da azáfama das arrumações pós-férias, fui à caixa de e-mail, sempre a abarrotar de mensagens. Uma delas, enviada por C. Vitorino (obrigada), 'sem palavras' era o assunto. Abri. Consultei. CORRENTE PRA FRENTE - What is the score? . Apanhou-me desprevenida pela seriedade, pela verdade que os autores conseguiram transmitir na ponta de um lápis. É a verdade, este desenho. Não é demagógico, nem goza a situação.

Está ali uma estória. É-me familiar. A Verdade, nome de rua, que fez a diferença pelo artigo definido, feminino, singular 'a'.

Depois de ver e rever este desenho, lembrei-me que tinha lido num dos pacotinhos de açúcar que tinha trazido comigo de férias, qualquer frase que se aplica a este desenho. Procurei e encontrei. Está escrito:

- Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para assegurar a si e à sua família a saúde e o bem-estar. A Carta dos Direitos Humanos assim o assinala.

Quem se assegura que a verdade destas palavras é cumprida? Ainda ninguém. Escrevemos, ditamos leis, mas quem se preocupa em cumpri-las? Passamos por situações de intensa indiferença perante a realidade da pobreza que pessoas juntinho a nós, vivem. A força brasil também é força portugal. E mais lá para cima, noutros países. E mais lá para baixo. Estamos a afundar-nos. Há a fome. Há a indiferença. Salve-se quem puder. Este modo civilizacional já deu o que tinha a dar. Penso eu de que.

O que é que está a fazer a adrenalina brotar aos homens e mulheres portugueses, brasileiros ... Que causa nobre é esta que os faz correr aos bandos a urrar de alegria ou dor? Futebol! Bendita seja esta anestesia das massas.

Se a vontade destes milhões de criaturas estivesse voltada não para o futebol, não para as idas a pé ao santuário de fátima, mas com a mesma determinação e vontade, voltadas para acabar com a extrema pobreza junto delas, seríamos bem mais PESSOA. Que desperdício de vontades.

Quando acabar esta euforia, voltaremos a ser tristes. As bandeiras vão ficar nas varandas e janelas até que o frio, a chuva e o vento do próximo outono / inverno as esfarrape. Nada mais digo.

PS - voltei a abrir este post. Portugal perdeu com a Alemanha (Marido diz que jogámos bem). Que vai ser agora de nós? Sem Scolari, sem Futebol? Proponho um novo jogo: Vamos ajudar a acabar com a miséria? Com a mesma gana? Bora!

Céu muito nublado. Por onde anda a luz do Sol?

A fraude, a Lei, os protagonistas.
Contrabando de cigarros, falsificação de moedas de euro, pedidos injustificados de benefício de um direito preferencial aplicável à importação de açúcar e alho, evasão do pagamento de direitos anti-dumping aquando da importação de lâmpadas económicas, subvenções a laranjas produzidas em explorações agrícolas que não existem – eis alguns exemplos de fraudes que prejudicam os contribuintes europeus. O Organismo Europeu de Luta Anti-fraude (OLAF) possui quase 400 funcionários cuja missão é proteger os interesses financeiros da União Europeia e dos seus contribuintes. Quanto auferirão ao fim do mês?
Não somos todos idênticos? Até parece que a Europa é Portugal, e a América e a África e a China. "Operação Furacão" apanha Joe Berardo e Horácio Roque ... nova notícia. Da fama já não se livram. A Operação Furacão foi lançada pelas autoridades judiciais em 2005, com investigações dirigidas a quatro bancos portugueses - Banco Espírito Santo, Banco Comercial Português, Banco Português de Negócios e Finibanco. Ao longo de dois anos, foram sendo conhecidas novas diligências envolvendo empresas diversas como as construtoras Mota-Engil e Soares da Costa, a Porto Editora e a Texto Editora. O processo é um dos maiores até hoje em Portugal e envolve no rol de suspeitos empresários e advogados. Ora, estas empresas são o Patronato. Sem Patrão, não há empregado. Mas ... será mesmo assim? A que custo? ...



''Uma das lições mais tristes da história é a seguinte: Se formos enganados durante muito tempo, temos tendência a rejeitar qualquer prova de fraude. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. A fraude apanhou-nos. É demasiado doloroso reconhecer, nem que seja para nós mesmos , que fomos levados à certa. Uma vez que damos a um charlatão poder sobre nós mesmos, quase nunca o recuperamos. Por conseguinte, as velhas fraudes têm tendência a persistir, ao mesmo tempo que surgem outras novas.'' * Ora aí está. As coisas são como são. Por maior envolvimento que haja dos agentes da Lei no combate ao que é criminoso, hão-de existir sempre os outros, os que sabem aproveitar-se da mesma Lei, que sabem dar-lhe a volta graças aos seus advogados-interpretes e prevaricam. Os impolutos, afinal são criminosos. Andam à solta e são a notícia! E todos nós, os inocentes (se é que o somos), mais uns que outros tiramos o chapéu a esta gente. É um dos mais ricos do mundo... Não querendo generalizar, já generalizei.
Será que me vou habituar a este cancro que é a fraude, a encolher os ombros e seguir como se nada de mal se estivesse a passar? Bem, por enquanto ainda posso escrever. Não estamos assim tão mal. Mas há quem tenha saudades do tempo da outra senhora. Não havia nada disto. Lá, as fraudes não existiram :- e se existiram, não poderiam haver guidinhas a desabafar sobre elas.


*Carl Sagan, in "O Mundo Infestado de Demónios"

O que dás, volta para ti

Hoje li esta notícia no Messenger. Louvo atitudes destas. São pouco difundidas pelos media, por isso penso que colocar esta notícia no Blogger, mais pessoas tomarão conhecimento e quem sabe, irão degustar uma refeição à Pizzaria Il Panzonne, em Lisboa. É o dar de volta. Obrigada a Cândida Craveira e sua família.

A pizzaria lisboeta “Il Panzonne” oferece, todos os dias, refeições aos mais carenciados, local onde algumas pessoas já se habituaram a ir pedir comida, através do “passa a palavra”. Mas o restaurante não é o único sítio onde as refeições são oferecidas, cerca de 30 pizzas são também diariamente distribuídas aos sem-abrigo em várias zonas de Lisboa, por carrinhas de voluntários da Nóuni – uma associação para a Cooperação e Desenvolvimento que surgiu há dez anos com o objectivo inicial de “ajudar os filhos dos emigrantes PALOP em Portugal”, referiu à Lusa o vice-presidente da associação, Carlos Carvalho. Pizzas e outras refeições saem diariamente da cozinha desta pizzaria, situada no centro comercial Via Veneto, em Lisboa, para alimentar pessoas carenciadas e sem-abrigo, uma situação que surgiu da colaboração do restaurante com a Nóuni. Uma parceria que surgiu quando o presidente da Nóuni, Agostinho Amado Rodrigues, conheceu o casal Craveira, proprietário do restaurante, há três anos. “Nós não damos só pizzas. Cozinhamos qualquer prato, eles não podem comer sempre a mesma coisa”, disse Cândida Craveira à Lusa, que actualmente já integra o corpo de voluntários da Nóuni que distribui as pizzas por locais como Santa Apolónia, Praça do Comércio, Cais do Sodré, Rossio, Santos ou Anjos. “Queremos ver a vida das pessoas a mudar realmente”, disse a dona do restaurante, que prefere “dar mil euros para um jantar para sem-abrigo”, como na consoada de Natal organizado em conjunto com a Nóuni, “em vez de dar uma viagem de finalistas” à sua filha. Esta atitude provém da sua infância: “quando tinha onze anos, o meu pai emigrou para os Estados Unidos e ajudou 85 famílias portuguesas a instalarem-se lá. Eu, muito nova,
fazia de tradutora, procurava casas para eles, médicos, tudo”. “O que dás, volta
para ti”, é o mote de Cândida Craveira.....
Poi é queridas sobrinhas. Esta mãe prefere dar mil euros para um jantar para os sem-abrigo, como na consoada de Natal organizado em conjunto com a Nóuni, em vez de dar uma viagem de finalistas à sua filha. Sendo assim, a filha vai pelo mesmo caminho que seus avós iniciaram. Gostava de ser tia desta menina.