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Os inocentes não saíram inocentes do banco dos réus

Foi notícia há dois meses! Tirei daí - http://economico.sapo.pt/noticias/jardim-goncalves-nao-tenciona-abandonar-a-banca_89567.html - Diz que: «O antigo presidente do BCP, condenado a nove anos de inibição na banca pelo Banco de Portugal, já anunciou que vai recorrer da decisão.
Jardim Gonçalves diz em comunicado que vai recorrer da decisão do Banco de Portugal, que proibiu também outros seis antigos administradores do BCP de exercerem cargos na Banca. Os condenados foram também alvo da decisão de pagamento de coimas que vão até um milhão de euros.
O fundador do BCP diz que o banco "deu um grande contributo para todo o sistema financeiro, que o Banco de Portugal não acompanha", e sublinha que "a condenação vem na linha da Reunião realizada em Dezembro de 2007, no Banco de Portugal, do Governador com os maiores concorrentes accionistas do BCP, e a que eu chamei "atípica" na Comissão Parlamentar".
No documento pode ainda ler-se que "o discurso acusatório do Governador do Banco de Portugal em Dezembro de 2007, precedido pelos discursos de sentido idêntico do Ministro das Finanças e do presidente da CMVM, antes mesmo de ser realizada qualquer investigação, não dava outra alternativa ao Banco de Portugal senão avançar com esta condenação, antes da posse do novo Governador do Banco de Portugal, ex-Director-Geral do BCP.../Jardim Gonçalves adianta ainda que não pretende deixar de exercer cargos em instituições bancárias e afirma: "irei impugnar". Estava no seu direito.
Mas ...
Hoje é notícia que Antigo presidente do Banco Comercial Português (BCP) Jardim Gonçalves foi condenado.
De novo? E irá recorrer, de novo?
Roubei em http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/bcp-jardim-goncalves-condenado e aí está:
- «A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) condenou nove ex-administradores do BCP a coimas de 4,325 milhões de euros por informação falsa ao mercado, noticiou a Lusa. Jardim Gonçalves tem a multa mais elevada (1 milhão de euros) e fica inibido de exercer actividade bancária por cinco anos. Paulo Teixeira Pinto paga 200 mil euros e fica um ano inibido./...»
Quanto às coimas, são mesmo isso, uma multa, uma pena, um castigo. Pouquinho em relação ao bolo inteiro, digo eu que sou muito tapada de vistas. Mas também foram inibidos de exercer actividade bancária. Baixou em alguns anos essa pena, mas estou com peninha e interrogo-me: Terão direito a subsídio de desemprego? Que vão fazer das vidas deles?

Está na massa do sangue

Faz hoje 23 anos que José Afonso deixou de estar. Ficou a obra. É dele o parágrafo seguinte.

"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os álibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta."(*)

Ontem ouvi e olhei José Sócrates, entrevistado por Miguel Sousa Tavares, numa rubrica nova de um canal português de televisão. Gosto da incisão das perguntas de Miguel, por isso fiquei a olhar o ecran.
No final da noite, depois de digerir mais um dia de informação sobre a calamidade que se abateu sobre a Madeira, a entrevista, o sono tranquilo e o estar agora aqui, penso e escrevo:
1 Lamento muito o povo Madeirense que teve e ainda está a passar por aquela aflição. Lamento a morte de 1 homem-bombeiro e as outras mortes todas. Os bens serão repostos, as pessoas não. Não lamento que todos os jornalistas do mundo tenham desobedecido às ordens do grande líder madeirense e tenham passado a notícia desse desastre. Com imagens e tudo. E não nos confundiram com a Península Ibérica. Era mesmo uma ilha, a Madeira e Portuguesa. Talvez a informação não tivesse ultrapassado as fronteiras do Planeta, mas quem sabe?
2 Os boys existirão e serão sempre os boys. «Atrás» dos políticos, de cadeira em cadeira, nomeados por todos os vermelhos, amarelos, laranjas, azuis, rosas ou roxos. Mas ... diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Escolha melhor os seus boys, senhor Primeiro Ministro. Devem existir mais umas centenas. Aprecio a lealdade em geral. Os amigos, são os que nos entram porta adentro e nós deixamos, até os convidamos. O problema é nosso, a nossa privacidade é mesmo isso - privacidade. Não pode nem deve ser devassada. Assim como as escutas telefónicas, que no nosso País uma Lei as considera não públicas e ei-las escarrapachadas diariamente para confundir o pagode. No entanto, quando os boys entram na coisa pública porque sim, nós, os que o elegemos a sí (ou a outro) não temos forçosamente de ser amigos deles. Principalmente se eles perderam a nossa confiança. Sinto-me mal com o diz que disse, o ouvi dizer ... Serão seus amigos senhor primeiro ministro, mas estão a contas com a má língua, com inquéritos às costas. E vivemos num País onde uma inverdade repetida mil vezes se torna verdade. Autoritas gasta-se, desgasta-se. Fiquei desiludida com a sua lealdade para com os seus boys-amigos. Que mais posso dizer?
Para escolher um lado, é preciso conhecer os dois.
«Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for.»(*)
Estou tão cansada!
(*) José Afonso

Quando nada é certo, tudo é possível. Frase de Margaret Drabble, escritora britânica.

*Teixeira dos Santos à CNN: "Os mercados estão a exagerar"

*O procurador-geral da República (PGR) anunciou hoje a abertura de um inquérito (investigação) à divulgação pelo semanário "Sol" de notícias sobre as escutas telefónicas efetuadas no processo "Face Oculta", que envolvem figuras do PS como Armando Vara e Paulo Penedos.

*O juiz do processo Face Oculta desligou as escutas hoje divulgadas daquelas cuja destruição foi decidida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e reiterou que vai cumprir "escrupulosamente" a ordem de Noronha do Nascimento.

*Em entrevista à Rádio Renascença, Cravinho considera que «as redes de tráfico de influências são o principal problema do país» e acusa a classe política de não enfrentar o desafio. «Isso hoje é o grande problema que nós temos pela frente, que é essencialmente um problema político, da classe política, e a classe política em Portugal, hoje, afasta toda e qualquer possibilidade de se considerar sequer o problema», diz. «Podemos fazer uma experiência, vão agora à Assembleia e ponham as coisas preto no branco, numa linguagem muito simples. Onde está o centro da corrupção grave em Portugal? Eu digo, está no sector político. Perguntem aos líderes políticos e vão ver se eles não assobiam para o ar», afirmou o ex-ministro, numa entrevista que será transmitida este sábado no programa Res Publica.

*Os países do G7, cujos ministros das Finanças se reúnem hoje no Canadá, acumulam uma dívida pública superior a 30 biliões de dólares (21,9 biliões de euros).

...*... Já chega. Frases retiradas da NET.

O Neorrealismo é um movimento que apareceu em Itália, no final da II Guerra Mundial. A sua principal característica é que representa a vida do dia a dia, a meio caminho entre o relato e o documentário, muitas vezes com personagens da rua em vez de actores profissionais. Lembrei-me deste movimento por pensar que o dia a dia actual da nossa vidinha política que nos entra casa adentro é neorrealista.

Quem manda nas gentes é Profissional ou é aquele que o poeta canta «arranja-me um emprego/ pode ser na tua empresa concerteza/ eu dava conta do recado e pra ti era um sossego» .../...?

Já agora, "La Dolce Vita", de Fellini (Vídeo do DN) estreou há 50 anos.

Uma boa frase para campanha: Não prometo fazer, fiz.

Ai sobrinhos, ando tão perdida neste cantinho do nosso à beira mar plantado! As coisas da política e as da justiça estão tão mal. Incomoda-me de sobre maneira o modo como os incriminados se escapam e outros se acham os bodes expiatórios quando a teia da lei os apanha.
Incomoda-me o facto de não terem vergonha na cara. De seres Amorais. Não imorais, mas com total ausência de moralidade. Incomoda-me mostrarem os dentes sorridentes como se nada tivesse realmente passado de tão MAL que fossem constituídos arguidos, ou tivessem fugido à justiça para o Brasil.
Há que parecer ser sério, não basta sê-lo, sobrinhos meus. E como não parecem, não devem sequer ser candidatos quanto mais serem eleitos nossos representantes e governar-nos. Não devemos votar neles. Se votamos, somos idênticos a eles na nossa maneira de ser. Se lá estivéssemos, faríamos o mesmo? Conheço algumas pessoas que vão continuar também a sorrir e a votar nesta gente. É o xicoespertismo português a falar mais alto e só posso lamentar sermos assim. Ai Portugal, Portugal, do que é que tu estás à espera, tens o pé numa galera, outro no fundo do mar.
Dão-me engulhos quando estes malfeitores ficam à solta. E ainda lhes dão a palavra, como se nada de melhor houvesse para preencher os horários nobres da informação. Tenho de os ouvir porque me entram casa adentro e geralmente tenho as mãos ocupadas e não posso mudar de canal ou simplesmente apagar a televisão.
A nível político tento manter-me a par, lendo sobre o que existe na praça. Há os que querem governar e mostram serviço feito, os que só querem lá estar e os que só querem ser do contra. Destes 3, acho graça aos ser do contra... «Ser do contra é bão», com sotaque e tudo. É bão é. De vez em quando a tampa salta e ficamos a saber as coisas. A casca quebra e a casa treme. Alguns caem. Por pouca coisa, diga-se. Outros ainda lá ficam. Isto é bão. O que me vale é que não tem estado muito calor, senão o meu miolo já tinha derretido de vez.

Com eleições à porta, é ouvi-los à esquerda, ao centro e à direita. Os que têm ofertas, prometem. Tudo é promessa. Os que não têm oferta, nem sei o que pensar deles e são os mesmos de há 4 anos...
Para que precisamos nós de promessas? Gostamos de andar enganados ou tomámos o gosto de lhes botar as culpas para cima e chamar nomes feios quando não cumprem?
Encontrei alguém famoso nas lides do diga lá o que pensa disto, que escreveu o que eu penso. N´O divã de Maquiavel: não prometo fazer, fiz.
Falando sério. O que eu apreendo sobre os temas política e justiça é-me fornecido pela imprensa lida e falada. E eles não são objectivos. Defendem cada um deles a honra do partido respectivo, são representantes dos mesmos a ganharem uns tostões extra, divertidíssimosa em mesa redonda. E o povinho a ouvir e a desconversar. Isto não é informação. E ele há cada uma!
Não há jornalistas pivô em Portugal. Que apenas estejam informados e nos transmitam essa informação. E apartidários. São apenas a voz da voz do seu dono. A voz que lhes paga o ordenado ao fim do mês. Se estiver errada, informem-me. Não precisávamos de uns Cronkite (1916-2009)? Precisamos pois! De alguém que no final da notícia nos dissesse «that´s the way it is» e ponto final. Como de pão para a boca. E cá estávamos nós para reagir.
Já me perdi. Não falo mais sobre políticos nem justiça. Ah Viva o Sporting. Já me ia esquecendo :)


Porque preciso rir para não lembrar, por agora, a Sôra Dôna Fátima de Felgueiras e a Acusação que não apresentou as provas suficientemente fundamentadas na LEI, para que a ida até ao Brasil tivesse realmente aos meus olhos sido uma fuga ... Assim foi o quê? Férias?! Perseguida por gente do mal? Será que vale tudo quando tudo tem a ver com futebol, política e dinheiro? Vale mesmo tudo?
Preciso rir.

Falta cumprir «Justiça»

«.../ O CHOCANTE é a atitude e o comportamento dos interessados, supondo que o são. Governo e Parlamento parecem não perceber o que se passa com a falta de respeito pela justiça e pelos magistrados. Não percebem as causas nem as consequências. E, se percebem, não querem saber das soluções. Dirigentes das instituições judiciais e dos sindicatos refugiam-se no direito obscuro, em normas processuais e na arrogância da cátedra. Apear da existência de centenas de excelentes juízes, aqueles de que não se fala e que não aparecem nos sindicatos e na televisão, a profissão judicial está denegrida pela opinião pública que a reserva para o refugo da competência e da seriedade. Um país sem justiça é um país perigoso.»*
A caminho de um 1º de Maio de todo o Mundo, reivindico: a paz, o pão, a educação, a saúde e a habitação, buscando de novo as palavras de um poeta, Sérgio Godinho.

*In: António Barreto: Retrato da Semana; Público de 19 de Abril de 2009