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Dedicada à guarnição do Navio Escola Sagres, que esteve hoje no Portugal no Coração



Cantado por TONICHA no 1º programa "SABADABADU", passado na RTP, em 1980.
A canção "MARCHA DOS MARINHEIROS" é da autoria de Matos Sequeira, Pereira Coelho / C. Calderon.
Da última vez que entrei para o visitar, invadida por uma grande emoção, fiz questão de guardar esta imagem, agarrada que me pus ao leme do Navio Escola Sagres. Foi em 1999.
*A Pátria honrae que a Pátria vos contempla* é uma frase que conheço há muitos anos. Sou do Século passado, é natural sabermos estas coisas. É da autoria de José da Silva Mendes Leal, que em 1863 assim legislou quando era na na altura Ministro da Marinha e Ultramar (1820-1886) e está espalhada por alguns locais onde a colonização portuguesa se fez presente. Como, por exemplo nas Portas do Cerco, o lugar que marcava a fronteira entre o antigo território português de Macau e a China
Tem este post a minha vontade de lembrar aos portugueses, mesmo nesta época de azáfama, de crise monetária, de fome e de fartura, de ladrões e gente honrada, de coisas boas e coisas más, que quase passou 1 ano e ele está a chegar. Se o tempo ajudar, desejo esperar este Navio no Terreiro do Paço, com um lenço branco na mão, a acenar boas vindas.
Tem também o fito de avivar a lembrança - a quem aprecia e sonha com grandes viagens mas apenas viaja nas viagens de outros - a quem já esqueceu que Sagres deu a volta ao Mundo e já veleja por águas Mediterrânicas.
A notícia é:
- «Após quase um ano de viagem à volta do Mundo, o Navio-Escola SAGRES, comandado pelo Cap. Frag. Luís Proença Mendes, entrará a barra do Tejo na manhã da próxima quinta-feira, dia 23 de Dezembro. Tanto quanto julgamos saber, muitos velejadores e desportistas náuticos preparam já as suas embarcações, para irem saudar aquele que é um dos mais emblemáticos navios da Armada, no seu trânsito no Rio Tejo para a Base Naval, estimando-se que passe em frente a Belém cerca das 09h00. O Navio partiu em 19 de Janeiro, como tivemos oportunidade de noticiar na RM 954, percorreu cerca de 40.000 milhas em 5.500 horas de navegação e visitou mais de trinta portos estrangeiros, tendo sido visitado por cerca de 300.000 pessoas! A SAGRES é um veleiro com cerca de 90 metros de comprimento, 12 de boca e 6,2 de calado, deslocando 1940 tons, com quatro mastros, 23 velas, uma superfície vélica de 1.950 m2 e armação em barca, dispondo também de um motor auxiliar (1000 CV - 9 nós). Foi construído em 1937, na Alemanha, nos estaleiros da firma Blohm & Voss, em Hamburgo, juntamente com mais três navios semelhantes, o EAGLE, da Guarda-Costeira dos EUA, o MIRCEA, da Roménia, e o TOVARICH, da Rússia, a que se juntou, quase vinte anos depois, o GORCH FOCH, Navio-Escola da Marinha Alemã. A primeira viagem de circum-navegação da SAGRES teve lugar em 1978/79 e a segunda em1983/84, ocorrendo esta terceira edição cerca de vinte e sete anos depois.»
A toda a tripulação da Sagres e ao seu Comandante, desejo boa aportagem.

Regata Bicentenário



Tenho seguido o diário de bordo da nossa Sagres.
Também encontrei este vídeo. Conta a história da Regata Bicentenário.
Dei um pulo aqui também, para saber mais sobre o encontro e a regata dos grandes veleiros.
Boa viagem :)

Mar chão e vento de feição


Navio Republicano Português Sagres ou Navio Escola Sagres? As duas coisas.
Uma vez por ano e lá ia. Durante 3 meses ficávamos sem ele. O Senhor meu Pai começou a sua vida de Marinheiro na Sagres e terminou a sua vida de mar como o homem do apito, ou seja, como Mestre do Navio.
Esta é a primeira vez que Sagres vai fazer uma viagem à volta do Mundo. Quase 1 ano a pavonear-se pelos Oceanos, o vaidoso. Imagino quem o espera nos diversos portos por esse mundo fora. Inesquecível estar num qualquer porto e olhar e ver esse veleiro de velas brancas, com as Cruzes de Cristo encarnadas, enfunadas, em todo o seu esplendor, a atracar. O movimento braçal dos marinheiros, a subida aos mastros, as velas a descerem, as vozes, um apito a comandar estas manobras ... só estando lá a assistir, para recordar toda a vida. E depois de atracado e amarrado ao cais, subirmos as escadas e entrar, pés no convés do navio. E mexer no cordame, nas madeiras envernizadas, nos latões. Descer e subir escadas de degraus estreitos e íngremes, mãos agarrando ambos os corrimões, em corda. «Desce como sobes, custa menos ... »
Inspirar e deixar que a imaginação nos leve por instantes, de viagem...

Lembrei-me de Fausto, que escreveu:

Já tenho a vela enfunada / Marrano sem vergonha / Judeu sem coisa sem fronha / Vou de viagem ai que largada / Só vejo cores ai que alegria / Só vejo piratas e tesouros / São pratas são ouros / São noites são dias // Vou no espantoso trono das águas / Vou no tremendo assopro dos ventos / Vou por cima dos meus pensamentos / Arrepia / Arrepia / E arrepia sim senhor / Que vida boa era a de Lisboa // O mar das águas ardendo / O delírio dos céus / A fúria do barlavento / Arreia a vela e vai marujo ao leme / Vira o barco e cai marujo ao mar / Vira o barco na curva da morte / Olha a minha sorte / Olha o meu azar.

Que os ventos e marés lhes sejam favoráveis. Que tragam estórias para contar, a quem os gostar de ouvir, até morrerem de velhice.