Mora em Lisboa e quer ir até Góis num fim de semana?
.../ um país que precisa de um salvador não merece ser salvo".
Góis, vista parcial clicada por EuzinhaECONOMIA - 07-05-2010Pasmei porque se-me-fez uma luz no cérebro sobre outra notícia, ou talvez não notícia alguém me tire dúvidas depois de ler, relacionada com Góis e a Saúde ou a falta dela e precisarem de um médico, logo de uma consulta no SAP de Góis que parece que ia fechar, mas depois até não, está publicada aqui e aqui, o segundo referenciando o primeiro, ao fim ao cabo não percebo uma notícia tão grande para não ser notícia nenhuma.
O maior investimento dos «últimos séculos» no concelho de Góis está a caminho, é ambicioso e vai ser uma realidade em Junho de 2012. Com um investimento na ordem dos 50 milhões de euros, dentro de cinco anos estará de pé aquele que é considerado por Lurdes Castanheira, presidente da autarquia de Góis, como o «maior investimento dos últimos séculos no concelho».
Designado por Health Resort Nature Góis, trata-se de uma unidade hoteleira e SPA, com 86 apartamentos, 34 vivendas autónomas, residências medicalizadas. Vai nascer na Quinta do Baião e vai ter também um jardim infantil, uma creche e até um heliporto. A unidade vai estar dimensionada para receber até 460 pessoas e mais 300 utentes que necessitem de cuidados permanentes. Turismo, saúde e bem-estar, num complexo de quatro estrelas, amigo do ambiente, que prevê criar perto de 500 novos postos de trabalho directos e indirectos. Retirei daqui.
Momentos (XIX)
Dia 13 de Setembro, Domingo. Precisávamos arranjar uma solução para o telheirinho no pátio grande. Com muita pena nossa, teríamos de tapá-lo por baixo, porque os autóctones com asas e bico faziam dele o seu abrigo e wc também. A parede, a porta e o chão parecia apresentavam uma coloração e aspecto de guano. Claro que exagero porque, com a frequência necessária, uma boa alma de sua graça Aurora, vai dar de beber às plantinhas e aponta para lá um esguicho que vai limpando. De qualquer maneira, resolvemos tapar o acesso ao telheiro. Marido estudou a forma, tirou medidas e vamos a Góis? Mas é Domingo, recordei. Mesmo ao Domingo há sempre qualquer coisa aberta. Estamos em férias, não estamos? Serve de passeio. E lá fomos. Realmente estava aberta a loja do Sr. Adão, por uns instantes, disse-nos, que era dia de Santa Maria Maior, padroeira de Góis. Vai haver Procissão, sabiam? Não! Mas ouço música e espreitei para o Largo: lá vinha a Banda. Adoro Bandas Filarmónicas. E a Banda Filarmónica de Góis que bem que toca. Pena a nossa pressa de ir para casa. Já no fim do desfile olhei melhor e reconheci a figura alegre e sorridente de Zé Manel. Fica o registo, embora um pouco atrasado no tempo.
Momentos (XIX c)
Restaurante do Sr. João
Laptop ou em cima do colo - uma prenda de aniversário
Vamos para a Serra da Lousã. Mais propriamente para Cerdeira. Foi em Setembro. Parece uma cantiga, mas não. Já partilhei por aqui diversos momentos com fotos e estórias. Todos os anos, desde a existência de telélés nas nossas mãos, que esta estória se repete. Este ano duplicou por causa dum computador de colinho, ou seja, um portátil, ou seja um laptop.
É quase impossível aceder a uma qualquer rede de telemóvel. Mesmo assim, para o laptop, disseram-nos ser a TMN um pouco mais ampla na sua emissão. Por isso, dirigi-mo-nos a uma loja em Góis para confirmar o que nos tinham dito: a TMN é a rede que melhor se apanha para estas bandas. Mas só cá por baixo, lá em cima não vai conseguir.
Estamos na Beira Baixa, Concelho de Góis, a cerca de 800 m de altitude. A meio do País. Estamos numa encosta, em frente a um Penedo a 1048m de altitude. Por detrás do Penedo, situa-se o Trevim a 1205m de altitude e tem nas suas imediações uma pista de aviação utilizada de Verão para combate aos fogos florestais e uma bela vista sobre a vila da Lousã e sobre o *meu* calhau.
Nem o laptop, oferta de aniversário de Marido este ano ;) nem o telemóvel de novíssima geração, na apregoada e actualíssima era das comunicações funcionam. Levei-o comigo, qual cachopa feliz pela prenda, mas apenas me serviu de máquina de escrever e de álbum fotográfico. É ridículo, é uma brincadeira. Só pode ser. É ausente qualquer ponto de cobertura de Internet.
Leio: é preciso reforçar a importância das novas tecnologias para combater as assimetrias regionais ... Wi-Fi com inauguração e tudo, mas Só em Góis!? Imagino-me na casinha, no cimo da Serra. Marido! Leva-me a Góis. Vou estar um bocadinho na NET. E lá vou eu carregada com o laptop, de carro com motorista que eu não tenho carta de condução, fazer mais de duas dezenas de quilómetros (há o ir e o regressar) para usufruir da Wi-Fi desde que tenha acesso wireless, que deve ter por ser recente, não sei e demonstro a minha ignorância. Vai decerto haver um banco para me sentar, lá no Largo. Ponho o portátil ao colo e abro o browser. Depois escrevo não sei o quê e o login é coimbradigital@ptwifi.pt, a password é hotspot, mas isto depois hei-de aprender. Mando o motorista às favas e fico ali, se tiver sorte e for uma das 22 que acede. E já está. Fácil, né? E os Magalhães senhores, e os Magalhães? Depois volto para casa, no carro com motorista.
Voltando aos telélés, só posso sorrir, se não dá mesmo vontade de chorar por sentir uma raiva desgraçada a brotar-me do peito. É complicado sabem? Quando a noite vem e não pensamos sair de casa, está na hora de ouvir a voz da família que não está connosco. Como não temos a PT instalada na casa da Serra - só para férias? era só o que faltava, paga-se um balúrdio - então comunicamos como? Através da rede móvel. Claro. E pego no telélé que esteve a carregar mudo e quedo. Como sou uma pequena dada a raivas mas ocasionais e rápidas - só de pensar sorrio - tenho de sair para a rua. Imaginem-me no pátio lá de casa, ou a andar rua acima rua abaixo com o telélé na mão e braço no ar, dando uma volta lenta de 360 graus, umas vezes apontando o Penedo, outras a Pena, outras o Vale Torto, outras para a Póvoa e outras ainda a Estrada de Santiago ou Via Láctea. Parece que estou a calcular a latitude e a longitude do lugar ou a tentar contactar a mãe do E.T., mas não. Só ando à procura da rede da TMN para ligar cá para dentro do Planeta Terra. Ah e caminho sem poder olhar o que piso que pode acontecer ser um sapinho-príncipe, uma aranha, um grilo, uma(s) caganita(s) de cabra, eu sei lá mais o quê. E as melgas e outros sanguinários insectos noctívagos? É cada baba. E depois, se aparecem um ou dois risquinhos azuis já dá para ligar, aqui tem, grito, que bom, mas logo que baixo o braço, lá se vão. E se não se vão toda a gente do Lugar ouve o que dizemos, porque o altifalante tem de estar ligado "Olá, tudo bem?" ... um atraso de vida, como diz a minha santinha. Só assistindo às cenas.
Chateia-me ter concluído só em Góis conseguir ligar-me à NET, quando estou no cimo da Serra. E a caminho, enquanto a descemos ir fazendo telefonemas mas com algum receio de na curva seguinte, a chamada cair e eu ficar a falar para o boneco. Já aconteceu.
Mas está tudo bem. Temos Sol em Outubro, temos água nas torneiras, não temos guerras nem outras coisitas más.
Meus senhores das redes móveis TMN, Vodafone e Optimus, dá para espalhar mais antenas pelas franjas da Serra da Lousã?
Momentos (XII)
altitude. O Penedo de Góis, ou Penedo do meio dia, como os antigos lhe chamavam, é um ponto que se vê ao longe e se identifica. É sinal de estarmos perto de casa, a casa da nossa infância de meninos em férias. Da casa que entretanto se ergueu, por gosto, por amor ao local. O Penedo que todos os anos se escalava em grupo, sem cordas nem arnês, magnésio ou capacete. Só a alegria de ser um grupo, com ténis e uma garrafa de água. Alguns com máquinas de retratos. Outros com sandocas e fruta. A força nas pernas e a entreajuda para a subida e depois para a descida eram o necessário.Chegados lá acima, o ar faltava-nos. Pelo esforço despendido subindo as últimas fragas, por termos conseguido lá chegar e pela vista sobre o horizonte que se estendia à nossa volta.
Penedo, será que existe alguém insensível, tão ignorante, tão inconsciente, que consinta espetar-te aerogeneradores como farpas em touros? Em nome de que futuro e de que evolução? Será? Só de pensar que essa hipótese está a ser discutida, sinto um nó no peito. Há pontos neste Planeta que deveriam ser intocáveis e então na nossa memória, preservados para todo o sempre.
Já lá em cima
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Ainda demos um salto a Góis, antes de ir para casa. Não demorámos muito. Não choveu por aqueles lados. Friiiuuu apenas. Mas não precisávamos de comprar nada e para passeio já tinha chegado a viagem. Vamos para casa, pedi. Devagar pela estrada acima, o carro patinou à frente. Sentimos. É numa curva antes das Ladeiras. Não bate lá o Sol.Chegamos a casa. Silêncios. Só Barnabé-o-cão ladrava ao longe. Tinhamos levado uma prenda para ele. A carcaça inteira da perúa. Olaré! Ele merecia coitado, preso que está no palácio das galinhas e das cabras da Prima Laura.
Já debaixo de telha, abri as portadas a ver se sentia alguma diferença entre o interior da casinha e o exterior. Qual quê! Frio mais frio. Olhei para o Penedo. Tiritava e batia com os pés calçados com botas no chão. Bi ladrava de contente. Era preciso acender o fogão e arrumar a tralha. Aliás, nada melhor para aquecer do que o movimento. E um cházinho.
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