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Tenho andado pouco criativa. Falta-me Sol.

Das várias efemérides do 19º dia do mês de Janeiro, faz hoje anos que, deixo 3 exemplos.

De 1923, o dia do nascimento do poeta português Eugénio de Andrade, que lembro nestes versos:

*Passamos pelas coisas sem as ver, /gastos, como animais envelhecidos: / se alguém chama por nós não respondemos, / se alguém nos pede amor não estremecemos, / como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.*

De 1966, o dia em que Indira Gandhi foi escolhida, pela primeira vez, para Primeira-Ministro da Índia. Dela é a frase "Não se pode trocar um aperto de mão com o punho fechado".

De 2006 o dia da morte de Wilson Pickett, aos 64 anos, cantor norte-americano de música soul, e criador de "In the midnight hour". Pela genica e pelo ritmo, fica o filme.

As mãos de cada um

Mãos calejadas. Mãos de trabalhar a terra. Mãos de Antero. Lembrei-me de um poema de Eugénio de Andrade, intitulado «Desde a Aurora».

Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória
procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

vai entrar o
vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago
a bago: vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro.

In «Obscuro Domínio».