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"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".*



«Diz alguém que a despedida / Nada custa ao coração /Quem tal diz que se despeça / E verá se custa ou não.»**

Custa, está a custar. 
Um peixinho que nos fitava, que nos fitava e prestava atenção aos nossos movimentos, que reagia a eles ... não era um vulgar peixinho de aquário, foi mais. Foi um animal de companhia. 
Chegas-te a ir de férias para a Serra, connosco. Nunca tinham visto uma coisinha tão linda.
Man, foi «alguém» que hoje deixou um espaço vazio. 
Vou ter muitas saudades tuas.


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* Antoine de Saint-Exupéry - «Le petit prince»
** Joaquina Tavares Varandas - «Versos feitos ao serão»

Bianca, a sortuda


É sortuda porque é minha. Nunca a abandonaria. Hoje, estava carente. Pediu-me colo, pondo as patas nas minhas pernas. Eu estava sentada, com o laptop à frente, a construir a «minha» cidade da alegria, no jogo cityville, no facebook. É uma maneira como qualquer outra de deixar passar o tempo. 
Olhei-a. Não dava muito jeito pegar-lhe.Quando ela me olha com um olhar tão doce e as orelhas para trás, fala-me ao coração. Eu não lhe resisto. 
Coloquei no colo, ela ajeitou-se para receber festas. Mandei-a deitar e ela virou-se, cheirou-me e deu-me umas rápidas lambidelas. Depois deixou-se descair e encaixou-se. Faz-se pequena, mais pequena do que já é, arredonda-se e ali ficou no meu colo. Passaram uns minutos. Quase adormeceu. Não me dá muito jeito continuar a tê-la naquela posição porque o meu braço começou a ficar dormente. Cliquei-a umas vezes com o telélé.
Enquanto durou esta troca, foi bom. É muito bom ter companhia, a companhia de uma quatro patas, quando se está sozinha. É a minha amiga, o meu alerta, a minha sombra. Só até Marido chegar. A partir do momento em que o pressente, vira paixão e a atenção é toda para ele. Mas eu não sou ciumenta.

Noite tranquila



Há terras, sítios, lugares, no nosso Portugal, onde a noite é mesmo escura, onde os animais saem dos esconderijos e convivem connosco, noctívagos também, onde o silêncio tem sons.
Passou-se há uns dias, numa encosta de um dos montes da Serra da Lousã. Noite escura, já jantados, vivíamos os últimos momentos de umas curtas férias de apenas 5 dias. Desfrutávamos um pouco de um bem-vindo fresco que já não se aguentavam os 30 graus de temperatura diurna. Olhávamos a Estrada de Santiago e viajávamos. A olho nu. E marido «olha Marte. Olha a Estrela do Norte. Olha as Ursas». Se o senhor meu Pai ali estivesse, referiria mais algumas, ele que foi marinheiro e viajou num lindo Navio Veleiro de nome Sagres. Cada luz fixa, um sol. Cada luz treme-luzente, um planeta. Biliões e biliões, como referiu Carl Sagan.
E estávamos bem. 
Nisto, um som musical desviou-nos a atenção. Concertina a esta hora só pode ser o Carlos. Desviámos o olhar mas não o conseguíamos ver, só ouvir. Afinal, ele mora em frente, lá à frente, a uns metros de distância. Descemos à Terra. Ouvimos e acompanhei algumas cantigas (que eu também as conheço). Era a última noite. Vamos até lá? Fomos. Não sem antes cobrir-mos os braços com uma camisola, porque realmente tinha arrefecido bastante e mais, porque os que à noite se alimentam picando-nos, andam à solta e picam que se fartam.
Escura a noite, pela calçada fora, sem lanterna e com luar, uma centena de passos estávamos lá. Boa noite! dissemos. «Olha quem está a ouvir-me tocar», disse Carlos. «Entra e olha para o degrau», disse sem parar de tocar. Entrei e olhei o degrau. Um sapinho, tentando disfarçar a sua presença de encontro ao muro, na sombra da luz do candeeiro de rua. Não levava a máquina dos cliques, mas o telélé anda sempre comigo não vá ter a sorte de apanhar um risquinho na antena durante a deslocação e receber uma mensagem ou mesmo uma chamada telefónica. Com o telélé cliquei-o. Tive de o trazer comigo, como recordação, porque ainda há quem refira que os mata porque cospem para os nossos olhos...
Enquanto ouvíamos o reportório de Carlos, o sapinho sentiu-se incomodado e foi à vida dele. Segui-o com alguns cliques, poucos por causa do flash. Uma ternurinha que não virou príncipe, continuou na sua condição de sapo porque não o beijei, mas desejei-lhe Sorte.
Entretanto lá captei um som, sem imagem por falta de luz artificial embora a luz da Lua nos acompanhasse no seu quarto crescente, quase a esconder-se por detrás do Penedo. 
Parece que é assim: «Eu quero ir à minha terra / quero ouvir o cuco a cantar / quero ver as estrelas no céu / eu quero ver altinho o luar».
O sapinho, vai a seguir.
Boa noite!



Poucas pessoas me encantam

Me encanta a vida, me encanta a natureza. Me encanta o sistema solar principalmente o céu azul e a lua. Me encantam os animais, principalmente o cão. Me encantam as flores, de preferência a papoula. Me encantam todos os pequenos seres discretos.

Pardal do telhado com ninho na caleira

Bianca

Insecto anónimo

Rex da Lena

Cabrito preto

«Tens de vir ver o cabritinho que nasceu. É todo pretinho.» Peguei na máquina, despedi-me com o olhar da cadeira onde me encontrava sentada com um até já e fui. A tarde estava quente. O céu mostrava-se azul, salpicado de vez em quando por uma negra nuvem, que largava a carga de água e seguia o seu rumo ao sabor do vento.
Valeu a pena olhar e clicar. Tem cerca de uma semana este bichinho. Sorte a dele ter nascido perto da Páscoa. Se fosse mais velho duas semanas, já tinha ido. Que mania horrorosa essa de sacrificar estes pequenos para degustação pascal.



A mãe cabra e um primo pequeno aproximaram-se desconfiados, tal como outros mamíferos quadrúpedes quando um humano deixa o seu odor de colo no pelo da cria.

Manteve-se o bom tempo. Ela esperou-me. A esta hora, a sinfonia da tarde ainda não tinha começado. Os meus ouvidos citadinos parecem ensurdecer perante o silêncio, que é de ouro, prata e pedras preciosas.

Parabéns para Bianca

Nasceu faz hoje 7 anos.
Connosco há 6 anos e 9 meses.
É a nossa filhota de 4 patas.
Saúde e Sorte para nós.
São os nossos pedidos neste dia.


Surpresa muito agradável


Encontravamo-nos na loja de animais em Benfica, a Fish Planet, a adquirir umas coisinhas para a nossa «criação». Desta vez era para o canário. Um pouco de conversa que os pequenos da loja são profissionais simpatiquíssimos e surpresa! Tal não foi o nosso espanto um verdinho de asas abertas, muito simpático, voou do ombro do dono (na primeira foto situado à esquerda) para o ombro de Marido. Tirei o telélé da mala e perguntei se podia clicá-lo. Claro que sim! A seguir, no meio daquela alegria toda que eu sentia, parecia uma miúda, perguntei se podia estender-lhe o dedo, não fosse ele morder, mas nem esperei pela resposta. Ele agarrou-o com o bico como uma pinça cuidadosa e as suas patinhas frias pularam do ombro do Marido para a minha mão, começando logo a trepar pelo meu braço. Passei o telélé e Marido que clicou esta lindeza no meu ombro. Repetia «abaixo acima» enquanto percorria o meu pescoço. E pena minha, voou para outro ombro. Dava beijinhos à dona e a seguir «abaixo acima». Que empolgação. Tinha uma cor de penas linda, um verde abacate, aveludado... O meu primeiro contacto com um asinhas da família dos papagaios. Como se chamava? Abaixo Acima, claro.

Boa sorte para ti, Abaixo Acima. E toma tento nos teus voos, não abuses da tua sorte de seres lindo e seres simpático.

Bi! Fica.

... Bi, fica aí no tapete!

aí ... é bonita a minha Bi ...


... não! práli não!

... faz doidói.

Só lhe falta o falar, dizem. Há empatia entre nós. Ela ficou no tapete. Ela entendeu.
É fácil os animais serem ensinados. Temos de nos disponibilizar.
É fácil o convívio com eles.
Somos responsáveis por aquilo que cativamos.

Devemos aprender «empatia». E ser corajoso para assistir.

TERRÁQUEOS (Earthlings). É um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico), mas também ilustra nosso completo desrespeito para com os assim chamados "provedores não-humanos".

Este filme é narrado por Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e possui trilha sonora composta pelo instrumentista, dj e compositor Moby. Com um profundo estudo dentro das pet-shops, criatórios de filhotes e abrigos de animais, bem como em fazendas industriais, no comércio de couro e peles, indústria de esporte e entretenimento, e finalmente na carreira médica e científica, TERRÁQUEOS usa câmeras escondidas e filmagens inéditas para narrar as práticas diárias de algumas das maiores indústrias do mundo, as quais dependem de animais para lucrar.

Impactante, informativo e provocando reflexões, TERRÁQUEOS é de longe o mais completo documentário jamais produzido sobre a conexão entre natureza, animais, e interesses económicos. Há vários filmes importantes sobre os direitos dos animais, mas este supera os demais.

TERRÁQUEOS tem que ser assistido. Altamente recomendado.
Buscado em http://www.terraqueos.org/

No seu comportamento em relação às criaturas todos os homens são nazis. A pretensão do homem em poder acabar com outras espécies conforme sua vontade, exemplifica as teorias do mais extremo racismo com o principio em que o poder tem sempre razão.

Dia Mundial do Animal III



Este é o Fofo. Apareceu no fundo do Lugar e a minha prima Laura-a-pastora adoptou-o. Talvez há 3 anos. É um misto de cão de água com outra raça qualquer. Foi abandonado na estrada e foi descendo o Lugar. Foi sendo enxotado, até parar à porta de quem ele presentiu ser humano. Foi ficando. Arisco. Na defensiva.

Tem um olhar muito meigo de cor castanha. Gosta de ir com as cabras e dá pouca confiança a quem não conhece ou considere amigo. Coitado. Não há erva que não fique presa ao seu pelo. Não leva muitas festas por causa do aspecto que tem. Mas os donos têm lá tempo para cuidar do banho do Fofo! «Olhem lá, quando é que damos banho ao cão?» pergunta Marido, com frequência, durante as férias de Verão. Logo, amanhã, um dia destes.
É que, pelo menos uma vez por ano, tem a sorte de levar uma boa esfrega, quer precise quer não :). Banho a sério, com champô anti-tudo e molhado, claro, com água corrente da mangueira. Geralmente escolhemos um dia quente para Marido o lavar. Os donos, esses não têm jeiteira para isto. Mas basta um deles segurá-lo pela trela posta. O resto é com Marido. Como o bichinho gosta de se sentir limpo. Pelo menos de parasitas.

Nem 15 minutos foram necessários. Não perdemos tempo, ganhámos, só pelo modo como ele nos olhava nos dias seguintes. É um fofo, este Fofo. E levou algumas festas, sempre que se aproximava de nós.

Há que ajudar a cuidar.

Dia Mundial do Animal II

Outra estória do mundo animal.
Logo de manhã. Uma negrinha dentro da bacia da casa de banho. Mas por onde entras-te tu? Arrepiadíssima, pensei como tirá-la dali, com vida, claro. A solução foi ir buscar um copo de plástico roxo opaco que tenho há muitos anos. Esperei que ela se aquietasse. Devagar, deitei-o de lado. A bichinha entrou logo lá para dentro e ficou no fundo escuro, muito quieta coitada. São mesmo inteligentes. Foi só abrir a janela e mandá-la para a rua. Desta já me tinha safo.
Na janela que abri para olhar o meu Penedo, outra surpresa. «Dá-me licença que entre? Está cá um calor!» parecia dizer-me. Arrepiei-me de novo. Outra? Estou bem tramada. E tu que andas muito mais depressa ... vai-te embora! Não me ligou nenhuma, queria era entrar. Esperou a noite toda, ao relento :).

E lá vinha ela, toda lampeira, fitas afora. Não a deixei entrar, que eu conheço-lhe o truque. Deixam-se cair para o chão e depois quem as agarra? Fechei-lhe a porta. Não tinha outra solução. Daí a pouco, espreitei e já lá não estava. Decerto encontrou outro lugar. Suspirei de alívio.

Não mato. Se o puder evitar. Todos somos criaturas a tentar sobreviver neste planeta lindo, mas hostil. Não me interessa que se riam. É assim que sou.

Dia Mundial do Animal

Rex: Estás por aí minha linda?

Bianca: Mas o que é que tu queres?


Se cada humano tomasse conta do seu animal, todos os outros teriam mais chances de sobreviver neste «mundo cão».

Precisamos de voluntários - 7 Agosto no Intermarché de São Domingos Rana (Torre D'Aguilha)

Amigos,

No próximo dia 7 de Agosto (Sábado) a APCA estará no Intermarché de São Domingos de Rana (Torre D'Aguilha), das 9h às 20h a fazer recolha de bens essenciais para os nossos canitos. Precisamos muito de ração e detergentes, que são usados diariamente no canil. Façam-nos uma visita e colaborem com a nossa campanha, nem que seja com um saquinho pequenino de ração. Toda a ajuda faz diferença.

Quem tiver disponibilidade para fazer um pouco de voluntariado e ajudar-nos no banco alimentar, entre em contacto connosco para info@apca.org.pt.

Os canitos agradecem!

Aqui fica a lista dos artigos que mais nos fazem falta:

- Ração para cães de todas as idades e tamanhos
- Detergente com cheiro para o chão
- Lixívia
- Sonasol verde
- Detergente de roupa
- Amaciador de roupa
- Sacos do lixo resistentes de 120 litros
- Vassouras rijas (têm mesmo de ser rijas)
- Pás de pega alta
- Toalhas de papel de cozinha
- Trelas
- Coleiras
- Camas de plástico
- Mantinhas
- Álcool
...*...

«A APCA (Associação de Protecção aos Cães Abandonados) é uma associação privada, sem fins lucrativos, que acolhe e protege cães abandonados e que foi fundada em 1958 por quatro amigas que gostavam muito de animais. Adquiriram um terreno em São Pedro de Sintra, onde ainda hoje se localiza o canil. Este terreno tem cerca de 1300 metros quadrados e abriga actualmente uma média de 180 cães. A associação foi constituída legalmente em 1992 e o terreno é pertença da mesma. Adquiriu o estatuto de Utilidade Pública em 1995.»
Querendo ajudar, de longe se faz perto.

As minhas meninas - Plantas e Bi

Língua de fora? Calor!
Coitadas, são resistentes. Têm tratadora. Água não lhes falta.
Até Setembro, aguentem-se.
Obrigada Aurora :)

C’est en faisant n’importe quoi



Qu’on devient n’importe qui :). É bem verdade. Os 3 filmes que postei, foram escolhidos de uma lista de meia dúzia, enviados pela minha colega-amiga Ana Filipa. Obrigada.

Nota: Aos 24 segundos é filmado um cão! Num transporte público! Por cá, só se alguém for invisual e tiver um cão guia. Nem nas Praias Fluviais de Portugal é permitida a presença dos nossos companheiros de quatro patas. Não conheço a maioria das Praias Fluviais, mas pelo menos na de Góis, com a água do Ceira a correr com toda a força, não é permitida a presença dos nossos amigos de quatro patas nem num banho, num dia de calor. Com leis destas, não fico admirada por haver tantos animais abandonados em época de férias.

Natural da Serra da Lousã



Que me encantou naquele lugar, em dois dias de ida e volta, em Maio mês das flores? Muitas pequenas coisas.
Naquela quietude, estava eu perdendo o olhar pelos Penedos, quando ouvi o som de patinhas saltitantes pelo algeroz afora, um piar e um canto e o voo desse pequeno ser, um pardalito irrequieto. Fez ninho na minha casa, obrigando-me a olhar para cima, enquanto tentava guardá-lo num clic para o trazer para casa. Em fundo nublado ou em fundo azul, lá estava ele.
O «brrrrrrrr» das asinhas a baterem, que senti nalguns instantes, em voo raso à minha pessoa, queda e muda, parecia desafiar-me. Vem comigo, vem voar! Imaginação não me falta. Mas voar, não vôo. Muda e queda continuei, para não o perturbar. Para ele não me perceber.
Foram três clics e apanhei-o na sua lida.
Que encanto de criaturinha.