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Véspera de Natal


O Natal. Os sorrisos. Os cheiros. As fatias. A mousse de chocolate. O bolo Rei. As toilettes. As prendas para a troca. E estamos prontos para a Festa das Famílias. Este ano não faltou ninguém por comparação com o ano passado. Somos só meia dúzia e a quatro patas.
Com recordações, muitas, cada vez mais. Vão acumulando com o tempo. Pequeninas coisas, pequenos gestos, trazem à memória os já idos.
O Natal, para mim, é um misto de Alegria e de Saudade. Tanto choro copiosamente como me alegro. Pareço uma tola. É que já faltam alguns dos mais chegados - Pai, Cremilde, Filipe, Avó, Avô. Foram-se indo. «É tão bom ser pequenino, ter Pai, ter Mãe ter Avós...». Pois.
As ausências eternas magoam demais. Falta-me o gesto, aquele toque pessoal, principalmente do senhor meu Pai por ter sido o último a partir. Falta-me, por exemplo, este ritual. Para a Consoada, juntava-mo-nos em casa deles, dos senhores meus Pais. Já noite, batíamos à sua porta: 
- Quem é? como se ele não soubesse.
- Somos nós Pai. Dizia-lhe, depois de subirmos um 2º andar carregados de prendas e coisinhas para pôr na mesa, alegremente cansados e gelados. A porta não se abria logo.
- Trouxeram as prendas?
- Claro! Abra!
- Não estou a ver nada. E a porta abria-se e aparecia ele a espreitar, com um sorriso de alegria, de felicidade, a receber-nos. Falta-me o seu abraço, a sua voz, o seu cheiro. Os anos passaram. Mas continua a doer a sua ausência. Já lá vão 12 Natais. 

Na foto, as «minhas meninas». Elas não se zangam por as tratar assim.
Festas Felizes!

Natal de 2011



Gosto de escrever o que me vai na alma. Desta vez, deixo um texto recebido de uma amiga, Teresa de sua graça. Ele contém algumas etapas que eu própria tento alcançar.
Feliz Natal.

COISAS A DESEJAR 

Caminha placidamente por entre o ruído e a pressa, e lembra-te da paz que existe no silêncio.
Tenta, na medida do possível, estar de bem com todos. Exprime a tua verdade com tranquilidade e clareza. Escuta quem te rodeia, inclusive as pessoas desinteressantes e incultas; também elas têm uma história para contar. Evita gente conflituosa e agressiva que tanto mal faz ao espírito. Se te comparares com os outros poderás tornar-te amargo ou arrogante, pois haverá sempre alguém melhor e pior que tu. Regozija-te com as tuas conquistas e os teus projectos. Mantém vivo o interesse pela tua carreira por mais humilde que seja; é um verdadeiro bem, nesta época de constante mudança. Sê prudente nos teus negócios – o mundo está cheio de armadilhas. Mas não feches os olhos à virtude que existe em teu redor, nem às pessoas que defendem os seus ideais e lutam por valores mais altos – a vida está cheia de heroísmo. Sê tu próprio. Acima de tudo, não sejas falso, nem cínico em relação ao amor que, face a tanta aridez e desencanto, se mantêm perene como uma haste de erva. Aceita com serenidade a passagem do tempo, sabendo deixar graciosamente para trás as coisas da juventude. Cultiva a força de espírito, para te protegeres de azares inesperados. Mas não te atormentes a imaginar o pior. Muitos medos nascem do cansaço e da solidão. Mantém uma autodisciplina saudável mas sê benevolente contigo mesmo. És um filho do Universo, como as árvores e as estrelas. Tens todo o direito ao teu lugar no mundo. Poderá não ser claro para ti, mas a verdade é que o Universo está a evoluir como previsto. É importante, assim, que estejas em paz com Deus, seja qual for a tua concepção d’Ele, e em paz com a tua alma, sejam quais forem os teus anseios e aspirações no ruidoso tumulto da vida. Apesar de todos os enganos, dificuldades e desilusões, vivemos num mundo bonito. Alegra-te. Luta pela tua felicidade. 
Max Hermann - Desiderata 1927 

Por quem não esqueci

Este filme é dedicado a todos aqueles que fizeram parte dos meus anos já vividos.
Todos aqueles que por terem já partido, não constam da minha lista de prendinhas.
Todos aqueles que ocupam uma parte da minha memória.
Todos aqueles que se encontram, no lugar que lhes dedico, no meu coração.
Tenho saudade deles todos, principalmente do senhor meu Pai.

Feliz Natal.

Fiz 3 peças para prendas de Natal

Iniciei-me na decoupage, a técnica do guardanapo. É preciso querer fazer, procurar como se faz e ir às compras. Imaginar o quê para quem. E sairam 3 peças para três pessoas muito especiais para mim: Mãe, Sogra e sobrinha-afilhada «madebyquino». Tomei-lhe o gosto. É viciante. O tempo também tem de ajudar. Como parece que estamos em África equatorial, há que esperar por dias mais secos.

Neste momento já tenho mais caixas e mais tintas compradas e uma pequena colecção de guardanapos. À espera.

O meu presépio e um poema

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.

– Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!

– Está bem, eu sei!

– E as garrafas de vinho?

– Já vão a caminho!

– Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?

– Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:

– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!


Poema de João Coelho dos Santos, in “Lágrima do Mar” - 1996
Recebi esta prendinha por e-mail. Não posso deixar de o partilhar convosco.
Obrigada Ana Filipa.

Ausências: o LP, o Pai e as Fatias


Quando a Festa de Natal era passada em casa dos Pais, lembro-me que ao entrar carregados de prendas e doces, haver sempre música desta quadra a tocar. A tradicional, em língua inglesa. O som saía das colunas de um velho gira-discos que havia na sala de jantar (sala comum), ornamentada com uma enorme árvore de Natal e um presépio ao lado. Havia muita luz, muita cor e principalmente um ambiente de FESTA e ALEGRIA nos rostos. Um único LP era tocado uma vez por ano, na noite de 24 para 25, de cada Dezembro. Ouvíamos cerca de 12 ou 13 das mais famosas canções de Natal. Umas atrás da outras elas iam tocando. Quando o som se calava, lá ia o senhor meu Pai virar o disco e tocar o mesmo. Era ao som de músicas como It's Beginning to Look Like Christmas, Jingle Bells, We Wish you a Merry Christmas, Santa Clause is Coming to Town, Ruldolph the Red-Nosed-Reindeer, O Come All Ye Faithful, and so on, em tom baixo, que a Consoada era degustada e levantada a mesa e reposta, com os doces e vinhos. A conversa era mantida até chegar a meia-noite e a distribuição das prendas. Eu dava pela falta do som quando o disco terminava. Mas com o barulho das vozes e das luzes, quase que passava despercebida. Mas o senhor meu pai dava por isso, interrompia a conversa e dizia «a música parou». Alguns diziam baixinho «estamos bem sem ela» ou «já chega de música João», mas ele levantava-se e ia até ao aparelho virar o disco. Até que o senhor meu pai achasse que nos devia dar música, ela Com o passar dos anos, os Natais começaram a ser festejados também em casa dos filhos. Porque o Natal é das crianças e entretanto uma «pituzinha» nasceu na família e a canseira da preparação de uma festa de Natal começava a notar-se. Uma ano em cada casa. Mas faltou a música. Deixamos que a TV ditasse as modas.
A modos de guardar e recordar, pedi o disco emprestado e gravei duas cassetes com as músicas do LP. Dei uma ao senhor meu irmão. Guardei a outra.
Com o passar dos anos deixámos de ouvir em fundo, na noite da Consoada, as velhas músicas de Natal.
Cá em casa, a cassete gastou-se. E Pai foi-se, há já 10 Consoadas.
Há pouco tempo, em conversa de telefone, a comentarmos o que acumulamos em nossas casas ao longo das nossas vidas, soube que todos os discos, incluindo o LP de músicas de Natal, tinham sido oferecidos pela senhora minha mãe, a alguém. Esqueceu-se de me perguntar se eu gostaria de ficar com algum, para mim.
No seguimento de perdas, mais uma estória. Por via de uma constipação bastante persistente, não vão haver Fatias da senhora minha mãe. Não as vamos provar pela 1ª vez este ano. Posso afirmá-lo, porque fiz as contas, cerca de meio século pelo menos, houve sempre Fatias. Uma travessa grande, cheia de fatias douradas, macias, húmidas de açucar e canela, que eram distribuidas por todos no final da festa e duravam em minha casa até aos Reis.
Resumindo: A minha maior saudade continua a ser do senhor meu Pai. O seu LP de Christmas Songs também se foi. E até as Fatias Douradas este ano não as provo!
Desejo-me, apesar disto tudo, um FELIZ NATAL!

BOAS FESTAS

Poema de Vinicius de Morais, interpretado por Camila Morgado e Ricardo Blat. Trecho extraído do filme de Miguel Faria Jr. POEMA DE NATAL

«Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos

–Por isso temos braços
longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos

–Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai

–Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte

–De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem;
da morte, apenas nascemos,
imensamente.»

FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS, OS QUE ME VISITAM

Merry Christmas

FELIZ NATAL aqui, cantado à moda antiga, com voz quente. Um trabalho de Joshua Held, 2002.

Ouça e divirta-se.

Obrigada GuidaPinto-minha-homónima, que me enviou por e-mail.

Em Benavente

Este Pai Natal saudou-me. Uau!!!
Estavamos de passagem em Benavente. Tinhamos feito a curva para Lisboa, o trânsito estava lento e eu olhei este Pai Natal. Estava mesmo a seguir ao Solar de Benavente (penso eu de que se chama assim). Olhei-o, sorri-lhe e apontei-lhe o télélé. Ele sorriu e acenou-me.
Que bom, gostei tanto deste aceno de um Pai Natal, só para mim.