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RTP - TRÊS CANTOS: JOSÉ MÁRIO BRANCO, FAUSTO E SÉRGIO GODINHO

RTP - TRÊS CANTOS: JOSÉ MÁRIO BRANCO, FAUSTO E SÉRGIO GODINHO (+ informação)

Pois foi. Perdi os espectáculos, mas não o programa. Às 10:00h de sábado passado sentei-me em frente à televisão, sintonizada no Canal 1. Esperei, como a marcar lugar. A RTP transmitiu. Cantei. Já passava da meia-noite, e eu a cantar. Emocionei-me. Três artistas fabulosos. Que viagens no tempo, ao cantá-los, como uma quarta voz. De entre mais de 30 cantigas escolhidas, 10 a cada um, a caber num determinado horário de transmissão, apresentaram estas e mais algumas que não ficaram bem gravadas no meu telélé. A imagem e o som não foram gravados em simultâneo... ou se foram, não se reproduziram com um mínimo de qualidade.
Quanto à actuação daqueles 3 mais uns tantos, bis. Peço bis. Repitam. Por favor.

Filmado com o Telélé. Em casa.


Guerra e Paz
Refrão:
Guerreiros são só pontos no horizonte a monte a monte/ anda o guerreiro sem parar/ a paz foi tudo o que ele foi buscar/ guerra e paz a par e passo irmãs são/ guerra e paz a par e passo são
Ainda agora aqui chegado/ meu cavalo já cansado /trago o peito enamorado/ e a armadura em desalinho/ minha espada, eu embainho/ dai-me carne e dai-me vinho/
sou guerreiro por quimera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz

Dai-me carne e dai-me vinho/ dai-me uma mesa de pinho/ estendei toalha de linho/ onde estenderei meus dedos/ lede neles os enredos/ das conquistas, dos degredos/ assim eu contar pudera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz

De cada vez que me conto sei/ que me acrescento um ponto/ um cavalo novo monto/ e uma donzela arrebato/ despedido do recato/ vou de calma ao desacato/ vou do pardal à pantera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz

Vou da calma ao desacato/ de masmorras me resgato/ colorido é o meu retrato/ preto e branco meu caixinho/ o que fazes tu, meu filho/ outras guitarras dedilho/ sou trovador por quimera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz
E de meandro em meandro/ vou-me circunnavegando/ sob as estrelas buscando/ o outro lado da busca/ quase sempre o amor me ofusca/ de uma forma doce e brusca/ assim eu amar soubera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz

Retomado à vida o gosto/ meu cavalo recomposto/ no cabelo um fogo posto/ novos fogos atravesso/ desta forma me despeço/ do fracasso e do sucesso/ ladrões de quem os venera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz

Desta forma me despeço/ a viagem recomeço/ e se a casa não regresso/ é que outras casas me abrigam/ outros braços lá me amigam/ minhas brigas desfatigam/ como a luz na Primavera/ era uma vez um rapaz/ é vê-lo avançar entre a guerra e a paz.

Composição: Sérgio Godinho

Filmado com o Telélé. Em casa.

Eu vi este povo a lutar (Confederação)

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Sobre as águas calmas
Um vulcão de fogo
Toda a terra treme
Nas vozes deste povo

Mesmo no silêncio
Sabemos cantar
Povo por extenso
É unidade popular

Somos sete rios
Rios de certeza
Vamos lá cantando
No fragor da correnteza

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

A fruta está podre
Já não se remenda
Só bem cozidinha
No lume da contenda

Nós queremos trabalho
E casa decente
E carne do talho
E pão para toda a gente

Ai, meus ricos filhos
Tantos nove meses
Saem do meu ventre
Para a pança dos burgueses

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Alça meu menino
Vê se te arrebitas
Que este peixe podre
Só é bom para os parasitas

Só a nosso mando
É que há liberdade
Vamos lá lutando
P’ra mudar a sociedade

Bandeira vermelha
Bem alevantada
Ai minha senhora
Que linda desfilada

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Letra e música: José Mário Branco

Filmado com o Telélé. Em casa.

Inquietação

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

Composição de José Mário Branco

Filmado com o Telélé. Em casa. Valia mais estar calada.

Uau. Como me senti bem, feliz mesmo, a acompanhar esta transmissão. Lamento que a minha voz tenha sido gravada sobreposta à de Sérgio Godinho. Defeito do aparelho. Se eu soubesse, tinha ficado caladinha, a um-um-ar. Imaginação não me falta. Quase lá, no Campo Pequeno e ao vivo. A Liberdade está a passar por aqui, também.

Maré Alta

Aprende a nadar, companheiro
aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta

Composição de Sérgio Godinho

Filmado com o Telélé. Em casa.

Foi por ela

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais saír minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo por coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo o rio
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Composição: Fausto

Filmado com o telélé. Em casa.

A Ponta do Cabo, de Fausto. Por onde andará informação deste nosso Poeta, autor magnífico dos nossos cenários históricos, postos a cantar, do tempo das descobertas, da nossa história trágico-marítima?

Não consegui a letra desta magnífica apresentação, hino, sei lá o que lhe chamar. E não conheço os versos. Só sei que arrepia ouvir só de imaginar o Cabo, lá em baixo, com águas geladas e Adamastor. Penso eu de que. Magnífico.

Porquê, não sei ainda

Inquietação
José Mário Branco

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda