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Ao colo da Vódrinha



Este é o Rodrigo, filho da afilhada-Sofia. Não fui profícua, portanto não serei avó. Mas Vódrinha... parece que pegou. 
Visitou-me com os Pais, a mostrar-se o vaidoso, que a irmã estava na escola. Um fofo com mais de seis quilos que me pôs em palpos de aranha para poder ter ao colo. Só com dois meses, parece ser de chumbo, o rapaz. Ingere bem, faz a digestão e muda-se a fralda. Adormece a ser bem abanado, acorda, e tudo recomeça. 
De três em três horas lá vem o chorinho. Máquinas de crescer, é o que são. Mas não só. Já  oferece um sorriso, um esgar, um qualquer sinal a querer comunicar connosco, um girar de cabeça a olhar os objetos. E tão novinho!
Pois esta Vódrinha tem muito orgulho neste menino. 
Espero poder cá estar para ir ao casamento dele, nem que seja de bengala.
Saúde e Sorte bebé Rodrigo. Tal como o outro, tens nome de doce e és um doce.


Véspera de Natal


O Natal. Os sorrisos. Os cheiros. As fatias. A mousse de chocolate. O bolo Rei. As toilettes. As prendas para a troca. E estamos prontos para a Festa das Famílias. Este ano não faltou ninguém por comparação com o ano passado. Somos só meia dúzia e a quatro patas.
Com recordações, muitas, cada vez mais. Vão acumulando com o tempo. Pequeninas coisas, pequenos gestos, trazem à memória os já idos.
O Natal, para mim, é um misto de Alegria e de Saudade. Tanto choro copiosamente como me alegro. Pareço uma tola. É que já faltam alguns dos mais chegados - Pai, Cremilde, Filipe, Avó, Avô. Foram-se indo. «É tão bom ser pequenino, ter Pai, ter Mãe ter Avós...». Pois.
As ausências eternas magoam demais. Falta-me o gesto, aquele toque pessoal, principalmente do senhor meu Pai por ter sido o último a partir. Falta-me, por exemplo, este ritual. Para a Consoada, juntava-mo-nos em casa deles, dos senhores meus Pais. Já noite, batíamos à sua porta: 
- Quem é? como se ele não soubesse.
- Somos nós Pai. Dizia-lhe, depois de subirmos um 2º andar carregados de prendas e coisinhas para pôr na mesa, alegremente cansados e gelados. A porta não se abria logo.
- Trouxeram as prendas?
- Claro! Abra!
- Não estou a ver nada. E a porta abria-se e aparecia ele a espreitar, com um sorriso de alegria, de felicidade, a receber-nos. Falta-me o seu abraço, a sua voz, o seu cheiro. Os anos passaram. Mas continua a doer a sua ausência. Já lá vão 12 Natais. 

Na foto, as «minhas meninas». Elas não se zangam por as tratar assim.
Festas Felizes!

Casas vazias com estórias

Passagem para os serrados


Entrada para a casa antiga

Nesta área estava a manta sobre o mato...



Saí de casa, numa tarde muito quente deste último Setembro, de máquina pendurada ao pescoço. Vou para baixo ou subo? Cortei à esquerda, subi devagar a calçada íngreme de pedras brancas. Fui olhando as casas, algumas em ruínas, recordando quem lá viveu. Não andei muito e dei comigo aqui, neste local com estória, das minhas inúmeras passagens pela Cerdeira com a senhora minha Avó, mal começavam as férias de Verão. 
Está assim, com ar de abandono e de de ninguém por aqui passar há tempos, nem a caminho dos Serrados, agora por amanhar. 
Olhei à volta à procura de poiso, queria viajar no tempo. Resolvi ficar de pé, pois não estou só e não desejo de modo nenhum incomodar outras criaturas que sabemos gostam de aqui para sua casa. Espequei-me ao lado da figueira quase brava, que vem estendendo os seus ramos até às silvas que por sua vez já tentam entrar por baixo da porta encerrada. Casa adentro. Casa vazia de gente.
Dantes, lembro-me, esta casa era térrea, com as lojas para a rua e nas traseiras, ainda cá está, a  entrada. Um pé alto com pouca altura, assim permaneceu durante muitos anos. Até Ti'Águsta e Ti'António da quinta se irem ambos. É no sítio Pissarrinha. 
Puxei pela memória, fiz-me a miúda que fui a passar férias com a Avó Olinda, que gostava muito de se juntar a esta prima, a Ti'Águsta da quinta (era a da quinta por haver outra Águsta, a do Casimiro) para falarem, delas e dos outros. 
Lembro-me que se riam muito. Riam até às lágrimas. Dos temas, não, não me lembro. A este duo divertido, juntava-se por vezes a Ti Ana, uma mulher grande, mais redonda que a Avó Olinda, vestida de preto e com os cabelos brancos apanhados em carrapito. Não era prima, mas virava-se muito para estas bandas. Por vezes trazia a sobrinha Matilde, miúda da minha idade que hoje vive na Lousã e já é avó.
Há meio século atrás, não sei se alguém que me lê se lembra, colocavam mato nas ruas e à entrada das casas. Era uma maneira de manterem o piso seco e as casas menos sujas. É que depois, sempre passavam os bois e os rebanhos de cabras, largavam os seus «presentes» e era tudo reciclado para adubar as terras. Sorriu e penso mudámos assim tanto por aqui? Que o que se entende por saneamento básico, que é a atividade relacionada com o abastecimento de água potável, o manejo de água pluvial, a coleta e tratamento de esgotos, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e o controle de pragas e qualquer tipo de agente patogénico, visando a saúde das comunidades, ainda hoje não se faz a sério. Existem por cada casa, as fossas, algumas séticas, outras encanadas para locais que nem vou escrever; a água das chuvas, leves ou intensas, desce as calçadas e arrasta os resíduos; o que sai das torneiras, é mal pago mas bem taxado, não engolido sem se ferver e há as fossas, que no querido mês de Agosto não aguentam o uso e derramam o seu conteúdo. Os lixos, apesar dos recipientes camarários, ainda salpicam os caminhos, deixados, mandados, despejados. De electricidade em casa, só há uma vintena de anos se usufrui. Cobertura de redes para viajar na Internet com o Magalhães :) ou o simples uso de telemóvel, népia. Em pleno Século XXI, no Portugal, país europeu aderente ao Euro. O nosso futuro está longe de ficar mais civilizado.
Mas andemos, na escritura da memória. Estava a recordar o mato fofo nas traseiras da casa, coberto com uma manta de trapo, sobre a qual nos sentávamos, já com o sol passado para poente da casa. Estava bem ali, depois do lanche, a olhar o céu, a brincar com caruma, com bichos de conta e com carreiros de formigas, às cinco pedrinhas (que me lembrei eu) porque era uma criança-neta com sua querida avó, era bem tratada, estava fresco e cheirava bem. 
Volto à casa e à sua dona, a modos de despedida. A porta sempre aberta quando eu dava a volta e aqui me têm. Lá de dentro, no escuro com cheiro de lenha a arder na cozinha, de broa e sardinha frita,  surgia uma mulher pequenina e franzina, bonita, com um lenço na cabeça, a limpar mãos ao avental e uma voz que ainda consigo lembrar, fina e arroucada da Ti'Águsta da quinta: «Ó minha querida, estás tão bonita hoje! Dá-me um beijinho...»
Lamento muito olhar para «isto». Foi uma casa de família - lá nasceram 5 raparigas e 1 rapaz, se não me falha a memória. A maioria multiplicou-se e procuraram outras moradas. Presentemente a casa da Ti 'Águsta da quinta é de quem a habita. É das silvas e de outras criaturas autóctones, não dos herdeiros, que não a habitam. Por isso deu-me vontade de contar esta estória, que eu protagonizei. Para deixar aqui.
O cheiro a figos e a amoras invadiu o meu atual espaço, trazido por uma aragem quente. Saudades delas, pensei, ao clicar as fotos. Muitas foram as horas que aqui me senti bem, eu, a única miúda guardada pelas três mulheres, que conversavam entre si e riam muito do que contavam. E que já se foram. Olinda, Augusta e Ana. Porque «quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana»*


Escrito em 30 e Setembro de 2011.


*Marguerite de Crayencour

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Sorriso assim só o dela mesmo


Rafael, o meu sobrinho-neto, nasceu faz hoje 1 ano. Mãe Mafalda e Pai João estão de parabéns pelo menino que têm. Muito agradecidos pela visita surpresa.
Saúde, Amor e muita Sorte são o que mais lhes desejo. 

Noite tranquila



Há terras, sítios, lugares, no nosso Portugal, onde a noite é mesmo escura, onde os animais saem dos esconderijos e convivem connosco, noctívagos também, onde o silêncio tem sons.
Passou-se há uns dias, numa encosta de um dos montes da Serra da Lousã. Noite escura, já jantados, vivíamos os últimos momentos de umas curtas férias de apenas 5 dias. Desfrutávamos um pouco de um bem-vindo fresco que já não se aguentavam os 30 graus de temperatura diurna. Olhávamos a Estrada de Santiago e viajávamos. A olho nu. E marido «olha Marte. Olha a Estrela do Norte. Olha as Ursas». Se o senhor meu Pai ali estivesse, referiria mais algumas, ele que foi marinheiro e viajou num lindo Navio Veleiro de nome Sagres. Cada luz fixa, um sol. Cada luz treme-luzente, um planeta. Biliões e biliões, como referiu Carl Sagan.
E estávamos bem. 
Nisto, um som musical desviou-nos a atenção. Concertina a esta hora só pode ser o Carlos. Desviámos o olhar mas não o conseguíamos ver, só ouvir. Afinal, ele mora em frente, lá à frente, a uns metros de distância. Descemos à Terra. Ouvimos e acompanhei algumas cantigas (que eu também as conheço). Era a última noite. Vamos até lá? Fomos. Não sem antes cobrir-mos os braços com uma camisola, porque realmente tinha arrefecido bastante e mais, porque os que à noite se alimentam picando-nos, andam à solta e picam que se fartam.
Escura a noite, pela calçada fora, sem lanterna e com luar, uma centena de passos estávamos lá. Boa noite! dissemos. «Olha quem está a ouvir-me tocar», disse Carlos. «Entra e olha para o degrau», disse sem parar de tocar. Entrei e olhei o degrau. Um sapinho, tentando disfarçar a sua presença de encontro ao muro, na sombra da luz do candeeiro de rua. Não levava a máquina dos cliques, mas o telélé anda sempre comigo não vá ter a sorte de apanhar um risquinho na antena durante a deslocação e receber uma mensagem ou mesmo uma chamada telefónica. Com o telélé cliquei-o. Tive de o trazer comigo, como recordação, porque ainda há quem refira que os mata porque cospem para os nossos olhos...
Enquanto ouvíamos o reportório de Carlos, o sapinho sentiu-se incomodado e foi à vida dele. Segui-o com alguns cliques, poucos por causa do flash. Uma ternurinha que não virou príncipe, continuou na sua condição de sapo porque não o beijei, mas desejei-lhe Sorte.
Entretanto lá captei um som, sem imagem por falta de luz artificial embora a luz da Lua nos acompanhasse no seu quarto crescente, quase a esconder-se por detrás do Penedo. 
Parece que é assim: «Eu quero ir à minha terra / quero ouvir o cuco a cantar / quero ver as estrelas no céu / eu quero ver altinho o luar».
O sapinho, vai a seguir.
Boa noite!



Malhar o feijão




Fim de tarde. Ouvi um som. Fui à procura da origem, porque o conheço. Lá estava Laura. 
Bate. Junta tudo. Torna a bater, com força. Com uma força muito buscada, que a idade trás maleitas, mas tem de se fazer e faz-se. 
Vinga-te, atirei-lhe enquanto a clicava. É uma boa terapia! continuei. Estás zangada com alguém? Aproveita e faz as pazes. Dá-lhe com força que ele não se queixa. O feijão, claro. Nem respondeu. Teria ouvido? Ou entendido? Ou o estado de cansaço dolorido em que se encontrava, limitou o seu bom humor? Pensa em mim rapariga! Nada. Fiquei sem saber.
De joelho direito no chão, bate. Troca de joelho e bate. Senta-se. Não há posição correcta para o antigo «debulhar» do feijão já seco. Vai separando as cascas. Os feijões vão ficando no chão. Mais tarde, ainda tem que erguê-lo numa cesta, acima dos ombros, e soltá-lo lentamente para cima de um resguardo enquanto espera que uma aragem passe e leve os resquícios das cascas. Finalmente os feijões estão prontos para serem guardados. Quase apanhados um-a-um. Espero receber uma tigelinha deles.
Talvez para o próximo feriado, se lá for.



Parabéns Palmira!


Um dia em férias e um pic-nic combinado de ante-véspera, arranjado pelas mulheres (eu e Palmira) e esta foto que se clicou para fixar o final de uma viagem à Barragem de Santa Luzia, pelas boas estradas alcatroadas que serpenteiam a Serra do Açor. Foi um dia quente de verão, há cerca de uma semana. 
Terminada a viagem, na Póvoa, não, não queríamos nenhuma sopinha pois não cabia mais nada no estômago, saímos também do carro que o início da noite estava cálido. 
O Penedo mostrava-se já escuro sob um céu azul indigo e milhões de estrelas que vagueiam na Estrada de Santiago. Estávamos bem. 
Quase a dizer até amanhã, gostámos muito, obrigada por tudo, não esperávamos ouvir o Primo Afonso perguntar se gostávamos de vinho doce. Olhei Marido. Não, nunca provei, respondi. Duvidaram. A sério! Segui-mo-lo e entrámos, os quatro, numa espécie de adega e de arrumos. Havia um cheiro adocicado no ar. Olhá-mos um bidon, azul, tapado com um pano e trancado com um pau desde a tampa até ao tecto. Para o mosto não sair, que estava a ferver. Boa! Isto é que é imaginação. Nunca provei vinho doce porque as vindimas costumam fazer-se mais para os finais dos Setembros e a essa altura já costumamos estar em Lisboa, respondi. Copos a tilintar, a encherem-se, risos meus e da prima Palmira, que não, não tinha ainda álcool e à questão do costume teve resposta pronta - não faz mal à barriga, nada! Inspirei o aroma, mistura de uva americana com outra «casta» e provámos. E bebemos de uma vez e concordámos que era realmente doce. Era tão bom! E tornámos a rir e a encher os copos. E brindámos. À amizade, ao convívio são, à repetição daquele passeio para o ano, enfim, brindámos à Vida e a um dia bem aproveitado. Estávamos felizes. A foto é a prova, da prova do vinho doce.

Hoje, dia 22 de Setembro, eu quero brindar ao Aniversário do Nascimento da Prima Palmira. Uma Mulher forte, Mulher do meu Primo Afonso, Mãe de Nuno e Avó de Rodrigo. Escolhi esta foto porque tenho um copo na mão e ela também. Faz de conta que erguemos agora os copos para lhe desejar Saúde e Sorte. E que a vida não nos pregue partidas, com as partidas inesperadas dos que amamos.

Parabéns prima Palmira. Conta muitos e muitos.


Parabéns Prima Fernanda

Já cá estavas quando nasci. Conhece-mo-nos desde sempre. Foste minha Madrinha de casamento. Gostamos uma da outra e conseguimos um feit nos dias de hoje: dar-mo-nos. Mas, mais que irmãs, estamos em contacto quase diário. Queremos saber uma da outra. Melhor? Impossível.
Foi ontem que fizeste 61 anos de vida. Hoje, deu-vos mais jeito e comemorámos,«os habitués» esta data. Continuamos cá. Isso é bom.
Desejo-te muita saúde prima Fernanda. Que mais te posso desejar?

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Parabéns Sogrinha

É o clic mais actual que tenho. Ela não gosta muito que a fotografem. Mas tem de ser. Foi há 3 dias, na Serra, a apanhar ameixas, à «chinchada» como gosta de dizer. «Ó Jacinta, não é chinchada aqui, isto é nosso! Se fosse no quintal do vizinho é que era», mas ela ri-se e repete que gosta de andar à chinchada, com o riso cúmplice do filho.
À direita na foto, entre a folhagem, uma carinha de mulher concentrada no acto da escolha e apanha destas bolinhas cheirosas e da cor do sol.
É a senhora minha sogra. Jacinta da Conceição de sua graça, completa hoje 81 anos de existência. É Jacinta para mim, uma senhora com quem tive a sorte de cruzar há muitos anos, pois como sogra, faz os possíveis por ser independente nas poucas opiniões que produz, é minha amiga, é empreendedora, sempre atrás de mim para dar uma mão e quando não tem de fazer, inventa. Só pára lá para as 9 ou 10 da noite. Senta-se, começa a fechar os olhos. Vai deitar-se e tau, apaga.
Uma formiguinha com pilhas duracel, digo eu. Um exemplo para as 3 gerações existentes - filhos, netos e bisnetos.
Vou ser a companhia dela, hoje ao almoço. O convite apareceu agora, há uns quinze 15 minutos, quando lhe liguei.
«Bom dia! Parabéns Jacinta! Já mudou a fraldinha?»
«Bom dia!!! Já, já mudei duas, a minha e a do pequenito...».
O pequenito é o bisneto, que a ama vem buscar lá para as dez e meia da manhã.
«Tenho um pedido a fazer-te e estava à espera que telefonasses»
«O que é?»
«Olha, vou aí ter contigo e vamos almoçar as duas.»
«Com todo o gosto, mas olhe que ainda não lhe comprei a prenda!!!»
«Ó. Não interessa isso.»
O que eu mais lhe desejo é saúde. Não tenho mais a formular.

Um riquinho fofura-da- tia.

A roer uma côdea-crocante de pão. Pela segunda vez, por pedido meu. Adorou.
Rafael. Doce, sorridente, simpaticíssimo, bem disposto, muito dado e curioso. A dois dias de completar 7 meses.
Sou uma tia-avó babadíssima.
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Sarau anual de ginástica do Sporting que teve lugar este sábado, no Pavilhão Multiusos de Odivelas


Agora virei realizadora de filmes caseirinhos. Saíu assim. Não podia deixar de apoiar com a minha presença este encontro de gente bonita. E trazer para casa, para mais tarde recordar.
Tenho muito orgulho numa «rapariga» chamada Alice, que entrou na minha família há uns anos. Para além da sua profissão, da sua família e do seu Lar, não descura o que lhe dá prazer. E arranja tempo. E vai à luta. Um exemplo para as gerações mais novas.
Há tempo para tudo na nossa vida. É preciso é querer.
Por isso deixo aqui para vós. Quem sabe de quem falo, vai reconhecer.
Eu adorei o espectáculo.
Para o ano, espero voltar.

Até sempre!

António da Natália, Irmão de Prima Amada e Cunhado de Prima Ti'Júlia, faleceu hoje com 88 anos de idade.
Lembro-me desde sempre deste primo, direito da minha Avó Olinda. O Ti'António, magro, moreno de olhos negros, sempre teve uma cara bonita, um sorriso malandro e chamava-me de Guidinha. Desde a minha juventude, nos meses de férias, eram as suas duas mais velhas a pedirem-me para ir ter com ele, para lhe pedir para as deixar ir aos bailaricos que se faziam na Cerdeira, antigamente. Havia muita gente nova a residir lá. Éramos todos «primos e primas». Ele não deixava, à primeira. Nem à segunda. Tínhamos, eu à frente, de andar atrás dele «deixe, deixe ...», até que deixava. E lá íamos as três ter com os outros. Sem luz eléctrica, os sobrados dos tios eram o piso para dançarmos, ao toque da concertina ou da guitarra, com vozes lindas que cantavam quadras soltas e ao desafio, iluminados por candeeiros a petróleo ou petromaxes, coisa mais recente no tempo que já lá vai. «Olá Guidinha!» (consigo lembrar a sua voz) com um forte aperto de mão e dois beijinhos. Já restam poucos que me tratam assim, de Guidinha.
Criaram uma grande família, de muitas filhas e só um filho, que lhe deram netos e bisnetos. E que agora cuidavam dele. É minha convicção que os velhotes da Cerdeira, na sua grande maioria, tiveram sorte com os filhos que criaram.

No passado domingo de Páscoa, na Cerdeira, subi um lance de escadas e demos um pulo a casa de sua filha, Maria Aurora. Não era habitual essa visita... E eles lá estavam. Ele não me disse nada, apenas me fixava com uns olhinhos escuros, como se fosse uma criança a tentar reconhecer-me. Sentado, aconchegado, com a família a tratá-lo, estava bonito. Sinto agora que foi a modos que uma despedida, porque adivinhar não é para os comuns mortais.
Tal como de outros cerdeirenses já idos, vou ter saudades suas primo Ti'António, porque nunca teve uma má palavra ou mostrou mau modo para comigo.
A seus filhos Maria Aurora, Aida, Arminda, Ivone, Carlos e Isabel, genros, nora e aos netos, deixo aqui os nossos sentidos pêsames.
Até Ti'António!


Dia de celebrar

Os homens se assemelham aos vinhos: a idade estraga os maus e melhora os bons.
(Marie von Ebner-Eschenbach)

Parabéns ao meu Primo Afonso pelo seu Aniversário. 61. Que tenha um dia alegre, porque enquanto aqui andarmos temos por obrigação viver cada dia o melhor que soubermos e pudermos.
Faz o favor de seres feliz.

Lar. A casa-lar possível em certas circunstâncias

A adiar a visita, sem outra desculpa que não fosse a falta de transporte. Está em Caneças, num Lar. Deve de ser um dos poucos residentes, conscientes de onde está. É o meu primo Zé Maria. Fará este ano 91.
Fomos no dia de Carnaval. Não é tarde nem é cedo. O Governo não tirou a tolerância de ponto e Marido ficou disponível. Estava a chover. Ir onde? Visitar o primo Zé. E fomos. Levei comigo «o nariz de palhaço» para ver se o alegrava um pouco e uns pastelinhos de nata que o fazem dar estalos com a língua, tanto que gosta deles. Chovia imenso em Caneças. Com a sua filha como cicerone - vai em frente, corta à esquerda, e agora sobe aí - parámos em frente ao edifício. Entrámos. Uma lufada quente invadiu-me. O ambiente costumeiro de um Lar de gente idosa. Sem cheiros, que é coisa que logo me aflige. Todos sentadinhos, agasalhados num ambiente aquecido, espalhados em perímetro quadrado por duas grandes salas, com a televisão acesa em som de fundo e de companhia. Móveis clarinhos, paredes brancas, alguns quadros. Bons dias e sorrisos da minha, da nossa parte que não foram entendidos. Algumas cabeças ergueram-se, alguns olhares a procurar reconhecer se era para eles a visita mas que logo baixavam à posição inicial. Nem um som.
Fiquei a matutar se não haveria outra maneira de comunicar com eles, algo que os fizesse «acordar», mesmo sendo só de passagem. O meu primo Zé não está assim, felizmente para ele e para todos os que o visitam na sua nova residência, no seu Lar.
Subimos ao 1º andar, num elevador. É lá que costuma ficar, disse a filha, enquanto não é a hora do almoço ele não desce. Pus o nariz vermelho. A filha e Marido olharam-me, abanaram a cabeça e deram-me a modos de um sorriso amarelo. Feitios.
É uma sensação estranha, que se entranha, não agradável, entrar num Lar de idosos. Imaginamos o nosso futuro. E não foi uma boa sensação o que senti.
Encaminhá-mo-nos pelo corredor em direcção a uma sala e lá vinha o primo Zé, agarrado à sua canadiana. Especou-se. Olhou-nos e pela expressão a modos que pensava que uma conheço mas a outra ... quem é aquela?! Depois reconheceu-nos quando viu Marido.
Primeira frase após o beijinho e o xi-coração: Já viste onde é que eu estou? Não tive resposta. Só sorri e fiz uma festa na sua cara. Sentá-mo-nos a uma mesa. Olhei à volta. Na sala estavam três senhoras sentadas. Uma dormia, encaixada em almofadas. Outra, de boca escancarada, olhos muito abertos e fixos, de vez em quando soltava uns sons altos, agudos, que o incomodavam. Talvez fosse isso ou não mas deu-me a impressão de querer meter conversa... a outra, estava ao lado desta, pareceu-me ser a sua companhia e companheira. Foi a que me pareceu estar mais viva. Não há palavras para descrever o que senti enquanto lá estivemos, apenas uma meia horita, mas senti como se fosse uma hora bem grande, a tentar disfarçar, a contar coisas. Punha nariz, tirava nariz, distraí-o e distrai-me conforme soube e pude. Clicámos o momento com o telélé. Depois, acabou-se o repertório. Antes das queixas começarem, mostrámos sinais de vir embora. «Já vão...» disse, com a sua tradicional expressão triste. É sempre pouco o tempo para quem recebe visitas. Despedi-mo-nos. Voltaremos um dia destes, ficou a promessa, entretanto vamos falando pelo telefone.
Enquanto descíamos, eu vinha muda. Guardei o nariz na mala. Pensei que os outros companheiros estariam decerto no mesmo lugar e com as mesmas expressões de um grande vazio no olhar. Não adiantava saudá-los com a voz. Mas como não conseguiria passar por eles sem os ver, que tal um adeus com a mão e um sorriso? Vi três bracitos erguerem-se e as mãos esticarem-se em sinal de resposta. Para eles, redobrei o sorriso e abanei mais a mão, num adeus que eles reconheceram. Mas não retribuíram sorrisos.
É a vida! É o nosso futuro, se quisermos viver muito tempo, para lá do nosso tempo.
Será?

Ai o mar, o mar que falta me faz, que bem me faz.

Bi e Marido depois de umas corridas na areia ...

As senhoras nossas Mães - venham, faz bem o sol da Caparica.

Sentada em cima de uma mão, a estrela do passeio. Não passa despercebida.

Lisboa vista da Ponte 25 de Abril apresentava-se nada convidativa. Na realidade falta-lhe o Sol da Caparica

A Felicidade é feita de momentos.Temos de tomar conta do que criamos

Este é o Bebé-Rafael por fim adormecido sobre o meu coração, após ter mamado o tempo que lhe apeteceu. Poucos centímetros de pessoínha, leve ainda, tranquilo. Uma trouxinha. Quero partilhar a sensação única que tive ao ter ao colo esta criaturinha com 15 dias de vida, que me encheu de emoção. O que senti ontem, ao receber a visita do sobrinho-neto-filho-de afilhada, o mais novinho da família, só pode ter a ver com Amor, vontade de proteger, tomar conta. Coisas de Mulher. Um momento inesquecível de convívio, que quero agradecer à querida «Made by Quino» mãe amorosa e a J., o simpático Pai.
Desejos de que o nosso menino continue saudável, cresça a receber amor, educação e cuidados por parte de todos os que o amam e vivem à vossa volta. E somos tantos!
Apesar dos tempos serem de mudança e o futuro cada vez mais imprevisível, eles pertencem ao grupo de quase heróis do meu País pela sua coragem em ter um filho para cuidar. Parabéns mais uma vez, pelo rebento.
Todas as Felicidades vos desejo.

A gente logo vê-se.

Muitos parabéns à senhora minha Mãe pelo seu aniversário de nascimento há setenta e nove anos.
Bonita idade para este bonito sorriso.
Saúde! Mãe.
Até logo.

Não é linda esta barriga?

Se é perigoso pedir um conselho, é muito mais arriscado dar um. Mas entre arriscar um conselho ou nada fazer, há quem arrisque. Eu arrisco, com todos os meus defeitos, não calo o que acho que devo dizer. Com os todos os defeitos que os outros possam ter, eu não «cresci» sozinha e desprendida dos que me rodeiam.
A vida é uma batalha constante. Começa dentro deste «casulo». A barriguinha da foto, eu sei de quem é. Mas não divulgo. Aconchegado nesta forma arredondada, está um Rafael, a batalhar nos últimos retoques. Quase pronto.
Penso que existe Esperança em cada nascimento. Esperança de mudança para melhor. Esperança de não cometermos os mesmos erros que nos fizeram e a outros, adiar e mesmo perder pequenas batalhas, porque aprendemos com a experiência, não os devemos repetir.
O diabo mora nos detalhes, reza um pequeno provérbio.
Para ti que já tens nome, fica um trecho de um livro que li há tempos. Foi-me oferecido no Natal de 2002 por uma amiga, de sua graça Ermelinda. Dela nada sei há 8 anos.
«Desejo que sejas como a água.
Flui por entre os obstáculos que encontres.
Não esqueças que em certos momentos, resistir significa ser destruído.
Então, adapta-te às circunstâncias.
Aceita, sem reclamar, que as pedras do caminho tracem o teu rumo através das montanhas.
Nisso reside a força da água: ela nunca poderá ser quebrada por um martelo ou ferida por uma faca.
A mais poderosa espada do mundo é incapaz de deixar uma cicatriz na sua superfície.
A água de um rio adapta-se ao caminho que é possível percorrer, sem esquecer o objectivo: o mar.
Frágil na sua nascente, aos poucos vai ganhando a força dos rios que encontra.
E a partir de determinado momento, o seu poder é total. » (*)

(*) Paulo Coelho - Manual do Guerreiro da Luz; pág 51
Bem-vindos à festa da minha neta!
Depois de muitas rezas e promessas aos Santos, principalmente a Pedro, o dia esteve muito bom. De propósito para ela. Ora recordem lá, a ver se não tenho razão!?

A Cédula diz que foi a 29 de Setembro. Mas a comemoração foi mais à frente, a 5 de Outubro.
Cantámos Parabéns e ela esperou o fim da cantiga, encantada, para por fim apagar as velas, o apanágio de todas as festas de aniversário de crianças :). E não só.

Dia Mundial do Animal III



Este é o Fofo. Apareceu no fundo do Lugar e a minha prima Laura-a-pastora adoptou-o. Talvez há 3 anos. É um misto de cão de água com outra raça qualquer. Foi abandonado na estrada e foi descendo o Lugar. Foi sendo enxotado, até parar à porta de quem ele presentiu ser humano. Foi ficando. Arisco. Na defensiva.

Tem um olhar muito meigo de cor castanha. Gosta de ir com as cabras e dá pouca confiança a quem não conhece ou considere amigo. Coitado. Não há erva que não fique presa ao seu pelo. Não leva muitas festas por causa do aspecto que tem. Mas os donos têm lá tempo para cuidar do banho do Fofo! «Olhem lá, quando é que damos banho ao cão?» pergunta Marido, com frequência, durante as férias de Verão. Logo, amanhã, um dia destes.
É que, pelo menos uma vez por ano, tem a sorte de levar uma boa esfrega, quer precise quer não :). Banho a sério, com champô anti-tudo e molhado, claro, com água corrente da mangueira. Geralmente escolhemos um dia quente para Marido o lavar. Os donos, esses não têm jeiteira para isto. Mas basta um deles segurá-lo pela trela posta. O resto é com Marido. Como o bichinho gosta de se sentir limpo. Pelo menos de parasitas.

Nem 15 minutos foram necessários. Não perdemos tempo, ganhámos, só pelo modo como ele nos olhava nos dias seguintes. É um fofo, este Fofo. E levou algumas festas, sempre que se aproximava de nós.

Há que ajudar a cuidar.