Rica em Iodo
Ai o mar, o mar que falta me faz, que bem me faz.
Clics com o telélé da tarde de sábado


Uma hora e meia chegou para re-ganhar a cor. Apesar do vento a chatear. Já chega? pergunta Marido. Já. Sacudir bem a areia, vestir e voltar. Depois fui clicando, da janela do meu carro. 
A subida para Algés. Mais à frente na despedida da Marginal, corta-se à esquerda, a caminho de casa. As praias da linha estão limpas, com bastante areia e servem perfeitamente para umas horas de puro ócio, a dourar, olhar o Tejo e o mar. Ao pé de gentes, de diversas cores e idiomas :).O mar Atlântico é sublime.
Estava muito vento na Ericeira. Fomos um pouco mais para Norte. Praia dos Coxos. Nome engraçado. Não havia sítio para estacionar. Imensa gente, principalmente surfers. Voltámos para trás. Um pouco a subir, antes da Ericeira, local para parar. Saímos.
Impossível descer, por causa da subida. Tal como o poeta disse «há mar e mar, há ir e voltar». Dá para entender?
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Ficámos em cima a apreciar a vista para a Praia da Ribeira D'Ilhas. No sítio apropriado para turista apreciar. O vento continuava forte, abanava-nos, mas não transportava as minúsculas gotículas de água, como na Ericeira. Deu para aguentar. Era de tirar o fôlego. Há sítios em Portugal que me prendem. Este é um deles. Se a terra se espreguiçasse naquele momento, voaríamos alto, até aterrarmos de cabeça e sem asas. Seríamos notícia?
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A descida é mesmo íngreme. Só de pensar no sentido inverso, fiquei cansada. Sentei-me. O mar estava picotado de pontinhos pretos. Acho-lhes graça. Sentados em cima das pranchas, minuto após minuto, à espera da onda. Deve dar uma boa sensação. Surfar, digo eu. Contei-os. Marido juntou mais alguns. Seriam 28..jpg)
Na cor, na calma e na rebentação, o Atlântico é sublime.
PS: Senti-me a sufocar. Não foi só de ver o mar àquela altitude. Foi ouvir um constante latir, doloroso, de choro e dor, de um cão que não conseguíamos olhar. Dentro dos carros estacionados, não estava nenhum. Aproximamo-nos mais do início das escadas. Lá estava ele.
Cão que ninguém viu, na descida para Ribeira D'Ilhas
Era aquele o animal sofredor. Porte médio, novinho ainda. Magérrimo, com os ossos colados à pele. Olhava e gania. Gritos caninos que feriam não os tímpanos, mas o coração. Mais um animal abandonado, procurando vestígios do seu dono. Cheirava o chão pisado e fugia de todas as pessoas que se aproximavam das escadas para a praia. Descia os degraus à frente de todos e encostava-se às ervas, com medo. Depois voltava a subir, a olhar e a uivar. Tem fome, concordámos. Marido foi ao carro buscar pão e água. Se realmente fosse fome, ele comeria. Abaixámo-nos, para ficarmos à sua altura e Marido partiu o pão em pedaços que eu molhei com água. Foi impossível a aproximação. Chamámos por ele e mandámos, pedaço a pedaço. Ele vinha, de cauda entre as pernas, meio agachado. Pegava o pedaço de pão que mastigava pouco e engolia de seguida. Olhava-nos a pedir mais, entre latidos. Para além de tudo tinha fome. Essa necessidade nós pudemos mitigar, um pouco. As pessoas que passavam por nós - surfers meio vestidos, tatuados, simples visitantes do local - contornavam-no, evitavam um olhar. Nem um comentário. Nem um gesto de solidariedade. É como se nada ali estivesse a sofrer. O fito era a praia, o interesse pessoal nas ondas a garantir sucesso, a diversão, as férias. Tanta gente que passou naqueles 15 minutos que ali permanecemos. Imperturbáveis. Andar descalça na areia molhada faz bem?
Informação retirada da Revista Vida Simples
Praia da Manta Rota
Bom o acesso. Atlântico em fundo azul.
As nuances do azul em chão de açucar amarelo. Estou no paraíso.
Poderia chamar-se Alegria
curvar, travar e ... de novo vir ao meu encontro.
Já Shakespeare afirmou: um coração alegre vive mais tempo.









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