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«Fado português», um dos meus preferidos



O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.



Dia de limpar Portugal

1º dia de Primavera. Apareceu como um dia vulgar de fim de Inverno. Ir até ao Rio, enquanto milhares de outros limpavam Portugal.

Amanhã, aquela Ponte irá ser atravessada, a pé, por muitos portugueses, na meia maratona de Lisboa. Talvez amanhã o sol apareça. Talvez amanhã haja primavera.

Até os barquinhos ficaram atracados. Poucos subiram ou desceram o Tejo. Gaivotas? Nem uma.

Não floriram as árvores, não se ouviu o canto dos passsarinhos, o sol nem se dignou aparecer. Só a temperatura subiu um tantinho.

Hoje foi um dia de desencanto.

Dia de Limpar Portugal.