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Farol de Lisboa

O Farol de Lisboa. Clic feito na Praia da Costa de Caparica.


Ir lá? Ao Bugio? Não me parece :). Fica o sonho.

De Oeiras Local, retirei a informação: «O FORTE E FAROL DO BUGIO (ou de São Lourenço da Cabeça Seca), edificado num manto rochoso a cerca de 1,29 milhas náuticas para SE do Porto de Abrigo de Oeiras que, nos seus tempos de glória, combinava tronante fogo artilheiro com o Forte de São Julião da Barra, para defender a Barra do Tejo e proteger o acesso ao porto de Lisboa de investidas inimigas, o que sucedeu diversas vezes.»

Cova do Vapor -

Cova do Vapor - de passagem, sem tempo para ficar e conviver. Prometo voltar.

Saímos da Caparica na tarde quente do último dia de Inverno. Azuis eram o mar, o rio e o céu. Em frente, estrada recta enfeitada por rotundas, indicava Trafaria. Há tempos que não íamos até ao sítio onde o Rio Tejo encontra o mar Atlântico.
No final da estrada a direito que acabava ali, ou seguíamos para a Trafaria ou cortámos à esquerda, para Cova do Vapor. Não conhecíamos. Fomos pela estrada de terra batida, mimosas acompanhavam-nos à direita. No fim da estrada, casinhas. Encantei-me e cliquei, mas foi a água que me captou a atenção. Ficam as imagens.
Quanto ao «bairro» em si, busquei informação na Net e encontrei um escrito que copiei e deixo.

"Cuidada e delicada, feita de afectos que não marcam os bairros degradados das periferias, a Cova do Vapor está longe de ser um bairro de lata ou uma aldeia igual às outras. É uma povoação singular, é um lugar onde tudo é diferente, sem escola, centro de saúde ou vestígio de serviço público, um lugar contraditório, uma relíquia de excepção. São construções mais ou menos precárias, encavalitadas umas nas outras, expoentes de engenho e desenrascanço, às vezes sem se perceber onde é que começam umas e acabam as outras. São casas e casinhas, com apenas duas ruas de terra batida, onde estão as poucas lojas da terra, capazes de deixar passar carros; mas o labirinto dos caminhos serpenteia por todo a parte, com largura apenas para os assadores, para os canteiros da salsa e dos coentros, para um tanque de roupa ou um duche apertado. Às vezes ainda há espaço para umas couves, umas flores, umas árvores de fruto, armários, estendais, e inventivas garagens e anexos de casas."

In CEREJO, José António Cerejo, Uma Relíquia Chamada Cova do Vapor, PÚBLICO, 28/04/2002.

Aqui, o mapa do google indica o caminho até «A», sendo «A» a Cova do Vapor. Mais um cantinho de Portugal, à português.


Ver mapa maior


Ai o mar, o mar que falta me faz, que bem me faz.

Bi e Marido depois de umas corridas na areia ...

As senhoras nossas Mães - venham, faz bem o sol da Caparica.

Sentada em cima de uma mão, a estrela do passeio. Não passa despercebida.

Lisboa vista da Ponte 25 de Abril apresentava-se nada convidativa. Na realidade falta-lhe o Sol da Caparica
Da última vez que entrei para o visitar, invadida por uma grande emoção, fiz questão de guardar esta imagem, agarrada que me pus ao leme do Navio Escola Sagres. Foi em 1999.
*A Pátria honrae que a Pátria vos contempla* é uma frase que conheço há muitos anos. Sou do Século passado, é natural sabermos estas coisas. É da autoria de José da Silva Mendes Leal, que em 1863 assim legislou quando era na na altura Ministro da Marinha e Ultramar (1820-1886) e está espalhada por alguns locais onde a colonização portuguesa se fez presente. Como, por exemplo nas Portas do Cerco, o lugar que marcava a fronteira entre o antigo território português de Macau e a China
Tem este post a minha vontade de lembrar aos portugueses, mesmo nesta época de azáfama, de crise monetária, de fome e de fartura, de ladrões e gente honrada, de coisas boas e coisas más, que quase passou 1 ano e ele está a chegar. Se o tempo ajudar, desejo esperar este Navio no Terreiro do Paço, com um lenço branco na mão, a acenar boas vindas.
Tem também o fito de avivar a lembrança - a quem aprecia e sonha com grandes viagens mas apenas viaja nas viagens de outros - a quem já esqueceu que Sagres deu a volta ao Mundo e já veleja por águas Mediterrânicas.
A notícia é:
- «Após quase um ano de viagem à volta do Mundo, o Navio-Escola SAGRES, comandado pelo Cap. Frag. Luís Proença Mendes, entrará a barra do Tejo na manhã da próxima quinta-feira, dia 23 de Dezembro. Tanto quanto julgamos saber, muitos velejadores e desportistas náuticos preparam já as suas embarcações, para irem saudar aquele que é um dos mais emblemáticos navios da Armada, no seu trânsito no Rio Tejo para a Base Naval, estimando-se que passe em frente a Belém cerca das 09h00. O Navio partiu em 19 de Janeiro, como tivemos oportunidade de noticiar na RM 954, percorreu cerca de 40.000 milhas em 5.500 horas de navegação e visitou mais de trinta portos estrangeiros, tendo sido visitado por cerca de 300.000 pessoas! A SAGRES é um veleiro com cerca de 90 metros de comprimento, 12 de boca e 6,2 de calado, deslocando 1940 tons, com quatro mastros, 23 velas, uma superfície vélica de 1.950 m2 e armação em barca, dispondo também de um motor auxiliar (1000 CV - 9 nós). Foi construído em 1937, na Alemanha, nos estaleiros da firma Blohm & Voss, em Hamburgo, juntamente com mais três navios semelhantes, o EAGLE, da Guarda-Costeira dos EUA, o MIRCEA, da Roménia, e o TOVARICH, da Rússia, a que se juntou, quase vinte anos depois, o GORCH FOCH, Navio-Escola da Marinha Alemã. A primeira viagem de circum-navegação da SAGRES teve lugar em 1978/79 e a segunda em1983/84, ocorrendo esta terceira edição cerca de vinte e sete anos depois.»
A toda a tripulação da Sagres e ao seu Comandante, desejo boa aportagem.

Dia de limpar Portugal

1º dia de Primavera. Apareceu como um dia vulgar de fim de Inverno. Ir até ao Rio, enquanto milhares de outros limpavam Portugal.

Amanhã, aquela Ponte irá ser atravessada, a pé, por muitos portugueses, na meia maratona de Lisboa. Talvez amanhã o sol apareça. Talvez amanhã haja primavera.

Até os barquinhos ficaram atracados. Poucos subiram ou desceram o Tejo. Gaivotas? Nem uma.

Não floriram as árvores, não se ouviu o canto dos passsarinhos, o sol nem se dignou aparecer. Só a temperatura subiu um tantinho.

Hoje foi um dia de desencanto.

Dia de Limpar Portugal.

Em cima do tabuleiro da Ponte Vasco da Gama

e a vista para o Parque das Nações

Em busca de flamingos ... na maré alta

À procura destas aves tão espectaculares, fomos até à Moita. É um dos concelhos «que nasceu e se desenvolveu em estreita relação com o rio Tejo, vale a pena vir à descoberta da sua zona ribeirinha. Da Baixa da Banheira a Sarilhos Pequenos, a paisagem é diversa mas o Tejo, esse é comum. São 20Km de margens, alternando entre as zonas verdes tratadas, sapais e antigas salinas, cais e estaleiros navais, praia fluvial, além da animação desportiva e cultural a cargo das associações locais e das autarquias.»

Atravessámos o Tejo pela Ponte Vasco da Gama, em direcção a Sul. 1ª Saída para o IC 32 (Montijo / Barreiro) e depois Palmela/Moita. Não nos perdemos. A manhã estava pardacenta, mas adivinhava-se quente, lá mais para a tarde.
Depois foi fazer tempo para o almoço. Flamingos ... nem vê-los. A maré não estava baixa, eles estariam noutro lugar ribeirinho. Demos um pulinho a Rosário e a Gaio. Já agora, íamos conhecer um pouco das redondezas. Cliquei o Parque de Merendas, na Praia Fluvial do Rosário. Um local aprazível que nos oferece também uma zona verde para piqueniques, como mesas e um fogareiro, e que deve atrair muitos visitantes, principalmente durante a época estival. Para a próxima já sei, trago merenda. O rio estava lá, mas com outras aves pernaltas e de pescoço alto. Seriam ? Perguntámos *por onde andam os flamingos?* a um corredor na areia que sem parar nos respondeu que ali não, só se estivessem em Alcochete. Pois. Não dava assim muito jeito ir para esse lado ... e voltámos à Moita.
Parámos junto ao rio, num parque não pago. Onde podemos almoçar? N'O Cais, disseram-nos. Pois no Cais seria. A vista sobre o Tejo com Barreiro ao fundo, era leitosa. Um sítio muito tranquilo. Continuei a disparar, com a Canon ao pescoço. Só a larguei quando reparei em 4 elementos fixos ao chão, no passeio pedonal paralelo ao rio. Em passo-que-faz-bem, muitas pessoas paravam junto a cada um deles e utilizavam-nos como aparelhos de ginástica. Fiquei espantada. Sem birra, quis experimentar e repetir os movimentos que faziam. É a criança que há em mim! Que fazer? Experimentei todos: que bom! mexe com todo o corpo e não cansa ... Marido clicou-me num deles. Depois queixa-te, ouvi ele dizer-me. Só como nota, na manhã do dia seguinte, quando acordei, parecia ter levado uma tareia... havia de repetir os aparelhos, mas na Moita? É longe! Senhores das Juntas de Freguesias ou da Câmara Municipal, faz falta nas nossas cidades, onde existem passeios-pedonais, uns elementos fixos ao chão, para alguns de nós nos ginasticarmos. Para os que não frequentam os ginásios, nem tão pouco têm idade para entrar nos grupos de ginástica nas piscinas municipais. Poderíamos praticar algum exercício... E fomos almoçar.


O Cais, na Moita

Sogrinha, com quem partilhei uma dose de cozido de porco preto

Prato tipicamente português. Muito bem confeccionado.
Fontanário: Tinto de Pegões, D.O.C. de 2005 - que aroma, que sabor.
É das Terras do Sado, não do Tejo.

Talego, o saco com pão morno, com casquinha.

N'O Cais, o restaurante. Em frente ao Tejo.

Arribas da Costa da Caparica: Miradouro dos Capuchos

Ainda era cedo, o sol da tarde convidava-nos a usufruir do calor e da luz. Num salto, antes e em vez da praia da Costa de Caparica, virámos à esquerda. Subimos até onde se podia. Na subida, reparei num monumento, ao cimo de uns degraus. Quando descêssemos ... .

Saímos do carro. Carreguei a EOS. Suspirei de felicidade. 20 graus de temperatura, céu azul, um arzinho a bater n cara. Casaco no carro, mangas arregaçadas e pronta para clicar, clicar... Um muro alto e a vista das Arribas da Costa da Caparica. Olhei à volta e para baixo. Uau! Como é possível nunca ter vindo até aqui, a um pulinho de Lisboa! É um sítio onde se aprecia uma boa parte da Costa Azul. Desci caminhos, subi-os, aolhi flores com um clic, em suma, a digestão fez-se depressa, a hipófise recarregou e fui muito feliz naquela tarde e naquele cantinho de Portugal. Aqui estão as fotos.


Já no carro, de novo, a caminho da Ponte, numa curva, eu pedi: - pára aqui! Marido já suspirava, mas saíu do carro, seguiu-me e gostou. Isto de ser o meu motorista, tem que se lhe diga :)

Do Convento dos Capuchos. Aqui estão mais informações. A seguir estão as fotos que cliquei.

Fim


De volta a casa, viajar em cima desta ponte e poder usufruir destas imagens, é um final de um dia feliz. São imagens repetidas ao longo da minha vida, mas sempre novas, de cada vez que acontecem. Ou o rio está mais azul - águas que abraçam Lisboa. Ou um barquinho à vela fica registado por entre os tubos da ponte. Ou Lisboa tem outras cores ... Eu faço a travessia com a emoção de uma primeira vez.

Quando o Tejo vira passerele



Estranha estrutura (metálica?) que ontem entrou no Tejo. Com a ajuda de 4 ou 5 rebocadores, foi Tejo acima. Passou a Ponte 25 de Abril, não antes de ter dado umas voltas sobre si. Parecia que desfilava numa passerele, que era o rio. Depois, deixei de a ver, quando deixei a Marginal em direcção a Lisboa. Lembravam peças Lego. O que seriam? Qual o destino? Mistério!

Black Submarin



Será o Delfim ou o Barracuda que entrou a barra do Tejo na tarde de ontem?