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Mora em Lisboa e quer ir até Góis num fim de semana?

Não precisa levar o carro, se não quiser. Há a camioneta, outra vez. Pelo menos até Góis. Depois ou ande a pé, de boleia ou apanhe um táxi.

«O Município de Góis informa que a partir do dia 22 de Julho do corrente ano, a TRANSDEV irá proceder à ligação de Transporte Público entre Lisboa/Porto – Coimbra – Góis - Coimbra – Lisboa/Porto com os seguintes horários:
Sextas-Feiras
LISBOA/PORTO - COIMBRA – VILA NOVA DO CEIRA - GÓIS

Partida - 18.45 horas – Lisboa ; 18.15 horas - Porto
Partida - 21. 15 horas - Coimbra (Terminal Rodoviário da TRANSDEV)
Chegada - 22.10 horas - Vila Nova do Ceira (Largo do Adro)
Chegada - 22.15 horas - Góis (Local: Restaurante Beira-Rio)

Domingos
GÓIS-VILA NOVA DO CEIRA – COIMBRA – LISBOA/PORTO

Partida - 19.00 horas - Góis (Local: Restaurante Beira-Rio)
Partida - 19.10 horas – Vila Nova do Ceira (Largo do Adro)
Chegada - 20.00 horas - Coimbra (Terminal Rodoviário da TRANSDEV)
Partida - 20.15 horas ou 20.44 horas – de Coimbra para Lisboa
Partida - 21.30 horas – de Coimbra para o Porto


Góis, 12 de Julho de 2011
A Presidente do Município de Góis
Maria de Lurdes Oliveira Castanheira, Drª»

.../ um país que precisa de um salvador não merece ser salvo".

Góis, vista parcial clicada por Euzinha

«Tarã! que boa notícia» pensei, ao ler o título «O desenvolvimento está a chegar ao concelho de Góis». O meu «Tarã! que boa notícia» é por causa disto:
ECONOMIA - 07-05-2010
O maior investimento dos «últimos séculos» no concelho de Góis está a caminho, é ambicioso e vai ser uma realidade em Junho de 2012. Com um investimento na ordem dos 50 milhões de euros, dentro de cinco anos estará de pé aquele que é considerado por Lurdes Castanheira, presidente da autarquia de Góis, como o «maior investimento dos últimos séculos no concelho».
Designado por Health Resort Nature Góis, trata-se de uma unidade hoteleira e SPA, com 86 apartamentos, 34 vivendas autónomas, residências medicalizadas. Vai nascer na Quinta do Baião e vai ter também um jardim infantil, uma creche e até um heliporto. A unidade vai estar dimensionada para receber até 460 pessoas e mais 300 utentes que necessitem de cuidados permanentes. Turismo, saúde e bem-estar, num complexo de quatro estrelas, amigo do ambiente, que prevê criar perto de 500 novos postos de trabalho directos e indirectos. Retirei daqui.
Pasmei porque se-me-fez uma luz no cérebro sobre outra notícia, ou talvez não notícia alguém me tire dúvidas depois de ler, relacionada com Góis e a Saúde ou a falta dela e precisarem de um médico, logo de uma consulta no SAP de Góis que parece que ia fechar, mas depois até não, está publicada aqui e aqui, o segundo referenciando o primeiro, ao fim ao cabo não percebo uma notícia tão grande para não ser notícia nenhuma.

Há tanto para fazer pelas populações dos lugares que salpicam aquelas serras, pequenas obras nos Lugares da Freguesia, e vem a presidente publicitar uma unidade hoteleira e SPA, com 86 apartamentos, 34 vivendas autónomas, residências medicalizadas, que irá nascer na Quinta do Baião e irá ter também um jardim infantil, uma creche e até um heliporto. Bem! Uau! Mas onde irá caber esta coisa? Com mais 460+300, fora os trabalhadores e o helicoptero ... Os canos não vão aguentar. A água do Ceira não vai chegar para re-acolher tanta gente. E os banhos de Verão? Góis é tão aconchegantezinho. Os senhores das motas, só em Agosto, já são encaminhados e deixados pousar na saída para Arganil e V. N. Poiares!
Ando a pular para estar mais bem informada. Escrito no «portaldomovimento.com» está que a obra também tem relevância pelo numeroso grupo de pessoas que pode a vir a empregar, muitas delas com exigentes classificações e saberes profissionais. Óptimo. O que mais temos são licenciados a trabalhar em call centers ou numa caixa de farmácia por 18.00€/dia.
Li que assinado já está o protocolo, mas tenho dúvidas sobre o que quererá dizer esta frase de «acompanhado e acarinhado pela CMG». Será que quer dizer fiscalizado mansamente? Que irá dar trabalho a muitos. É preciso trabalho. Se houver quem procure esse tipo de serviços, está garantido. Não são os habitantes do Concelho que irão usufruir desses serviços, pelo menos conhecendo eu que uma grande maioria sobrevive de pensões.
Um spa. Boa. Ora o Spa não é financiado pelos nossos sistemas de saúde, só a Fisioterapia e a Reabilitação o são. E é um problema quando alguém parte um osso lá em cima ou dá um jeito às costas. E reconheço que há muitos «primos» a requererem estes serviços. Depois de tirar o gesso ou as talas ou diagnosticado que está o problema muscular, têm de se deslocar a Coimbra diariamente, que dista a 45-50 km, de ambulância ou táxi-colectivo. E voltar. A pagar por todos os contribuintes. Estamos num estado social. São as carências de quem vive no interior serrano.
Só para terminar, que já me alonguei demais e mais não procuro. O que é isto?

Já me cansei. Prontos.

Momentos (XIX)


Dia 13 de Setembro, Domingo. Precisávamos arranjar uma solução para o telheirinho no pátio grande. Com muita pena nossa, teríamos de tapá-lo por baixo, porque os autóctones com asas e bico faziam dele o seu abrigo e wc também. A parede, a porta e o chão parecia apresentavam uma coloração e aspecto de guano. Claro que exagero porque, com a frequência necessária, uma boa alma de sua graça Aurora, vai dar de beber às plantinhas e aponta para lá um esguicho que vai limpando. De qualquer maneira, resolvemos tapar o acesso ao telheiro. Marido estudou a forma, tirou medidas e vamos a Góis? Mas é Domingo, recordei. Mesmo ao Domingo há sempre qualquer coisa aberta. Estamos em férias, não estamos? Serve de passeio. E lá fomos. Realmente estava aberta a loja do Sr. Adão, por uns instantes, disse-nos, que era dia de Santa Maria Maior, padroeira de Góis. Vai haver Procissão, sabiam? Não! Mas ouço música e espreitei para o Largo: lá vinha a Banda. Adoro Bandas Filarmónicas. E a Banda Filarmónica de Góis que bem que toca. Pena a nossa pressa de ir para casa. Já no fim do desfile olhei melhor e reconheci a figura alegre e sorridente de Zé Manel. Fica o registo, embora um pouco atrasado no tempo.

Momentos (XIX b)

Entrada dos meninos da catequese, na Igreja de Santa Maria Maior.

Momentos (XIX c)


Olhando à volta, continuei a clicar. Caixa das esmolas múltiplas. Interpreto assim: a intenção da esmola vai para o céu, através da fé, nas ranhuras: as que estão mais riscadas são as da N. Sra. Fátima e as das Almas. As menos riscadas todas as outras, in exequo.

Templo dedicado a Santa Maria Maior, padroeira de Góis, construído no século XV e com várias alterações nos séculos posteriores. No interior, destaca-se o túmulo renascentista de D. Luís da Silveira, antigo Conde de Sortelha. Os fiéis esperam o início da celebração.

Restaurante do Sr. João

Um dos Restaurantes que fazemos os possíveis por visitar quando estamos na Serra: A Caçoila, na Estrada Nacional 2, no sítio do Esporão. O Sr. João e família são de gente muito simpática. Costumam ter comidinha comum, tipo caseira. O pão é óptimo, as azeitonas não são salgadas e às vezes têem uns queijinhos de cabra ... uhm!
Até nos arranjam peixe, se pedir-mos com antecedência.
Boa sorte :)

Laptop ou em cima do colo - uma prenda de aniversário

Uma estória sobre um tema que nunca referi. Novas tecnologias e os seus imbróglios.
Vamos para a Serra da Lousã. Mais propriamente para Cerdeira. Foi em Setembro. Parece uma cantiga, mas não. Já partilhei por aqui diversos momentos com fotos e estórias. Todos os anos, desde a existência de telélés nas nossas mãos, que esta estória se repete. Este ano duplicou por causa dum computador de colinho, ou seja, um portátil, ou seja um laptop.

É quase impossível aceder a uma qualquer rede de telemóvel. Mesmo assim, para o laptop, disseram-nos ser a TMN um pouco mais ampla na sua emissão. Por isso, dirigi-mo-nos a uma loja em Góis para confirmar o que nos tinham dito: a TMN é a rede que melhor se apanha para estas bandas. Mas só cá por baixo, lá em cima não vai conseguir.

Estamos na Beira Baixa, Concelho de Góis, a cerca de 800 m de altitude. A meio do País. Estamos numa encosta, em frente a um Penedo a 1048m de altitude. Por detrás do Penedo, situa-se o Trevim a 1205m de altitude e tem nas suas imediações uma pista de aviação utilizada de Verão para combate aos fogos florestais e uma bela vista sobre a vila da Lousã e sobre o *meu* calhau.

Nem o laptop, oferta de aniversário de Marido este ano ;) nem o telemóvel de novíssima geração, na apregoada e actualíssima era das comunicações funcionam. Levei-o comigo, qual cachopa feliz pela prenda, mas apenas me serviu de máquina de escrever e de álbum fotográfico. É ridículo, é uma brincadeira. Só pode ser. É ausente qualquer ponto de cobertura de Internet.

Leio: é preciso reforçar a importância das novas tecnologias para combater as assimetrias regionais ... Wi-Fi com inauguração e tudo, mas
Só em Góis!? Imagino-me na casinha, no cimo da Serra. Marido! Leva-me a Góis. Vou estar um bocadinho na NET. E lá vou eu carregada com o laptop, de carro com motorista que eu não tenho carta de condução, fazer mais de duas dezenas de quilómetros (há o ir e o regressar) para usufruir da Wi-Fi desde que tenha acesso wireless, que deve ter por ser recente, não sei e demonstro a minha ignorância. Vai decerto haver um banco para me sentar, lá no Largo. Ponho o portátil ao colo e abro o browser. Depois escrevo não sei o quê e o login é coimbradigital@ptwifi.pt, a password é hotspot, mas isto depois hei-de aprender. Mando o motorista às favas e fico ali, se tiver sorte e for uma das 22 que acede. E já está. Fácil, né? E os Magalhães senhores, e os Magalhães? Depois volto para casa, no carro com motorista.

Voltando aos telélés, só posso sorrir, se não dá mesmo vontade de chorar por sentir uma raiva desgraçada a brotar-me do peito. É complicado sabem? Quando a noite vem e não pensamos sair de casa, está na hora de ouvir a voz da família que não está connosco. Como não temos a PT instalada na casa da Serra - só para férias? era só o que faltava, paga-se um balúrdio - então comunicamos como? Através da rede móvel. Claro. E pego no telélé que esteve a carregar mudo e quedo. Como sou uma pequena dada a raivas mas ocasionais e rápidas - só de pensar sorrio - tenho de sair para a rua. Imaginem-me no pátio lá de casa, ou a andar rua acima rua abaixo com o telélé na mão e braço no ar, dando uma volta lenta de 360 graus, umas vezes apontando o Penedo, outras a Pena, outras o Vale Torto, outras para a Póvoa e outras ainda a Estrada de Santiago ou Via Láctea. Parece que estou a calcular a latitude e a longitude do lugar ou a tentar contactar a mãe do E.T., mas não. Só ando à procura da rede da TMN para ligar cá para dentro do Planeta Terra. Ah e caminho sem poder olhar o que piso que pode acontecer ser um sapinho-príncipe, uma aranha, um grilo, uma(s) caganita(s) de cabra, eu sei lá mais o quê. E as melgas e outros sanguinários insectos noctívagos? É cada baba. E depois, se aparecem um ou dois risquinhos azuis já dá para ligar, aqui tem, grito, que bom, mas logo que baixo o braço, lá se vão. E se não se vão toda a gente do Lugar ouve o que dizemos, porque o altifalante tem de estar ligado "Olá, tudo bem?" ... um atraso de vida, como diz a minha santinha. Só assistindo às cenas.

Chateia-me ter concluído só em Góis conseguir ligar-me à NET, quando estou no cimo da Serra. E a caminho, enquanto a descemos ir fazendo telefonemas mas com algum receio de na curva seguinte, a chamada cair e eu ficar a falar para o boneco. Já aconteceu.

Mas está tudo bem. Temos Sol em Outubro, temos água nas torneiras, não temos guerras nem outras coisitas más.

Meus senhores das redes móveis TMN, Vodafone e Optimus, dá para espalhar mais antenas pelas franjas da Serra da Lousã?

Momentos (XII)

Góis. Pormenores de casas, felizmente recuperadas
Quando em Góis, virados para Sul, levantamos a cabeça e os olhos do empedrado das ruas, o que vimos? Um rochedo, ou antes, o cimo de um maciço rochoso, a espreitar por detrás da Serra da Lousã. Na pitorrinha, o marco geodésico informa: 1048m de Adicionar imagemaltitude. O Penedo de Góis, ou Penedo do meio dia, como os antigos lhe chamavam, é um ponto que se vê ao longe e se identifica. É sinal de estarmos perto de casa, a casa da nossa infância de meninos em férias. Da casa que entretanto se ergueu, por gosto, por amor ao local. O Penedo que todos os anos se escalava em grupo, sem cordas nem arnês, magnésio ou capacete. Só a alegria de ser um grupo, com ténis e uma garrafa de água. Alguns com máquinas de retratos. Outros com sandocas e fruta. A força nas pernas e a entreajuda para a subida e depois para a descida eram o necessário.
Chegados lá acima, o ar faltava-nos. Pelo esforço despendido subindo as últimas fragas, por termos conseguido lá chegar e pela vista sobre o horizonte que se estendia à nossa volta.

Penedo, será que existe alguém insensível, tão ignorante, tão inconsciente, que consinta espetar-te aerogeneradores como farpas em touros? Em nome de que futuro e de que evolução? Será? Só de pensar que essa hipótese está a ser discutida, sinto um nó no peito. Há pontos neste Planeta que deveriam ser intocáveis e então na nossa memória, preservados para todo o sempre.

Já lá em cima

Ainda demos um salto a Góis, antes de ir para casa. Não demorámos muito. Não choveu por aqueles lados. Friiiuuu apenas. Mas não precisávamos de comprar nada e para passeio já tinha chegado a viagem. Vamos para casa, pedi. Devagar pela estrada acima, o carro patinou à frente. Sentimos. É numa curva antes das Ladeiras. Não bate lá o Sol.
Chegamos a casa. Silêncios. Só Barnabé-o-cão ladrava ao longe. Tinhamos levado uma prenda para ele. A carcaça inteira da perúa. Olaré! Ele merecia coitado, preso que está no palácio das galinhas e das cabras da Prima Laura.
Já debaixo de telha, abri as portadas a ver se sentia alguma diferença entre o interior da casinha e o exterior. Qual quê! Frio mais frio. Olhei para o Penedo. Tiritava e batia com os pés calçados com botas no chão. Bi ladrava de contente. Era preciso acender o fogão e arrumar a tralha. Aliás, nada melhor para aquecer do que o movimento. E um cházinho.

Copo do lado esquerdo


Não dá para deixar passar em branco. Mais uma vez, a água que sai das torneiras tem cor. Pagamos à Câmara Municipal de Góis, a factura da água de consumo doméstico. Todos os meses, quer estejamos lá quer não haja consumo de água, paguei, por exemplo em leitura efectuada em Maio de 2008 o seguinte: 50 centimos por 000001 de Consumo facturado, Aluguer do contador €1.40, 10 centimos de IVA, €1.60 de Resíduos Sólidos. Total: €3.60. Está paga.
Quando lá estamos em férias, só utilizamos esta água para tomar banhos, para descargas no autoclismo, para regar uma dúzia de plantas e para limpesas gerais. Sou pelo princípio do utilizador-pagador. Mas sai muito cara! É que as facturas multiplicam-se para o mesmo fim. Ora vejamos.

A água que nos mata a sede, pagamos nas lojas em Góis;

Para a panela, chegam-me a casa garrafões dela, oferecidos por uma boa alma que os vai encher aos chafarizes (de carro, claro) da Ribeira.

E a roupa que é branca???!!! Não tenho saúde para ir à barroca lavá-la, como faziam os antigos e minha Avó Olinda. E a barroca também está inacessível com as silvas e os fetos e o mato a cercá-la. Não deu nem para refrescar os pés este ano, naquela água límpida e gelada. Se tivesse robustez, por graça iria até lá lavar umas peçazitas de roupa e recordaria os velhos tempos de não haver água canalizada em casa nem chafarizes (sou mesmo antiga bolas!). E que é das nascentes lá perto? As fossas *comeram-nas*!
Havemos de começar a pagar os consertos da máquinas (novas) de lavar roupa e do café e do esquentador inteligente não tarda muito. É que a decantação das águas é feita neles, por falta de uso. Será que apresento essas despesas ao Município?
Será que a origem desta água que nos corre pelas torneiras está bem controlada? Que interessa observarmos funcionários da Câmara a encher tubinhos e a identificá-los? É ferro e lamas, penso eu de que. Estas substâncias não se poderiam decantar no depósito que a nascente vai enchendo, em vez de decantar nas nossas casas? O problema não está nos canos nem nas torneiras, está nos depósitos!!!
Pagamos, pagamos e ...?
Eu sou uma ignorante-pagante. Fica a pergunta.