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Rica em Iodo

4 de Junho. Um dia a não esquecer.

Praia de Moledo, Caminha. O Monte de Santa Tecla (Tecra para os espanhóis), em fundo

Nas rochas quentes, apetecia mesmo deitar. Uma boa terapia, gratuita.
As gaivotas e euzinha, damo-nos muito bem.

A água, fria, límpida, oceânica, Atlântica. Mais adjectivos para quê?



Posted by Picasa
Os campos preparados para as sementeiras. O mar, a Costa Azul. A Ericeira, de novo. Para se estar. Receber os raios de Sol e o vento fresco e tomá-los como um gelado coberto de chocolate quente. Até apetecer. Depois de carregadas as baterias, limpos os neurónios, voltar a casa. Arrumar as compras. Lanchar um pastelinho de feijão de Torres Vedras. Um dia feliz, o de sábado passado. Amanhã, é outro sábado, outro dia. A ver vamos, como diz o cego.

Mar chão e vento de feição


Navio Republicano Português Sagres ou Navio Escola Sagres? As duas coisas.
Uma vez por ano e lá ia. Durante 3 meses ficávamos sem ele. O Senhor meu Pai começou a sua vida de Marinheiro na Sagres e terminou a sua vida de mar como o homem do apito, ou seja, como Mestre do Navio.
Esta é a primeira vez que Sagres vai fazer uma viagem à volta do Mundo. Quase 1 ano a pavonear-se pelos Oceanos, o vaidoso. Imagino quem o espera nos diversos portos por esse mundo fora. Inesquecível estar num qualquer porto e olhar e ver esse veleiro de velas brancas, com as Cruzes de Cristo encarnadas, enfunadas, em todo o seu esplendor, a atracar. O movimento braçal dos marinheiros, a subida aos mastros, as velas a descerem, as vozes, um apito a comandar estas manobras ... só estando lá a assistir, para recordar toda a vida. E depois de atracado e amarrado ao cais, subirmos as escadas e entrar, pés no convés do navio. E mexer no cordame, nas madeiras envernizadas, nos latões. Descer e subir escadas de degraus estreitos e íngremes, mãos agarrando ambos os corrimões, em corda. «Desce como sobes, custa menos ... »
Inspirar e deixar que a imaginação nos leve por instantes, de viagem...

Lembrei-me de Fausto, que escreveu:

Já tenho a vela enfunada / Marrano sem vergonha / Judeu sem coisa sem fronha / Vou de viagem ai que largada / Só vejo cores ai que alegria / Só vejo piratas e tesouros / São pratas são ouros / São noites são dias // Vou no espantoso trono das águas / Vou no tremendo assopro dos ventos / Vou por cima dos meus pensamentos / Arrepia / Arrepia / E arrepia sim senhor / Que vida boa era a de Lisboa // O mar das águas ardendo / O delírio dos céus / A fúria do barlavento / Arreia a vela e vai marujo ao leme / Vira o barco e cai marujo ao mar / Vira o barco na curva da morte / Olha a minha sorte / Olha o meu azar.

Que os ventos e marés lhes sejam favoráveis. Que tragam estórias para contar, a quem os gostar de ouvir, até morrerem de velhice.

Se tiver tempo, veja. Vale a pena.

O Arquipélago dos Açores dorme no meio do Oceano Atlântico, a cerca de 1.600 quilémetros de Portugal continental e 2.000 do Canadá. Pelas suas condições excepcionais e por estar rodeado das águas temperadas da Corrente do Golfo, estas ilhas desenvolveram o seu próprio ecossistema. O clima é tão imprevisível que, na zona, é habitual dizer-se que, num só dia, podem experimentar-se várias estações. Os mitos e lendas que envolvem estas ilhas mágicas datam dos textos de Platão que falam da Atlântico...

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