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bin Laden

«O único país ocidental que canta no seu hino um verso: "In God is our trust" é a américa (que por acaso e para mim é um belo poema, adaptado a hino apenas em 1931) . Ainda não digeri o que aconteceu ontem. Humanos só seremos quando lutarmos por justiça, não vingança, nem prepotência. Aquela figura foi atirada ao mar. Aqui se nota a desumanidade de quem no deus-cristão acredita. Eu que me sinto agnóstica, não rejubilei. Fiquei muda, sem perceber porquê. Hoje é outro dia e continuo a não me sentir satisfeita com o acto de deitar borda fora, um corpo humano que foi morto em «terra firma». Nem de bin Laden, como se fosse um pirata, personagem da Odisseia de Omero. Estamos no Séc XXI, no lado mundo civilizado meus senhores. Terroristas, são os outros.»

Comentário que deixei no sítio de João Gil, no Facebook, onde escreveu: «Nunca entendi lá muito bem o prazer, tanto dos índios como dos cowboys, em exibir o escalpe do inimigo, e apesar de não saber o que é ver as Amoreiras a cair, não me ponho aos saltos de alegria pela morte de um assassino, preferia vê-lo apodrecer 30 mil anos numa prisão.»

Um bocadinho de tarde fria e molhada bem empregue.

Estive a assistir ao filme O exército do crime. As músicas, escolhidas pelo compositor Alexandre Desplat, tem temas lindos. Uns reconheci.

Uma bela e trágica história que é contada neste filme. De amor, de coragem, de costumes. E de desamor, terror, bestialidade humana, também. As duas faces de uma mesma moeda - a guerra.
Na Paris ocupada pelos alemães, o poeta Missak Manouchian encabeça um grupo composto de jovens - judeus, húngaros, polacos, romenos, espanhóis, italianos e arménios - determinados a lutar para ajudar a libertar a França da ocupação nazi. Todos trabalhavam na clandestinidade, arriscando as suas vidas e tornam-se heróis. Os ataques destes guerrilheiros estrangeiros aos nazis ocupantes, fazem com que a polícia francesa desencadeie perseguições, usando as denúncias, a chantagem e a tortura. A França dos Direitos Humanos a ser defendida por imigrantes-não franceses. Os imigrantes-combatentes a serem apanhados pela Polícia colaboracionista francesa.

Vinte e dois homens e uma mulher foram condenados à morte em Fevereiro de 1944. A propaganda apresenta-os como um exército do crime, com os seus rostos fotografados em forma de medalhão sobre um fundo vermelho, são afixados nas paredes de várias cidades do país. A história destes imigrantes, que morreram pela França, faz-me pensar. Um deles, Missak Manouchian, que nomearam de chefe, só queria amar, viver, saber da ciência e da arte. Eticamente incapaz de matar, aprendeu a matar, matou e morreu. Perdeu tudo em troca de nada. Fica a estória. Dele e de mais uma vintena.

Estrangeiros e, no entanto, nossos irmãos (Louis Aragon). Fui roubar daí:


Preferia não saber. Ou o contrário.

Um dia que passou, estava eu em frente à televisão de comando em punho, procurando algo, quando dei com este filme. Das palavras sem testemunhos nos outros canais passei a imagens que de palavras não necessitavam, embora as contivesse, ouvidas no original e lidas na tradução. Era um filme sobre um momento de uma das muitas guerras alimentadas por cérebros, armas e corpos. Armas que são construídas por uns, vendidas a uns outros. São dadas e utilizadas por outros corpos que apenas cumprem ordens. É de ficar louca!
É esta a nossa civilização. Custou-me encontrar o link, mas consegui. Este filme é genuíno.
Nunca é demais admitir por poder confirmar, que a crueldade é apanágio do Homem.

Que prendas? Que Natal!? E nos outros locais do Mundo?

Retirada do site da RTP1, hoje, com a seguinte legenda:
«Imagens do Dia
Insurreição
Uma sequência de atentados à bomba, no coração de Bagdade, fez pelo menos 127 mortos e 500 feridos. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, volta a responsabilizar a Al Qaeda e elementos do partido Baas, afastado do poder após a queda de Saddam Hussein.»
2009-12-08 20:51:11