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Despedida

Com o passar dos anos e a idade aumentando, vamo-nos com alguma frequência despedindo de amigos e conhecidos.
Soube agora que o Sr. Manuel Oliveira, casado com Geraldina (que é irmã da minha prima Palmira, nascidas nos Ameeiros), faleceu.
O Ti' Manel era natural da Roda Fundeira e criado em Vale d'Abilheira, não da Aguieira, como por engano escrevi. Vamos a ver se acertei desta vez.
Conheci-o na Póvoa da Cerdeira, quando em convívio nos encontrámos. Partilhámos um pic-nic (o último do senhor meu Pai), alguns baptizados, um casamento e algumas despedidas.
Tocava muito bem concertina e acordeão. Dele fica a recordação de um bom homem, simpático, sempre com boas palavras e com quem convivíamos nas festas dos «Canecos». Sinto muito que tivesse ido. Ficámos mais pobres com a sua ausência.
À mulher, Geraldina, e a toda a sua família, os nossos sentidos pêsames.
Até.

PS: Tenho foto e se calhar algum filme que vou procurar. Actualizarei este post mais adiante.

Não é linda esta barriga?

Se é perigoso pedir um conselho, é muito mais arriscado dar um. Mas entre arriscar um conselho ou nada fazer, há quem arrisque. Eu arrisco, com todos os meus defeitos, não calo o que acho que devo dizer. Com os todos os defeitos que os outros possam ter, eu não «cresci» sozinha e desprendida dos que me rodeiam.
A vida é uma batalha constante. Começa dentro deste «casulo». A barriguinha da foto, eu sei de quem é. Mas não divulgo. Aconchegado nesta forma arredondada, está um Rafael, a batalhar nos últimos retoques. Quase pronto.
Penso que existe Esperança em cada nascimento. Esperança de mudança para melhor. Esperança de não cometermos os mesmos erros que nos fizeram e a outros, adiar e mesmo perder pequenas batalhas, porque aprendemos com a experiência, não os devemos repetir.
O diabo mora nos detalhes, reza um pequeno provérbio.
Para ti que já tens nome, fica um trecho de um livro que li há tempos. Foi-me oferecido no Natal de 2002 por uma amiga, de sua graça Ermelinda. Dela nada sei há 8 anos.
«Desejo que sejas como a água.
Flui por entre os obstáculos que encontres.
Não esqueças que em certos momentos, resistir significa ser destruído.
Então, adapta-te às circunstâncias.
Aceita, sem reclamar, que as pedras do caminho tracem o teu rumo através das montanhas.
Nisso reside a força da água: ela nunca poderá ser quebrada por um martelo ou ferida por uma faca.
A mais poderosa espada do mundo é incapaz de deixar uma cicatriz na sua superfície.
A água de um rio adapta-se ao caminho que é possível percorrer, sem esquecer o objectivo: o mar.
Frágil na sua nascente, aos poucos vai ganhando a força dos rios que encontra.
E a partir de determinado momento, o seu poder é total. » (*)

(*) Paulo Coelho - Manual do Guerreiro da Luz; pág 51

Os inocentes não saíram inocentes do banco dos réus

Foi notícia há dois meses! Tirei daí - http://economico.sapo.pt/noticias/jardim-goncalves-nao-tenciona-abandonar-a-banca_89567.html - Diz que: «O antigo presidente do BCP, condenado a nove anos de inibição na banca pelo Banco de Portugal, já anunciou que vai recorrer da decisão.
Jardim Gonçalves diz em comunicado que vai recorrer da decisão do Banco de Portugal, que proibiu também outros seis antigos administradores do BCP de exercerem cargos na Banca. Os condenados foram também alvo da decisão de pagamento de coimas que vão até um milhão de euros.
O fundador do BCP diz que o banco "deu um grande contributo para todo o sistema financeiro, que o Banco de Portugal não acompanha", e sublinha que "a condenação vem na linha da Reunião realizada em Dezembro de 2007, no Banco de Portugal, do Governador com os maiores concorrentes accionistas do BCP, e a que eu chamei "atípica" na Comissão Parlamentar".
No documento pode ainda ler-se que "o discurso acusatório do Governador do Banco de Portugal em Dezembro de 2007, precedido pelos discursos de sentido idêntico do Ministro das Finanças e do presidente da CMVM, antes mesmo de ser realizada qualquer investigação, não dava outra alternativa ao Banco de Portugal senão avançar com esta condenação, antes da posse do novo Governador do Banco de Portugal, ex-Director-Geral do BCP.../Jardim Gonçalves adianta ainda que não pretende deixar de exercer cargos em instituições bancárias e afirma: "irei impugnar". Estava no seu direito.
Mas ...
Hoje é notícia que Antigo presidente do Banco Comercial Português (BCP) Jardim Gonçalves foi condenado.
De novo? E irá recorrer, de novo?
Roubei em http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/bcp-jardim-goncalves-condenado e aí está:
- «A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) condenou nove ex-administradores do BCP a coimas de 4,325 milhões de euros por informação falsa ao mercado, noticiou a Lusa. Jardim Gonçalves tem a multa mais elevada (1 milhão de euros) e fica inibido de exercer actividade bancária por cinco anos. Paulo Teixeira Pinto paga 200 mil euros e fica um ano inibido./...»
Quanto às coimas, são mesmo isso, uma multa, uma pena, um castigo. Pouquinho em relação ao bolo inteiro, digo eu que sou muito tapada de vistas. Mas também foram inibidos de exercer actividade bancária. Baixou em alguns anos essa pena, mas estou com peninha e interrogo-me: Terão direito a subsídio de desemprego? Que vão fazer das vidas deles?

Hoje é um bom dia!

« Si tu diffères de moi, mon frère, loin de me léser, tu m’enrichis »

Antoine de Saint-Exupéry ou Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry, filho do conde e condessa de Foscolombe, nasceu a 29 de junho de 1900, em Lyon, França. Foi escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial.
Hoje faz 110 anos que nasceu. Hoje vai ser um bom dia, porque recordar o que deixou escrito é um prazer enorme.

Olhão: uma visita que vale a pena

Dia primeiro de Junho. Depois das comprinhas arrumadas, mais umas moedas no parquímetro e encaminhámo-nos para o Jardim situado na mesma Avenida, a fazer tempo para o almoço. Muito bem cuidado, oferece sombras muito agradáveis aos visitantes, em manhã de termómetro a rondar os trinta. Como quase sempre, os melhores acentos - em frente à Ria - estão ocupados por homens a maior parte reformados ou ainda pescadores nas horas vagas. Outros passam mas quase todos se conhecem e se cumprimentam. As suas conversas envolvem o tema pesca, o que foi pescado e os preços do dia. Uns lá se levantam e despedem-se. Alguns ficam mais um pouco. Quanto a nós, é preciso é paciência - estamos em férias - e um banco vagará mais cedo ou mais tarde. Clico com o telélé o que gosto. Tal como desta vez, um banco de jardim vagou. Debaixo de uma árvore, só com o sol a bater na pontinha. Sentámo-nos, já com os pés um pouco doridos, a olhar aquela beleza azul leitosa que se estende até se confundir com o céu. A meu lado, pelo canto do olho, reparei que se ficou um homem, sentado em cadeira de rodas. Olhava a Ria, com olhar perdido em pensamentos. Disse-lhe bom dia. Ele parou de pensar, olhou-me e retribuiu o cumprimento, com um toque de dedos no boné. Pareceu-me uma pessoa de bem. Com um sorriso desviei o olhar e comecei a desenrolar o meu guia turístico para dizer qualquer coisa. Sogrinha ficou comigo enquanto que Marido foi dar uma volta. Isto é lindo, comecei. Vê aquela língua de areia e terra com casas em cima, lá ao fundo à esquerda? É a Ilha da Armona, já lá fomos uma vez, de barco, e tivemos de voltar para trás por causa do calor! Tal como hoje! respondeu ela, abanando-se. É muito comprida, vai até Fuseta. Continuei a apontar o indicador, a mostrar os meus conhecimentos. Segue-se uma larga saída para o Atlântico, por onde entra o peixinho que hoje vamos comer. Deus queira que haja sardinhas boas. É. Sardinhas gordas em início de Junho é difícil haverem, mas marcham, tal é a maluqueira que temos por este peixe. E continuei na descrição geográfica na Ria Formosa. A outra Ilha se lhe segue, é a do Farol. Mais uma saída de mar e a seguir é a Ilha da Culatra, a última à direita. Baixei o braço e suspirei. Deve ser bom viver aqui. Que tranquilidade e peixinho fresco todos os dias... Até que ouvimos: as senhoras são de cá? Não, somos de Lisboa, estamos em Tavira de férias, mas vir a Olhão é obrigatório, falei eu, sem interrupção. E foi o começo de uma conversa de meia horita. Apresentou-se como reformado, pescador, casado com uma senhora muito boa (comoveu-se), que tem um filho e uma filha que todos os dias de boas manhãs o vem colocar ali, para ele conviver com quem passava e sonhar a vida que teve. Quem teve uma vida activa e feliz, pode revivê-la muitas vezes sempre que fala dela, respondi. Ele anuiu. Falou da quantidade de peixe que antigamente se apanhava naquela Ria que sustentava muitas famílias e que desapareceu, dos artefactos marítimos, dos barcos utilizados na pesca que eram idênticos aos que estavam ancorados em frente. Cliquei. Não havia motores, só a força dos braços e do vento. Falou da sua incapacidade de se locomover pois nasceu com paralisia infantil, que passou muito pois não haviam suportes como o que ele agora tinha, mas que hoje se considerava um homem feliz. Pescou muito peixe. Quando apareceram as arcas congeladoras, estavam sempre cheias. Dava para a sustentar a família e para oferecer minha senhora. E perguntou: «Sabe como se deve congelar o peixe fresco? Tal e qual como se pesca!». E continuou: «Pesquei um sargo de 3 quilos há dois anos e ainda está congelado. Tenho de dizer à minha mulher para o descongelar». E sorria. E suspirava. E emocionava-se. Enquanto nos foi contando a sua estória. Nunca falou de doenças pessoais. Só de coisas boas. Perguntei-lhe a sua graça e autorização para o fotografar. Ele sorriu e fez duas poses. Chama-se Arnaldo Proença Coelho, tem 83 lindas primaveras, 4 AVC's e um enfarte.
Enquanto conversávamos, passaram alguns homens, uns mais novos, outros mais idosos, cumprimentavam Alnaldo e seguiam. Um deles, magro, alto, com boné na cabeça fez questão de ficar a falar, em pé. Ao sol, dada a aparente idade, ofereci-lhe o meu lugar para se sentar, arrastando os meus fundilhos e os de Sogrinha para a direita do banco, ficando com as pernas ao sol que queimava na hora do quase meio-dia. Deixem-se estar coisa e tal, mas sentou-se. Eu e Sogrinha, aproveitámos a vinda deste conversador e levantámo-nos, com intenção de nos despedirmos. Só que Arnaldo apresentou-nos ao novo colega de conversa afirmando: «Este senhor foi durante muitos anos o Chefe do Farol»! Vieram as apresentações, um desenrolar de estória bem mais curta de vida, dado que eu já não a alimentavamos com perguntas dada a hora. A culpa foi do sol que queimava as nossas costas e dos estômagos, que já davam sinais de querer alimento. Baconine era a sua graça. Baconine? repeti. Ele sorriu. «Sabe minha senhora, eu tenho 93 anos. Quando eu nasci, deu-se a Revolução Bolchevique (1917). O nome veio daí.» E sorriu. Pedi-lhe autorização para o clicar. Ele endireitou-se e perguntou-me se eu queria que ele tirasse o boné. Eu respondi que se o boné fazia parte do dia a dia dele, que não, que estava muito bem assim. Ele não o tirou. E cliquei o meio-sorriso oferecido.
Despedimo-nos até para o ano. Já no meio do jardim, em direcção ao Restaurante o Bote (na mesma Avenida, lá mais para a frente), voltei-me e procurei com o olhar aqueles dois Senhores, com uma idade invejável mas com uma cabecinha de se lhe tirar o chapéu. E lá estavam, um voltado para o outro, quem sabe a falar de nós.
Vida feliz para vós dois, Arnaldo e Baconine, dois homens do mar e da cidade de Olhão.

Clics de Olhão postos em filme



A cegonha continua a ter casa, conservada que foi a chaminé. Os barcos tradicionais da pesca de Olhão na Ria Formosa, Arnaldo, Baconine e o jardim de Olhão, o «Mestre» do Restaurante O Bote.

Stand by me and I'll stand by you all.

A propósito do post anterior, nem de propósito. Recebi de meu Irmão este clip de vídeo. Vejam, não deixem de ver, por favor.
A música contém uma linguagem universal. Só os não puros - e deles não é o reino dos céus - a acondenam.

Mais um Adeus


Faleceu e vai descer à terra, amanhã, em Góis, o Ti Alberto Bandeira, nascido há quase 89 anos na Cerdeira. Foi marido da senhora professora primária que leccionou toda a sua vida na Escola Primária da Cerdeira de Góis e já falecida, também, há muitos anos.
O Ti Alberto será sempre uma referência na minha vida. Dono de uma mercearia e de uma taberna, ligadas por um corredor interior, era lá que em férias nos abastecíamos de mercearia. Também era o único sítio a ter telefone, daqueles com caixa acoplada onde se encaixava uma moeda de cinco tostões e se podia falar durante algum tempo. Ficou-me o cheiro do açúcar amarelo no reservatório com tampa em madeira, da cor dos rebuçados nos frascos a dois 1 tostão, dos pacotes de bolacha Maria e de bolacha torrada, do azeite ao litro, das carcaças e ao lado, do vinho tinto a copo ao balcão ou ao litro, das gasosas e das laranjadas, do bocadito de presunto ou das sardinhas fritas em cima do balcão para os homens petiscarem, da serradura espalhada pelo chão depois de varrido, sei lá que mais poderei ir buscar à minha memória para retratar os momentos vividos na ida ao Ti Alberto durante tantos anos, em férias. Também se jogava à sueca. Cá fora no pátio em terra, os homens jogavam à malha e conversavam. Houve uns anos, que o Ti Alberto se aventurou a assar frangos, mediante encomenda. Que belos frangos nós petiscamos e que belos tempos esses, meu amigo ido.
Há mais de 20 anos, que o Ti Alberto foi visita da nossa casa, no tempo do senhor meu Pai. Era uma pessoa respeitadora que gostava de brincar e também muito prestável. Depois de enviuvar, já não passava tanto tempo na sua taberna, não havia freguesia e sentia-se só. De vez em quando aparecia. Descia ao fundo do lugar e fazia gosto em levar-nos uma travessa de ameixas, roxas e amarelas, grandes, doces, sumarentas, que ele cuidava no seu quintal. Foi convidado a almoçar connosco algumas vezes e até a participar nas nossas festas de aniversários. Sabia fazer de tudo. E dava uma mão, mesmo sem lhe pedirem. O senhor meu Pai foi algumas vezes agraciado com a ajuda dele, solidária e de alguma sabedoria, na construção de um muro, numa caiadela de outro, no enxertos das videiras ... O senhor meu Pai que foi marujo de profissão e na sua reforma quis lançar-se noutras lides diferentes, bem vindas foram as outras mãos sabedoras de outras artes, como as mãos do Ti Alberto.
Vou ficar com muito boas recordações deste senhor nascido na Cerdeira de Góis. Fica a saudade. Os nossos pêsames Julinha, estendíveis a tua irmã e restante Família.

Até sempre.

PS: vou procurar uma foto para ilustrar esta despedida.
Já encontrei. Roubei à Marisa.

Estudo indica que carácter agressivo e intimidatório da cor é conhecido à nascença

Não pude deixar de associar os Tentilhões a Alberto João Jardim quando li a notícia. Parece que estas duas raças têm medo do vermelho.

Em notícia saída aqui explica o porquê do pensamento.

Li há tempos

'Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra.'


Sábias palavras de Mário Lago (1911-2002). Advogado, poeta, homem da rádio e actor brasileiro.


Bom fim de semana.
Esta imagem é do Google e indica que faz hoje 200 anos que Charles Darwin nasceu.
O Senhor-pai da Teoria da Evolução, que nos comprova a origem das espécies, a sua adaptação ao meio ambiente e a sua evolução ao longo dos tempos.
No decorrer deste último século os cientistas descobriram várias pistas que os levaram a algumas comprovações sobre essa teoria.
Sabe-se que a princípio, não existiam seres vivos possuidores de coluna vertebral. Antes do surgimento dos primeiros vertebrados milhões de anos se passaram na história da evolução.
Os primeiros a aparecer tinham a forma de peixe, e somente milhões de anos após é que os primeiros anfíbios passaram a existir, e depois vieram os répteis, pássaros e mamíferos.
Após milhões de anos, a aparência de animais e plantas ficou bem diferente do que era. Aqueles que se desenvolveram melhor, foram os que tiveram a chance de se adaptar as inúmeras mudanças que ocorreram em nosso planeta.

E as dores nas costas devem-se ao facto de querermos permanecer erectos, quando ainda deveríamos caminhar de torso curvado ... digo eu.

Aqui pode ler-se mais informação sobre a estória deste homem extraordinário.

Heróis de circunstância

Entre algumas das definições da palavra HERÓI, retirei esta: O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas, como liberdade fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz.


Isto a propósito de 1 Homem-que-uma-onda-levou de nome José Costa, ter sido salvo de morrer por afogamento. E foi salvo por quem? Não foi pelo INEM, nem pela Força Aérea, nem pelas lanchas da Marinha de Guerra. Não. Foi salvo por ALDER, JAMIL e MARCO. 3 ilustres desconhecidos que, en passant, viram alguém que sendo lambido por ondas altas, precisava de ajuda - e ajudaram com algum risco para as suas próprias vidas. O mar é o mar, é o mar, é o mar. Não se deve menosprezar.


Retiraram o Homem-que-uma-onda-levou do mar e da faixa rochosa em que se encontrava enquanto outros gritaram, filmaram, chamaram o 112. Apareceram o INEM, a Guarda, não sei se Bombeiros ou algum helicóptero. Entregue o Homem a quem de direito, os três salvadores talvez esperassem apoio a nível de primeiros socorros. Talvez uma lambusadela de qualquer desinfectante bastasse. Tiveram como resposta - chamem outra ambulância.

Pelo que assisti hoje no Canal 1, eles são pessoas simples. E os simples lambem as suas próprias feridas. Apanhados pelo acaso a salvar uma vida, salvaram e pronto. Parecem não esperar nada em troca. Viraram assunto para preencher programas televisivos. Amanhã, quem se lembrará deles, com tantos assuntos importantes pendentes?


Como Mulher, portuguesa e agnóstica, só posso escrever aqui: Obrigada por estarem lá e por terem acudido. Que Deus, Alá, o Destino, a Vida ou o que seja, vos traga o que buscarem. Porque sim.


E o cão? Não se fala dele!? Afinal era um Homem que andava a passear o seu cão, junto ao Mar. Dik-o-cão. Faz parte desta estória. Aliás, como rafeiro que é, teve o instinto de sobrevivência muito apurado. Conseguiu sair de dentro de água sem dar nas vistas e seguiu a caminho de casa, onde, dizem, esperou pelo dono. Eles são assim. Os cães, quero dizer. Diante de um susto reagem e com alguma sorte correm para o seu refúgio - a segurança da casa onde habitam, o seu Lar.


Concluindo, vocês 3 - ALDER, JAMIL e MARCO - são meus heróis.

1º dia do resto da vida de Rodrigo

Mensagem de meu priminho Nuno, pai babado: Nasceu às 05:20h de hoje, dia 28 de Janeiro de 2009, em Coimbra. RODRIGO de seu nome. Pesa 3,440 kg. Uau!!!
Escreveu também que a mamã Ana Cristina se encontra bem.

Mais um priminho na Serra e Vila da Lousã.
Avós Afonso e Palmira, na Póvoa da Cerdeira, desejosos de o conhecerem, felizes, pois então.
Eu e Marido também, mas estamos longe ...

Nascer é recomeçar. Com tantos para te amarem, cuidarem, mimarem, vais ser uma criaturazinha feliz, tornares-te um menino traquina e alegre, um adolescente inteligente e perspicaz e um homem de bem.
Que tenhas uma estrada florida para percorrer. Que sejas orientado com muito Amor.
O teu futuro irá depender daquilo que todos fizermos no presente.
No presente, chamas-te ALEGRIA. Pelo sentimento que nos proporcionaste.

I also have a dream

.../And when this happens, when we allow freedom ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual:
Free at last! Free at last!


Martin Luther King, Jr. morreu de morte matada, como dizem os brasileiros. Faria hoje 80 anos e amanhã poderia muito bem estar a assistir ao início da alguma mudança e à concretização de uma capítulo do seu sonho: Um homem de cor a comandar os destinos de muitos milhões de pessoas, numa América multirracial.
Desejo muito que o seu sonho se concretize.

Com Obama, espero que consigamos dar uma volta e achar soluções para terminar de vez com Fome, Guerras, Ditaduras, Racismo, Genocídios, Barbárie e por fim, o Terrorismo. Para bem da Europa conservadora. Para bem do Povo Americano. Para bem dos Povos de todo o Mundo.

Criaturas da Ciência

Começa hoje a semana da Ciência e da Tecnologia. Aproveito para relembrar pessoas que entraram na minha vida de trabalho (ou eu entrei na delas) e pelas quais nutro amizade e admiração. Girei à volta de algumas, como a Lua gira à volta da Terra, em mútua atracção, embora a minha massa fosse *ínfima* (matéria atrai matéria ...).
Não passei de uma secretária-ouvinte-atenta que seguia o protocolo ... enfim, uma funcionária pública que teve a sorte de conviver com gente muito especial. Sem pretender esquecer nenhum, relembro:


  1. António Manuel Baptista (lembro tio de Marido numa situação: numa recepção, ao constactar que alguém bebeu um cálice de Porto em vez de o degustar, afirmou: quem tem sede bebe um copo de água);

  2. Carlos Ribeiro (o médico do meu coração, está tudo dito);

  3. Edward Stadlin Limbert (lembro-o em 1974, na 1ª festa de Natal em plena revolução, quando me viu separar para a direita e para a esquerda umas certas garrafas de vinho que uma certa pessoa tinha trazido, me repreendeu com um sorriso e um abanar de cabeça: *Margariiiida* ... como o compreendo, passados tantos anos);

  4. Mortó Cityrama Naique Pratape Rau Sir Dessai (único homem da etnia Sikh que conheci. Um doce de pessoa. Chamou-me *Márgárida * e disse-me: quando souber escrever o meu nome pago um almoço a si e a seu marido - e pagou, no Tia Matilde. Anos 70. Saudade);

  5. António Cavaco Catita (meu querido Director);

  6. Francisco Costa Mira (lembro apenas uma entre centenas de lembranças boas: eu tomava conta enquanto ele encostava a cabeça no seu cadeirão, levantava as pernas, cruzava os braços e fechava os olhos dizendo "são só 10 minutinhos e fico como novo". E ficava! Saudade!);

  7. António Arruda, que saudade do meu amigo!!!;

  8. Carlos Nobre Leitão, C. Santos Costa, A. Lacerda, António Dias Pereira, J. Midões Correia, Pedro Lage, Isabel Claro, Piteira Barros, Luis D'Orey, Anabela Pinto, Marília Cravo... todos vivos e a mexer. Como desejo que durem no tempo para que continuem a dar o vosso melhor em prol dos doentes do nosso IPO e em prol da investigação.

Convosco aprendi o que sei sobre a saúde e sobre a doença. Sobre a Prevenção. Sobre a Investigação Científica. Sobre as Doenças Familiares. Sobre Rastreios. Sobre Estudos Comparativos. Dei de mim o que pude, em trabalho de campo, e aprendi muito, muito com todos vós. Ainda disponíveis a um pedido de socorro meu. Obrigada a todos vós.


  1. Manuel Sobrinho Simões, Alexandre Tiedtke Quintanilha, António Barreto, Fernando Nobre, Nuno Lobo Antunes

Lamento não os conhecer pessoalmente. Mas iluminam-me. Ouvi-los na comunicação social e lê-los é um bálsamo para o meu cérebro, entupido que está por estar rodeada tanta estupidez, ignorância, ganância, e outros adjectivos pouco dignos do homem democrático, do ser humano. Para além da impunidade em que vivemos, que deixa muito a desejar numa democracia.

  1. Um estrangeiro, especial: Carl Sagan. Para sempre uma referência. Leio-o como outros leem livros sagrados.

.../...

Uma estória passada entre dois personagens de ficção da literatura britânica criados pelo médico e escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle, ao fim ao cabo, uma estória sobre Ciência Forense:
*Montam a tenda e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir. Algumas horas depois, Holmes acorda o seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê. Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas. Holmes então pergunta:
- E o que é que isso significa? Watson pondera durante um minuto, depois enumera:
- 1) Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, biliões de planetas;
- 2) Astrologicamente,observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte;
- 3) Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 3h15 pela altura em que se encontra a Estrela Polar;
- 4) Teologicamente, posso ver que Deus é todo-poderoso e somos pequenos e insignificantes;
- 5) Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correcto? Holmes fica um minuto em silêncio e então responde:
- Watson, seu imbecil! Significa apenas que alguém nos roubou a tenda!!!*