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A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.*

Se estivesse por cá, faria hoje 85 anos.
Não está, mas está.
Fecho os olhos.
Imagino o abraço.
Sinto o seu cheiro.
Impossível esquecer o senhor meu Pai.

*O Bruxo

Solnado

Estavamos a almoçar. Notícia triste na televisão. No final, mais um que se foi. Adeus Sr. Raul Solnado.
Com o seu humor único, poderemos muito bem "fazer o favor de ser felizes".
Até sempre.

Abril é o mês mais cruel

O Poeta T. S. Eliot escreveu que «Abril é o mês mais cruel (April is the cruellest month)». Faço uma alusão a esta frase, por motivos algo diferentes e pessoais.
Esta mensagem é em memória de duas Amigas idas: Madalena e sua Mãe Belmirinha.
Belmirinha fez a sua última sesta pois não acordou mais. Foi ontem à tarde.
No mês que hoje começa, vai descer à terra. Em Vila Chã, Barreiro. Madalena aguarda-a há 10 anos. No mesmo mês - Abril. Que coincidências que a vida nos apresenta!
Minha querida Irene, mais uma despedida. Não estou aí, mas estou decerto convosco. Lembrei-me deste poema que te dedico, a ti.
«A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca esperada
Ela que é na vida
a grande esperada! .../»
Vinícius de Morais

Sente-te abraçada.

Constacto

Tenho saudades de ver um club de futebol ganhar - sem batota.
Não entendo estes homens do apito!
Não entendo este ganhar.

Adeus Ti'Júlia, até sempre

Júlia, em Setembro quente de 2005: *Vem, senta-te aqui. Vou contar-te estórias de vidas que por aqui passaram…

Partiu hoje a minha prima Ti'Júlia, de manhã cedo. Com Laura-a-pastora, são protagonistas de algumas das minhas estórias. Laura, sem pais nem filhos sente-se orfã. Desde que nasceu viveu com a mãe, todos os dias. Júlia, quase com 93 anos, teve uma vida que chegou a bisnetos.
O fundo do Lugar da Cerdeira de Góis ficou mais pobre, porque se foi uma contadora de estórias-reais, uma pessoa que apesar de *feitiosinho das Antónias* sabia cativar quem a visitava. E que por isso mesmo eu a visitava assiduamente, enquanto por lá, em férias.
Foi testemunho da estória viva das gentes deste povoado. Bastava perguntar-lhe por sicrano ou beltrano do antigamente e ela sabia de tudo. Sim, do antigamente, porque nos últimos anos ela apenas repetia o que lhe contavam. Fazia questão de afirmar: oh! filhinha, eu não estava lá para ver ...
E já agora Ti Júlia, se me estiver a ouvir, pergunto-lhe: já encontrou o guarda republicano???
Até sempre Ti'Júlia. Um último xi-coração de saudade.

Paul Newman

*Óoooh!, que pena!* saiu-me quando ouvi a notícia. Com 83 anos, uma carreira cinematográfica invejável e longa, desapareceu do mundo dos vivos este belo exemplo de um ser humano. Lindo por fora. Lindo por dentro.
Um dos meus *velhinhos preferidos* no cinema. Os mais belos olhos azuis que vi nas telas de cinema.
Um americano que se mostrou muito seguro das suas convicções e de esquerda. Difícil a tarefa para outros, mas para este não.
Vou trazer-te para casa Paul Newman, dentro de uma caixinha de DVD. Ainda não pensei muito nisto. Ainda me custa admitir, apesar da idade e da doença. *Gata em telhado de zinco quente* ... talvez. Se estiver à venda.

P.S. - a foto foi buscada na internet.