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Fui passear com a senhora minha Mãe

Na 2ª feira, disse-me: Eu tenho de ir à Baixa, não queres sair um bocadinho? Íamos depois até à Graça no eléctrico 28. Já falei para a Gracinda e com a Esmeralda. Elas informaram-me que temos de o apanhar na Rua da Conceição...

Pois. A chuva passou, o céu ficou azul. O Sol a bater na hipófise, só me fará bem. Aceitei. Eu adoro passear com a Senhora minha Mãe pela minha Lisboa. É uma boa cicerone, que conhece Lisboa a-antiga. Os percursos pelos Bairros do Castelo e de Alfama, Mouraria, Madragoa e Bairro Alto ainda lhe estão frescos na memória. E mais as amigas e as primas que por lá viveram... Ainda estará alguém vivo? dizia-me apontando para certas ruas e vielas, de dentro do eléctrico. Sinto-me em casa, sentada no banco em pau. Embora não tenha vivido em nenhum destes bairros alfacinhas, são da minha Lisboa. Gosto ds cheiros, das cores, dos sons, das ruas estreitinhas. Coisas do ADN?

Eu, que pouco saio a pé, tenho de aproveitar os dias frescos de sol e ir com ela. Tenho o passe "7 Colinas", oferta da senhora minha Sogra, para eu sair de casa ... faz-lhes confusão a minha consentida clausura :).

E na 4ª feira, lá fui passear. Saí às 10 da manhã, com ponto de encontro em Sete Rios, onde apanharíamos o autocarro 58 para o Cais do Sodré. Assim que lá chegámos, sentimos o aroma insuportável do Rio Tejo, que devia estar na vazante. Mais a mais, as obras no Cais das Naus devem deixar alguns esgotos a céu aberto. Enfim, coisas da velha Lisboa, a ser alindada. O Tejo não pode esperar.

Atravessámos o Largo do Município em direcção à Rua da Conceição. À sombra estariam uns 10 graus Centígrados. Friuuh. E como sempre, na idéia levava a reportagem a clicar. Tenho algum receio de levar a máquina das fotos pendurada ao pescoço, tal como muitos turistas estrangeiros a clicar com idênticas à minha. Assim faço do telélé o captador de imagens. Adoro apontar e clicar o que vejo. Trazer para casa e recordar. Não têm a mesma qualidade, mas paciência.

Gostei tanto do passeio, que temos de repetir. Já lhe disse. E a senhora minha Mãe ficou de estudar outro percurso de outro amarelinho. E é aproveitar enquanto está sol.
Clic aqui se quiser visualizar a rota do Eléctrico 28. Em baixo um filminho de péssima qualidade, dentro do 28. É o que há.


Dentro do 28 e a subir à Graça

Rua da Conceição, a caminho da Graça. Já dentro do eléctrico reparei no senhor que cobrava um bilhete e o poria a funcionar: tinha o acento forrado com um pano de lã, ou de flanela, ou qualquer outro forro, para o aquecer nestes dias nada brandos em termos de temperaturas. Uma simpatia no atendimento. Muitas das pessoas que entravam, cumprimentavam-se tratavam-no pelo nome.

Espreitando pelos vidros algo empoeirados das janelas, fui clicando. Enquanto o balanço e o chiar dos elementos me embalavam. A Sé Catedral de Lisboa.

O Tejo e o casario antigo.

Um emaranhado de ruas estreitas, num malabarismo inacreditável, passando rente às portas e janelas do casario, com o condutor a tilintar a campainha a avisar algum motorista distraído que venha em sentido contrário ...

... e continuando a subir ...
Que igreja a espreitar?

Mais um esforço e vence a curva
ao lado, a descer vai passar um homónimo ...

Chega-se ao Largo da Graça. Mais um Eléctrico, mas de Turismo.

À volta, o 28 de novo, rumo à Baixa. Paragem - se eu esticasse o braço tocava nesta roupa branca, pendurada numa janela, numa rua estreita desta cidade-luz que me faz falta ...
A Igreja de santa Engrácia, a espreitar
mais o Tejo, vistos de um Miradouro (?)

Descemos perto da rua da Madalena para fazermos o percurso restante a pé. Esta é a igreja pombalina de Santo António da Sé, consagrada ao santo lisboeta que ali terá nascido nos finais do século XII, como assinala uma lápide na cripta do edifício. É no pequeno largo fronteiriço, decorado com a estátua do santo padroeiro da cidade, que se iniciam os cortejos populares de 13 de Junho, seguindo pelas ruas de Alfama.

Prédio azul em frente, na Rua da Madalena, que sobe, para a direita.

Mais outra Igreja (?)