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A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas


Já não serei criança, dirão. No entanto, dentro de mim, não deixa de existir aquela que sempre fui.  Em nós, no sentido de pudermos mudar, sonhamos. Em deuses bons, como o que aparece no anúncio da Nespresso. Em fadas boas, também. Pensei no texto abaixo, ao olhar ontem este sítio paradisíaco. Sítio de fadas e de deuses. 
Penso que se completam um ao outro, o texto e a foto do cantinho de Portugal onde gostava de ter nascido e vivido até agora.
Mas quem sou eu para viver aqui... 


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«A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas 
Age como um deus doente, mas como um deus. 
Porque embora afirme que existe o que não existe 
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo, 
Sabe que existir existe e não se explica, 
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir, 
Sabe que ser é estar em algum ponto 
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.»

Éramos 10 pessoas que se querem bem. Levados ao cimo da Serra da Arrábida, sábado passado, a olhar azuis sem horizonte.

Não foi tirada do céu :). Mas do cimo da Serra. À direita, a enseada do Portinho da Arrábida


Depois do almoço-pic nic, descemos até uma das praias. Escolhemos esta. Onda vai, onda vem, apeteceu estrear a época, nem que fosse deixar tocar apenas os dedos dos pés. Ténis atados ao ombro e calça arregaçada.
Em frente a hipótese de sonhar, de inventar estória sobre essa ilha, a da Pedra da Anicha.

Um paraíso florido, ainda intacto de pés, deixou-se clicar na sua azáfama de recolha de pólen.

7 Maravilhas Naturais de Portugal

O Penedo de Góis, em Dezembro de 2006

O meu Penedo não foi um dos escolhidos para a final, como uma das maravilhas orgânicas e naturais do meu País. É que mereciam ganhar todas. São todas maravilhas naturais, sem a mão do homem a fazer a diferença.
Com a sua divulgação irão decerto contribuir para serem descobertas. Conhecê-las e conviver com as suas gentes é uma pílula de boa disposição.
Serão também convites a lembrar aos portugueses da necessidade de não estragar, não emporcalhar, como tenho constatado e de revisitar a memória tantas vezes esquecida, de todos os que lá têm as suas raízes.
Do Portugal que eu conheço, por ter lá estado de pés assentes no chão, escolho estas 6 e mais uma que ainda não conheço*:
Ria Formosa na categoria Zona Marinha
Parque Nacional da Arrábida na categoria Grandes relevos
Parque Nacional da Peneda-Gerez na categoria Zonas Protegida
Grutas de Mira de Aire na categoria Grutas e Cavernas
Portinho da Arrábida na categoria de Praias e Falésias
*Lagoa das 7 cidades na categoria de Zonas Aquáticas não marinhas

São locais lindos situados em Portugal, na zona Ocidental do Continente Europeu e no Oceano Atlântico. Venham até cá. Os de cá, fiquem por cá. Reinvistam em nós. Merecemos e precisamos.

Passeio dos tristes e almoço fora ... Valeu a pena

A vida são dois dias e o Carnaval são três, lá dizia a minha Prima Cremilde. Sai caro porque o gasoil está pela hora da morte e os restaurantes ... idem idem.
O gasoil está a descer (deixem-me rir). E este restaurante não nos desiludiu.
O Sr. Abel, dono do Lote 5, o nosso sítio habitual dos sábados ao meio-dia, contou-nos a volta que tinha dado com a sua mulher num domingo. E que tinham almoçado muito bem, num restaurante em Setúbal. Não se lembrava do nome, mas indicou-nos que ficava ao pé do estádio e que tinha uma palmeira a sair pelo telhado (sorriu-se). Hum! Setúbal, o cais, a serra, a península ... belo passeio. E lá fomos nós, neste que passou, a caminho deste cantinho da Costa Azul, que adoramos.
Demos com o restaurante porque perguntámos num sinal fechado a outro condutor que ao nosso lado estava à espera que abrisse. Desconhecemos a razão, mas após a explicação usual do segue em frente e depois corta à direita, resolveu dizer-nos - sigam-me que eu levo-os lá. Arrancou e nós seguimos o carro. Sem medos. Alguns metros adiante, apontou o local e levantou o braço à laia de despedida. Fizemos o mesmo e comentámos que ainda há pessoas solícitas no nosso País. Em Setúbal há uma, pelo menos.
Retiro Algodeia é o nome. Arrumámos o carro. Lá estava a palmeira a sair pelo telhado. O restaurante tem como principal especialidade os peixes grelhados no carvão. Situado numa antiga fábrica, proporciona um ambiente amplo, diferente e muito agradável. Peixes dispostos e à escolha para todos os preços e apetites. Como gostámos de tudo, aqui fica a referência.
As fotos apresentam o senhor atencioso que nos serviu (não perguntei a sua graça) e a senhora Luísa, a quem pedimos autorização para fotografar. Era ela que gritava o nome do empregado cujo prato estava pronto. Era ela (e outra senhora) que confirmavam a consulta de mesa e que também grelhavam o peixe. Com uma voz de pregão e de trovão, ouvíamos a senhora Luísa chamar *Francisco* *Sicrano*, *Beltrano*... e eles apareciam, pegavam nas travessas e dirigiam-se para as mesas dos clientes. Diferente, não é?
Já agora os preços, para comparar com outros restaurantes idênticos: Bacalhau (posta do lombo inteira) com batatinha cozida com pele e uma taça com azeitinho a ferver com alhos picados na altura £6.85; Sardinha (com a pele a saltar) €4.90; 1/2 jarro tinto da casa €1.40; 1 fatia de Melão (doce, rijo e maduro que deu para dois) €1.65 ... não foi caro, antes pelo contrário. Por isso era um entrar e sair de gentes.
Saímos satisfeitos com vontade de lá voltar num sábado de sol e levar as mães connosco.
Aproveitámos o dia e subimos a Serra da Arrábida até mesmo ao cimo. Descemos à Aldeia de Irmãos (nome lindo). Continuamos pela estrada velha de Setúbal, a caminho da Adega Califórnia. Da zona de Palmela e da Rota dos Vinhos. Havia pouco trânsito (a vida está difícil).

Subir a Arrábida

Quase no topo. Clico à esquerda, a Península de Tróia.
Do lado direito o Parque Nacional da Serra da Arrábida e ao fundo as casinhas. Que sorte tem quem vive aqui.
A Adega Califórnia.

A entrada.

Quem me lê deve ajuizar que somos uns beberolas. Mas não somos. De vez em quando coloco aqui as Adegas que visitamos. É a relação custo/qualidade que procuramos, não a quantidade. E também o gozo de conhecer quem tem vinhas, quem faz vinho e quem o vende. A mesma entidade. Do produtor ao consumidor.