Paula
Já fomos e já voltámos
Mora em Lisboa e quer ir até Góis num fim de semana?
A Guarda - o visto na agenda das viagens para Norte
Foi arejar e perdeu-se.
Mimosas e uma capela
Lousã - Vila e Serra
A caminho da Serra da Lousã
A ida
Só de loucos, mesmo. As imagens apresentadas foram tiradas de dentro do carro e no caminho escolhido para chegar à Lousã.
Costumamos dizer que chegar à Lousã é como chegar a casa, embora ainda nos faltem percorrer trinta e poucos quilómetros serra acima. É da Lousã que fazemos os telefonemas para as Mães. Um hábito antigo que elas não dispensam. Compreendemos o que sentem e nós bem exigimos de outros também. Mas nem todos somos iguais em empatia, né? Ora para abreviar a ansiedade em que ficam as Mães, não custa nada avisar-mos que estamos quase a chegar.
Quem vai para a estrada, vai para a guerra. Quase. Temos alguns «ídos» antes do tempo por acidentes na estrada. Continuam a haver demasiadas mortes e feridos nas estradas por estupidez, por falta de civismo, por ignorância. As estradas, essas não podiam estar melhores, para serem usufruídas por gente civilizada. Para além disto, o ambiente atmosférico tem muita importância. Viajar em dia solarengo é um passeio, mas em dias assim, como as fotos documentam, só mesmo a vontade de estar no nosso cantinho na serra nos faz fazer à estrada. E eu que não creio, acrescento, viajo com o credo na boca ... Há energúmenos demais com volantes na mão. A chuva, o vento, a escuridão às três da tarde, são mote mais que suficiente para preocupar quem fica em casa e redobrar os sentidos de quem vai em viagem. Descontração sim, mas estupidez natural, não.
Mais uma vez fomos. E mais uma vez voltámos.
A cantiga escolhida para o «filme» é de Ingrid Michaelson, the way that I am.
Até!
«A democracia são dois lobos e um cordeiro a decidir o que vão almoçar.
A liberdade é um cordeiro bem armado a contestar o voto.»
Da janela do meu carro
Estória de 1 poste inclinado
Como é meu hábito, cliquei aqui, cliquei ali. Com o telélé ou com a EOS, o que estivesse mais à mão. Finalmente tinhamos chegado à terrinha para um fim de semana.
Uma manhã de sol radioso foi um belo presente. 2 graus Centígrados marcados no computador do carro, um friozinho de rachar e um calorzinho de Inverno entrava pela abertura da minha janela, mas o Penedo estava limpinho de núvens, à nossa espera.
Não reparei quando chegámos, mas estava lá. Há quantos dias? Desconheço. Um poste de electricidade perigosamente inclinado para avia pública, de que não demos conta porque estávamos a acabar de chegar ao nosso sítio e desejosos de entrar em casa - um frigorífico - e acender o fogão a lenha para a aquecer. Foi muito bom, o sábado gordo.
No dia seguinte, o tempo já a modos que a querer enfarruscar, fez-nos querer aproveitar e saír de casa para uma voltinha. Um salto aos primos Afonso e Palmira, depois de almoço, para a bica. Era Domingo Gordo, talvez vissemos alguns mascarados...
Metemo-nos no carro e lá fomos. Foi ao dar a curva ao pé da Capela que olhei e vi o poste inclinado. É pá! E se isto ainda cai? Vai fazer estragos.
O que impedia o poste de tombar de vez eram os cabos eléctricos e estavam tão esticados que poderiam romper-se a qualquer instante. Mas será que ainda ninguém viu isto? Será que já alguém comunicou para a EDP?
Já na Póvoa tinhamos apresentado os cumprimentos e distribuindo beijinhos quando chamei a atenção para o poste inclinado lá em baixo, na curva a seguir à Capela. «Ai está?» «Mas então ainda ninguém telefonou?» «Mas isso é um perigo.» «Eu já tinha reparado...».
Respostas que fui ouvindo. E ninguém de cá fez nada?
Olha, disse eu para a Palmira, sabes o número que eu ligo? É grátis e disse-mo. Liguei.
A senhora que me atendeu obteve de mim o que necessitou. Nesse Domingo Gordo à tarde, um pouco mais tarde do que a minha tarde, aparecerem dois senhores do piquete da EDP e arranjaram.

Nem TUDO é mau no meu País!
Boa viagem
Tarde de sábado agradável. Amanhã dizem, já chove. Vamos ver o mar? Parámos naquele local do costume, quando vamos até à Ericeira. Bem no cimo da falésia, no sítio do Miradouro. Cliquei e pus-me a navegar. Em casa, procurei ficar com as melhores fotos. Afinal foi com o telélé. Algumas eliminei-as. As outras ficam aqui, num filme pequenino, com música e tudo. Dediquei-o a uns homens, marinheiros portugueses, que andam num veleiro por esses mares fora, a dar a volta ao mundo. Continuem bem.
Mar chão e vento de feição
Navio Republicano Português Sagres ou Navio Escola Sagres? As duas coisas.
Uma vez por ano e lá ia. Durante 3 meses ficávamos sem ele. O Senhor meu Pai começou a sua vida de Marinheiro na Sagres e terminou a sua vida de mar como o homem do apito, ou seja, como Mestre do Navio.
Esta é a primeira vez que Sagres vai fazer uma viagem à volta do Mundo. Quase 1 ano a pavonear-se pelos Oceanos, o vaidoso. Imagino quem o espera nos diversos portos por esse mundo fora. Inesquecível estar num qualquer porto e olhar e ver esse veleiro de velas brancas, com as Cruzes de Cristo encarnadas, enfunadas, em todo o seu esplendor, a atracar. O movimento braçal dos marinheiros, a subida aos mastros, as velas a descerem, as vozes, um apito a comandar estas manobras ... só estando lá a assistir, para recordar toda a vida. E depois de atracado e amarrado ao cais, subirmos as escadas e entrar, pés no convés do navio. E mexer no cordame, nas madeiras envernizadas, nos latões. Descer e subir escadas de degraus estreitos e íngremes, mãos agarrando ambos os corrimões, em corda. «Desce como sobes, custa menos ... »
Inspirar e deixar que a imaginação nos leve por instantes, de viagem...
Que os ventos e marés lhes sejam favoráveis. Que tragam estórias para contar, a quem os gostar de ouvir, até morrerem de velhice.Lembrei-me de Fausto, que escreveu:
Já tenho a vela enfunada / Marrano sem vergonha / Judeu sem coisa sem fronha / Vou de viagem ai que largada / Só vejo cores ai que alegria / Só vejo piratas e tesouros / São pratas são ouros / São noites são dias // Vou no espantoso trono das águas / Vou no tremendo assopro dos ventos / Vou por cima dos meus pensamentos / Arrepia / Arrepia / E arrepia sim senhor / Que vida boa era a de Lisboa // O mar das águas ardendo / O delírio dos céus / A fúria do barlavento / Arreia a vela e vai marujo ao leme / Vira o barco e cai marujo ao mar / Vira o barco na curva da morte / Olha a minha sorte / Olha o meu azar.
No céu, um ponto que reconheço
Marido foi e já voltou. E trouxe presentes para mim, que tive ... receio ? e mais uma vez não o acompanhei. Fica para a próxima. Talvez.
De volta ao ganha-pão
Quase Outono. A minha estação predilecta.
Outono é outra Primavera, em cada folha uma flor, li algures.
Em busca de silêncios. A comissão de boas vindas
Estes apanhados são os nossos vizinhos. Ou antes, ocuparam selvaticamente o nosso espaço construído. Encontrámos debaixo do telheiro sinais das digestões, ouvimos a correria nas caleiras da casa e no algerós há cama feita de penas. Espreitam-nos por nos acharem intrusos. São muitos. Não mostram receio.
Os cantos deles é um dos sons do silêncio que procuramos quando viramos costas à capital e vamos até à terra. Tenho sorte em ter uma terra.
Apenas 1 fim de semana e regressamos à labuta. Apesar da distância, vale sempre a pena ir. E voltar, claro.
A caminho de Idanha-a-Nova
Esta Beira Baixa, não a conheço. Não vi um único rebanho de cabras. Os calhaus desapareceram e deram lugar a pedras e cabeços arredondados e ao verde nos campos. Vi ovelhas. E vacas a pastar. Ao ar livre, dentro de cercas. Que paisagem tão bucólica. Mais adiante uma placa – Idanha-a-Nova. Dentro do tempo previsto. Que lindo estava o dia. Sentia-se um calorzinho e um aroma a abraçar-nos. Parámos junto a um belo relvado e liguei à Julinha: Já chegámos! Onde estão? Lá dissemos e daí a pouco, poucochinho, a família apareceu. Depois das apresentações e dos cumprimentos, Zé disse-nos: Sigam-nos. E lá fomos nós.









