Foi há dias
Happy Birthday Bob Dylan.
Para os meus leitores, uma prenda
Ontem de manhã, como de costume, acendi a telefonia quando me levantei. Som na Antena 1, onde o ponteiro está parado há anos. Hotel Babilónia, era o programa, de Pedro Rolo Duarte e João Gobern, aos sábados de manhã. Do que falam, interessa-me. As músicas que apresentam, um tempo ganho a ouvi-las. A belíssima Rádio pública em funcionamento.
João Gobern trouxe «avec le temps» de Ferré, de 1970 (fui informar-me), mas interpretado por uma voz feminina, que não conheço nem recordo o nome que ele falou. Ao piano, um interprete também excelente. Só sei que mexeu comigo ouvir esta canção, de novo. Que emoção! Fica a letra para melhor seguirem a interpretação. Hoje em dia, já poucos de nós falam francês. E os que como eu aprenderam e já não praticam, esqueceram um pouco. Espero que gostem.
«Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
Même les plus chouettes souvenirs, ça, t'as une de ces gueules
A la gallerie j'farfouille dans les rayons d'la mort
Le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
Avec le temps, va, tout va bien
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues, alors vraiment
Avec le temps on n'aime plus»
Dedico a todas as mulheres que me visitam
Um poema à Mulher contemporânea. Dos mais bonitos que conheço. Cantado por uma voz muito bonita. Para ouvirem, vale a pena.
She can kill with a smile
She can wound with her eyes
She can ruin your faith with her casual lies
And she only reveals what she wants you to see
She hides like a child,
But she's always a woman to me
She can lead you to love
She can take you or leave you
She can ask for the truth
But she'll never believe you
And she'll take what you give her, as long as it's free
Yeah, she steals like a thief
But she's always a woman to me
Oh! she takes care of herself
She can wait if she wants
She's ahead of her time
Oh! and she never gives out
And she never gives in
She just changes her mind
And she'll promise you more
Than the Garden of Eden
Then she'll carelessly cut you
And laugh while you're bleedin'
But she'll bring out the best
And the worst you can be
Blame it all on yourself
Cause she's always a woman to me
Oh! she takes care of herself
She can wait if she wants
She's ahead of her time
Oh! And she never gives out
And she never gives in
She just changes her mind
She is frequently kind
And she's suddenly cruel
She can do as she pleases
She's nobody's fool
And she can't be convicted
She's earned her degree
And the most she will do
Is throw shadows at you
But she's always a woman to me
Porque amanhã é Sábado
.../Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now /...
Bom fim de semana.
A original continua a ser única, sempre será.
A qualidade é a que é. De Otis Redding, a minha preferida - These Arms Of Mine - cantada por Paulo Gonzo, do seu novo trabalho.
Que calor!
Pronto. Já estávamos lá dentro. E estava-se bem. A barriga a dar horas e nós a caminharmos direitos aos restaurantes. Olhámos para a direita, para a esquerda e seguimos em frente. Uhm! um dia não são dias e o «cástrol» vai ficar contente. A Portvgália, (com o v), sentados cá fora, a comer de tabuleiro. O meu, um prego no prato com mostarda no bife tenrinho, umas batatinhas fritas a sério e sequinhas de óleo e aquela divisória triangular e mínima com o molhinho da Portvgália. Uma imperial preta para refrescar, um café e aiai! é tão simples sentirmos felicidade.
A seguir, toca a caminhar para ajudar a digestão. Duas compras que andava para fazer. Não é tarde nem é cedo. Dentro da mesma loja, com o preço abaixo do comercial, um filme e música.
Ensaio sobre a cegueira. «Ele» só não está. Agora que se foi, veio a curiosidade de ver o filme, em casa. Para assistir no pequeno ecran, numa próxima tarde de calor.
Tenho um vasinho de rosas à janela
Que ela trouxe consigo
Quando as vejo tão formosas,
Lembro-me dela
lembro-me dela ao postigo
Lembro-me dela ao postigo,
tão mimosa
E agora põe-se à janela
Os cabelos cor de trigo, não há rosa...
Não há rosa como ela
Não há rosa como ela na cidade
Nem nos campos donde vim
Agora põe-se à janela com vaidade
À noite à espera de mim
Lembro-me dela ao postigo
E agora põe-se à janela
É só isto que vos digo:
Não há rosa como ela
Música popular portuguesa mais o cante alentejano e saiu isto. Parabéns a Baile Popular. Boa sorte!
Numa festa que se preze não pode faltar
... Apita o combóio. E Rodrigo quase, quase a dormir. Pestanejava coitado, ao colo da avó Palmira. Era costume, quando se ouvia esta música, aproveitar o tema e fazer um «combóio», atrás uns dos outros. Desta vez, nem tentaram... Estaremos quase todos a ficar cansados?
Fiz férias cá dentro pois então!
Tal como eu, essa manhã e a música eram frescas, alegres, vivas. Música portuguesa da melhor. Miranda é o nome da voz. Ignorância minha. Já tem mais de 1 ano a sua publicação em disco. Ora ouçam. Que eu já conto mais coisas.
A minha primeira dança foi o Twist.
A comemoração foi introduzida em 1982 e comemora o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), o criador do ballet moderno.
«.../Noverre era conhecido por alguns como Sheakespeare da dança. Embora tivesse criado cerca de 150 ballets em Paris, Viena e Stuttgart, sua influência foi mais como reformador. O objetivo de Noverre era libertar o corpo expressivo do bailarino de posições estereotipadas, libertar o corpo de máscaras pesadas e arquivar as armaduras incômodas de danças de batalhas e outras vestimentas que escondiam o corpo. Nos tempos do rococó que ocultava belas formas com enfeites extravagantes, o livro Lettres sur la Danse at sur les Ballets (1760-1807) de Noverre, abriu uma era nova. Suas teorias de Ballet d'action e de movimento expressivo se difundiram pela Europa até São Petesburgo e ainda servem ao Ballet Moderno. .../
.../Noverre, que Voltaire considerava 'um Prometeu', era originário da província, portanto, não era um parisiense legítimo, mas falava numa voz que atingia os bailarinos de toda a Europa: "Filhos de Terpsícore, renunciem as cabriolas, os entrechats e passos excessivamente complicados, abandonem caretas e estudem sentimentos; abandonem graça e expressões sem arte; aprendam a dar nobreza aos gestos, não esqueçam que isso é o sangue da dança; ponham critérios e significados em seus Pas de Deux; deixem que a força de vontade indique o caminho e que o bom gosto esteja presente em todas as situações; fora com essas máscaras sem vida, que são cópias pobres da natureza.
Quando Noverre se refugiou em Londres por causa da Revolução Francesa, ele também voltou às convenções caducas do Ballet Profissional, contradizendo suas mensagens contra regras engessadas. Agora ele decretava que os pés dos dançarinos não deviam se afastar mais de quarenta centímetros, que nunca devia haver mais de trinta e dois dançarinos em um palco, e que nenhuma música já composta devia ser usada por um coreógrafo. Mas as idéias anteriores de Noverre, não podiam simplesmente voltar para a garrafa. Ele já tinha soltado a dança e possibilitado o Ballet Romântico baseado em leveza e graça. Foi esse o Ballet que dominou os palcos das capitais européias no século XIX."
Há cerca de 300 anos foi ouvida pela primeira vez. Ainda o é nos dias de hoje. Isto é música.
Uma vez mais, a propósito do frio e da chuva da qual penso basta, e de um aniversário, juntei o útil ao agradável. Útil, uma pequena informação, que quase aposto poucos de nós sabíamos. Agradável este som.
Hoje é o aniversário de um homem, nascido em Veneza, Itália, em 04/Março/1678. Não vou ser exaustiva e se quiser, procure mais informação. Antonio Lucio Vivaldi foi ordenado padre (sabia?) em 1703 e ficou impedido de celebrar a missa devido a uma doença crónica, provavelmente asma.
Entre outras, deixou-nos esta peça maravilhosa, alegre, que nos leva à estação do ano terrestre mais profícua - a Primavera.
Esta peça é o Concerto No. 1 em E major, Op. 8, RV 269, "La primavera", mov. 1 Allegro, do compositor Antonio Vivaldi. A Violinista é Anne-Sophie Mutter, o Maestro Hebert von Karajan e a Orquestra é a Filarmónica de Berlim.
Filmado com o Telélé. Em casa.
Guerra e Paz
Guerreiros são só pontos no horizonte a monte a monte/ anda o guerreiro sem parar/ a paz foi tudo o que ele foi buscar/ guerra e paz a par e passo irmãs são/ guerra e paz a par e passo são
sou guerreiro por quimera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
Dai-me carne e dai-me vinho/ dai-me uma mesa de pinho/ estendei toalha de linho/ onde estenderei meus dedos/ lede neles os enredos/ das conquistas, dos degredos/ assim eu contar pudera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
De cada vez que me conto sei/ que me acrescento um ponto/ um cavalo novo monto/ e uma donzela arrebato/ despedido do recato/ vou de calma ao desacato/ vou do pardal à pantera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
Vou da calma ao desacato/ de masmorras me resgato/ colorido é o meu retrato/ preto e branco meu caixinho/ o que fazes tu, meu filho/ outras guitarras dedilho/ sou trovador por quimera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
Retomado à vida o gosto/ meu cavalo recomposto/ no cabelo um fogo posto/ novos fogos atravesso/ desta forma me despeço/ do fracasso e do sucesso/ ladrões de quem os venera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
Desta forma me despeço/ a viagem recomeço/ e se a casa não regresso/ é que outras casas me abrigam/ outros braços lá me amigam/ minhas brigas desfatigam/ como a luz na Primavera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz.
Composição: Sérgio Godinho
Filmado com o Telélé. Em casa.
Eu vi este povo a lutar (Confederação)
Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão
Sobre as águas calmas
Um vulcão de fogo
Toda a terra treme
Nas vozes deste povo
Mesmo no silêncio
Sabemos cantar
Povo por extenso
É unidade popular
Somos sete rios
Rios de certeza
Vamos lá cantando
No fragor da correnteza
Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão
A fruta está podre
Já não se remenda
Só bem cozidinha
No lume da contenda
Nós queremos trabalho
E casa decente
E carne do talho
E pão para toda a gente
Ai, meus ricos filhos
Tantos nove meses
Saem do meu ventre
Para a pança dos burgueses
Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão
Alça meu menino
Vê se te arrebitas
Que este peixe podre
Só é bom para os parasitas
Só a nosso mando
É que há liberdade
Vamos lá lutando
P’ra mudar a sociedade
Bandeira vermelha
Bem alevantada
Ai minha senhora
Que linda desfilada
Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão
Letra e música: José Mário Branco
Filmado com o Telélé. Em casa.
Foi por ela
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais saír minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo por coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo o rio
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
Composição: Fausto
Filmado com o telélé. Em casa.
A Ponta do Cabo, de Fausto. Por onde andará informação deste nosso Poeta, autor magnífico dos nossos cenários históricos, postos a cantar, do tempo das descobertas, da nossa história trágico-marítima?
Não consegui a letra desta magnífica apresentação, hino, sei lá o que lhe chamar. E não conheço os versos. Só sei que arrepia ouvir só de imaginar o Cabo, lá em baixo, com águas geladas e Adamastor. Penso eu de que. Magnífico.
Beirut - Elephant Gun
Domingo passado. Almoço para conhecer a família de Graça, a minha amiguinha de juventude. Franciscos, pai e filho e uma Maria Helena. Graça, tens uma família linda. Para não esquecer o dia.
Bobby Charles versus os desconhecidos haitianos
Há três dias que me entram casa adentro imagens e notícias de mortes e desaparecidos, dado o drama que o povo Haitiano está a viver. Ilustres desconhecidos todos eles, povo, governantes, outros poderes institucionais. Não há nenhum haitiano que dê a cara pelo seu País, que o represente e fale ao mundo das necessidades que o assolam. Sem governo nem poder, estão a ser invadidos por homens de boa vontade, que aderem a causas humanitárias e que rapidamente se fazem presentes em locais sofredores. Levam o estrictamente necessário e representam o mundo civilizado. O receio de novas réplicas está presente. As imagens mostram um Povo, que se desloca sem parança. Não me é indiferente olhá-los, aos «vivos e a mexer» e questionar-me: Para onde irão aquelas pessoas, de onde vêm, porque passam cegos pelos seus semelhantes mortos, espalhados pelas ruas, pelas estradas, sem mesmo um pano a tapá-los e nada fazem. É um povo adormecido, com medo. Habituado à convivência com o terror das armas e com a miséria de tal modo vai passando e nada faz. Quando a noite cai, juntam-se sentados e esperam. Esperam ajuda. Outras vozes se fazem ouvir, como dadoras de imensas quantias de dólares e euros. Quem controla?
Hoje também foi notícia que Bobby Charles morreu hoje. Quem é este? Um Americano que chegou aos 71 anos de idade e que na sua juventude foi autor da letra «See You Later Alligator», interpretada pelos Bill Haley and his Comets. Esta chegou à 6ª posição nos charts americanos no ano de 1956. Cá também tocou nas rádio-telefonias portuguesas. Eu conheço-a e fui à procura dela no YouTube. Não conheço que mais este senhor terá feito.
A diferença entre este senhor e os outros milhares de ilustres desconhecidos haitianos, é que estes são anónimos mas Bobby, não. Por isso posso deixar aqui a despedida: see you latter Bobby Charles!


