Mostrar mensagens com a etiqueta Penedos de Góis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Penedos de Góis. Mostrar todas as mensagens

O meu sítio seguro


O entardecer de um dia escaldante de Outubro de 2011.


O lusco-fusco de uma noite que se adivinha mais fresca.


De novo, um amanhecer quente.

Isto não é habitual.

Sabem sempre a pouco, os dias de férias.


As férias acabaram. Há dois dias. Marido foi trabalhar. Voltou a rotina. 
Apeteceu-me vir até aqui, reviver e publicar, momentos bons que nos aconteceram.
O dia de hoje, lá em cima na Serra, deve estar como o da foto, quente e com céu azul, tal como aqui, em Lisboa. Já sinto saudades.
O chapéu está guardado mas as cadeiras estão vazias e expostas em frente ao meu Penedo. Sentei-me pouco nelas, reparo agora. Quando os dias são bem aproveitados, bem vividos, ficam na memória. E não conseguimos usufruir, o quanto queríamos, os bens materiais que vamos adquirindo, porque a reforma ainda vem longe e sem data marcada. Ficam, os bens espirituais. Enquanto a memória nos deixar voar, revive-mo-los.
Foram dias de passeios à Pena, Aigra Nova e Comareira. Arganil e Avô. Lousã. Barragem de Santa Luzia e Parque das Merendas da Oitava, Poços e Igreja de Santo António da Neve, com farnel atrás e boa companhia. 
Foram dias de visitas. À Marisa, à Olinda, a umas lojinhas. E a novos conhecimentos. 
A última semana, foi passada em descanso, com tardes à beira do Rio Ceira em Góis, sem muita afluência e com relva, água menos fria que o habitual, mas com as habituais e chatas moscas e os mais de trinta graus centígrados de temperatura. Meti conversa com o Goiense Pedro, a mulher Sandra e a filha Vitória, de três anos de idade, que era mergulhada ao de leve nas águas correntes do rio, ao colo do pai ou às costas da mãe, como um patinho. Mas também fomos incomodados por um grupo de jovens a caminho da adolescência, goienses muito mal educados, que gozavam os últimos dias de férias à solta e sem controlo de adultos, dando mergulhos e incomodando com gritarias, bicicletas e vocábulos impróprios para a sua idade, quem procura paz e sossego. 
Quem os irá «aturar» quando as aulas começarem?!
Olho a foto e despeço-me.

Subida aos Penedos de Góis


Em meados de Agosto, eu assisti a esta viagem, da minha janela na Cerdeira. A subida aos Penedos de Góis. Cerdeirences  de sangue ou de coração, há anos que embarcam nesta aventura. Os mais resistentes, os mais novos, seja quem forem, é preciso é que nunca desistam de nos encantar.
São precisos alguns atributos, que eu não tenho, como força nas canelas...
Subir a 1048 metros de altitude, é obra.
E as nuvens, ai as nuvens, a refrescar. Sentem o aroma das nuvens?
Obrigada MrChaimite pela partilha.
Com este filme, posso ir até lá, quando me apetecer.

A barroca da minha infância

A saudade que tenho da frescura destas águas doces e frias que brotam, um fio, por debaixo duma fraga lá mais acima, se alargam e se estreitam conforme o seu leito feito de pedras, fetos e outras verduras e que chegam aqui. É aqui, na «minha» barroca, que se essas água se expandem, ficam baixinhas. O seu fundo vai subindo de ano para ano, com um acumular de tudo o que as águas trazem e deixam aí depositadas. É um local esquecido. Não por mim. Vai ser bom mergulhar os pés descalços, nas tardes quentes de Verão que ainda estão para vir no próximo Setembro.

Para chegar ao calhau e me sentar - um calhau que rebolou do Penedo há muitos tempos atrás e por ali ganhou cama - sofro um pouco, fazem mossa, as pedras nos meus pés. Ai, ui, algum equilíbrio e sento-me. Sucesso! Olho à volta, aguço o ouvido. Marido na margem seca com Bi ao colo, que a menina não pode molhar-se ... som de águas e pouco mais. Verdes eucaliptos, e mais verdes silvas e moitas e moiteiros e fetos.

Estou ansiosa. Sempre vale a pena ir até lá. Sempre valeu a pena.
Pena mesmo é não ser limpa, aproveitada para todos e por todos...

Estou a 3 dias de mudar de sítio. Lisboa vai de novo encher-se de azáfama. Lá em cima, apenas os silêncios dos que lá moram, o ar respirável, a barroca, o Penedo e pouco mais. Ah! e as courgettes. Já me esquecia das minhas courgettes.

Posted by Picasa

Dia de subida ao Penedo


Domingo, 14 de Agosto. 8 e vinte e dois da manhã. Fui à janela. Senti um arrepiozinho. Respirei fundo. Aquela atmosfera lava até à alma.

Mas onde está o Penedo? E sons de vozes? E as vuvuzelas? Nada. Devem ter ido espreitar à janelas e depois de uma noitada Pedro-o-que manda-no-tempo esteve com o grupo. Não estava dia para subir o Penedo, decididamente. Caminha, de novo. Olha que sorte tiveram!

Três foram cedo


Na rua, uns burburinhos. Depois outra voz mais alta: «Atão sempre vão! Ai que malucos!» Abri a porta e deparei-me com três tontos preparados para escalar até aos 1048 metros de altitude que o Penedo apresenta. Bom dia! Parem aí, pedi-lhes. Deixem-me fotografar o momento. Eram 08:47h. Disse-lhes que da estrada do Vale Torto até ao Penedo não se via nada, era uma nuvem pegadinha. Ó! Isso levanta. Vamos mas é, que o sol depois aparece e queremos estar o mais perto possível.
Então, bons trilhos!, desejei-lhes.
A subida deve ser feita imaginando os carreiros entretanto tapados pelo mato. É preciso um pouco da vitalidade e da agilidade de um cabrito para tal «passeio».
Da esquerda para a direita, na foto estão: Mateus (a desejar bos viagem), Jaime Pinto, Alice Pinto e Zahari Markov.
Lá seguiram. Dos do «grupo de ida ao Penedo», nada. Agora era dar-lhes tempo para aparecerem na «bandá'lem», na tal estrada do Vale Torto, para começarem a subida e eu os clics.

Da minha janela, na Serra da Lousã


Abri os olhos ainda era noite. Eles já cantavam e o som ordenou-me: levanta-te.
De telélé em punho, abri a janela. Este foi o meu acordar no Sábado, 23 de Abril de 2011, 7:13:28, na Cerdeira.

Um dia tenho: - de adquirir uma máquina de filmar «comme il fault».

Entardecer

Cerca das 17:00h

Cerca das 20:00h

A última. 20:23h.

Refrescou. Até amanhã.

Cerca das 20:27h - uma aguarela. Um presente




Voltei. Friozinho que obriga a casaco vestido. Baixou a temperatura. Não apetece ir para dentro. Que espectáculo, gratuito, a natureza nos oferece, se estivermos atentos às mudanças que cada dia nos oferece. É o Presente. Um presente.

Cabrito preto

«Tens de vir ver o cabritinho que nasceu. É todo pretinho.» Peguei na máquina, despedi-me com o olhar da cadeira onde me encontrava sentada com um até já e fui. A tarde estava quente. O céu mostrava-se azul, salpicado de vez em quando por uma negra nuvem, que largava a carga de água e seguia o seu rumo ao sabor do vento.
Valeu a pena olhar e clicar. Tem cerca de uma semana este bichinho. Sorte a dele ter nascido perto da Páscoa. Se fosse mais velho duas semanas, já tinha ido. Que mania horrorosa essa de sacrificar estes pequenos para degustação pascal.



A mãe cabra e um primo pequeno aproximaram-se desconfiados, tal como outros mamíferos quadrúpedes quando um humano deixa o seu odor de colo no pelo da cria.

Manteve-se o bom tempo. Ela esperou-me. A esta hora, a sinfonia da tarde ainda não tinha começado. Os meus ouvidos citadinos parecem ensurdecer perante o silêncio, que é de ouro, prata e pedras preciosas.

Neve, pouca. Gelo, muito.

Nunca sentimos a Serra da Lousã tão agreste como neste 1º de Dezembro de 2010, assim como nos quatro que se seguiram. 5 dias de férias em Lisboa era um desperdício.
Por isso e apesar dos avisos meteorológicos, seguimos com mantimentos, não fosse o diabo tecê-las e a impossibilidade de viajar pela Nacional 2 se tornasse um pesadelo.
Chegámos às cinco da tarde de quarta feira e o sol já tinha passado para detrás do Penedo.
A noite já se instalara. A noite e o frio de vento cortante, seco.
Descemos ao fundo do Lugar. Chave na porta e um frio de tumba. Dentro de casa o termómetro marcava 3 graus. Credo!
Acender o fogão e ligar o aquecimento, a prioridade e tarefas de Marido. Arrumar a tralha, fazer o jantar, a minha. Aproveitar o que viesse, a nossa. E mexer-mo-nos, que quem se mexe aquece.
De manhã, dez horas e upa da cama. Fui espreitar. Estava branco o meu Penedo. De gelo e só lá em cima, que o sol já tinha derretido algum, cá mais abaixo. Respirar o ar frio de 2 graus na serra é muito perigo para «alfacinhas» como eu. O nariz gelou enquanto cliquei. Gelei toda. Impressionante. Apesar disso, não haver chuva, era o melhor dos presentes.
Ir passear. Para onde? Aquele frio, o frio como nunca sentimos naquele Lugar «de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros» como falou José Régio mas do calor, em Portalegre, fez-nos ser prudentes e ficar por ali.
Do Outono, das suas cores, já pouco resta. O Inverno instalou-se. De malas e bagagens.

Manhã solarenga. De pouca dura.

Bem haja a quem nos ofereceu nabiças. Marido é um expert a arranjá-las. E uns riozinhos de sol são sempre bem vindos.
Para a tarde, elas chegaram. As núvens.

E instalaram-se. E o frio também.

Os azevinhos de Mano estão lindos! Não deu para ir mais longe, visitar outras espécies.

Um espectáculo repetido mas imperdível

Acordo. Levanto-me e abro as portadas para o cumprimentar. «Bom dia calhau!», enquanto me espreguiço. Amanheceu numa imensa cor azul. Fico um pouco, a olhar e a receber os odores matinais da natureza. Há cantos de aves a ecoarem. Que bom que é acordar no campo.
A pouco e pouco, olho uma nevoazinha que vem vindo, devagarinho. Fresca pelo arrepio repentino, penso: «Será que hoje vai estar mais fresco?». Era desejável que sim. Fiquei a olhar e clicando. A neblina cobriu desde a «risca» ao calhau. Que eu namoro enquanto estou por lá. Na serra, namoro o calhau-Penedo, quero dizer. Em pouquinho tempo uma boa área ficou envolvida pelo manto branco.
E em pouco tempo, a neblina foi embora. Inspirei um pouco mais o ar fresco, lavado. O calhau-Penedo, esse voltou a mostrar-se, desconcertante na sua mudez. As aves, essas também se calaram. De repente fez-se silêncio. Só um cão começou a ladrar do lado da Ribeira. Ouvia-se o eco.
Barriga deu sinal. Terminou o encanto. São horas de tomar o pequeno almoço. Pousei a máquina e gritei: «Marido, vamos a levantar?».

Dia 14 de Agosto, subida ao Penedo.



Mês de Agosto é o mês dos portugueses de férias. Na Cerdeira, um grupo de cerca de 30 pessoas (foi a informação que obtive) aventurou-se na subida ao Penedo, descida a Povorais e regresso à Cerdeira (também segundo informação, de carros).

Enquanto iam progredindo, tentei apanhar pelo menos os sons. E consegui.

Deve ter sido divertido!

Todos em carreirinha, pareciam uma minhoca gigante a deslocar-se lentamente.

Não pude deixar de filmar um dos meus hospedes, que sem dar pela minha presença se juntou aos sons ambientais.

Viajar no crepúsculo


No céu, o traçado de fumo do incêndio que lavra na Serra da Estrela. E estamos bem longe.

Cliquei Lua em quarto-crescente sobre a Serra da Lousã.

Subida que estava a longa estrada de Álvares para a Nacional 2, a seguir a Cabeçadas, eram 20:13h de 6ª feira, com alguma fome e cansados da viagem, deparámos com esta imagem de conforto, como a dar as boas-vindas. Pedi a Marido para parar. Cliquei mais uma vez o meu Penedo, no crepúsculo. Posso escrever «dos deuses». Porque é um lugar pacífico, reconfortante e sempre à minha espera :).
Parece-me transmitir um velho slogan - Que seja benvindo quem vier por bem.
Obrigada.

Natural da Serra da Lousã



Que me encantou naquele lugar, em dois dias de ida e volta, em Maio mês das flores? Muitas pequenas coisas.
Naquela quietude, estava eu perdendo o olhar pelos Penedos, quando ouvi o som de patinhas saltitantes pelo algeroz afora, um piar e um canto e o voo desse pequeno ser, um pardalito irrequieto. Fez ninho na minha casa, obrigando-me a olhar para cima, enquanto tentava guardá-lo num clic para o trazer para casa. Em fundo nublado ou em fundo azul, lá estava ele.
O «brrrrrrrr» das asinhas a baterem, que senti nalguns instantes, em voo raso à minha pessoa, queda e muda, parecia desafiar-me. Vem comigo, vem voar! Imaginação não me falta. Mas voar, não vôo. Muda e queda continuei, para não o perturbar. Para ele não me perceber.
Foram três clics e apanhei-o na sua lida.
Que encanto de criaturinha.

Lua, calor e ralos


Esta Lua encantou-me pelo brilho na noite estrelada, sem luzes de cidade, quase a esconder-se no Penedo de Góis. Eu bem que podia ser o grilo, mas não canto.
Em quarto crescente muito brilhante, com Marte mesmo ao lado, que não apanhei nos clics.
No início de um novo dia, pouco passava da meia-noite de sábado passado, estive a olhá-la.
O termómetro marcava 30 graus centígrados.
O silêncio era cortado apenas pelos ralos.
O sono tardava em vir.


«- Bonita noite de Primavera, vizinho Ralo! – Comenta o grilo, à porta da toca.
- Mas talvez ainda um pouco fresca… – Contrapõe o vizinho, lá do seu buraco.
- Ora, ora, para mim está excelente! – Exclama o insecto saltador.
- Quer dizer que vamos ter serenata… – Insinua o ralo.
O grilo levanta as asas:
- Claro. Ou até uma desgarrada! – E logo, temeroso: - Não me diga que quer ficar de fora?!
- Não, não. Por mim, estou pronto para cantar a qualquer hora!
- Antes assim. – Diz o grilo.
E ficam, o grilo e o ralo, a afinar o canto no canto do jardim.»

Soledade Martinho Costa
Do livro "Histórias que a Primavera me Contou"
Ed. Publicações Europa-América