Mostrar mensagens com a etiqueta Serra da Lousã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serra da Lousã. Mostrar todas as mensagens

No Caçoila, Esporão, Góis.

Páscoa de 2012. Saída de Lisboa manhã cedo. Destino, Cerdeira. A1 e A23... portagens aos molhos, que se há-de fazer?! Quase a chegar, quase hora de almoço, optámos por me dar uma folga na cozinha e parámos no Esporão. Cheirava bem no Caçoila. Cumprimentos a João e à mulher, mais à senhora cozinheira muito simpática que conheço há anos e não sei o nome. Fala-se do tempo frio com pouca chuva, embora estivesse a pingar, e dia de sol parece que só no Domingo de Páscoa, vêm por quantos dias, enfim, as conversas usuais enquanto escolhemos mesa.


Havia uma ementa especial. Olhei, olhámos. Fomos a ela, embora eu não coma «nfantis», só carne velha. Não fez mal, levou-se a minha dose para casa. Então aí fica.


Queijo fresco de cabra com mel de urze


Truta do Rio Ceira, de escabeche. Uma estreia para mim, nunca tinha comido truta, então deste tamanho nem visto. O molho estava divinal.


Sopa de Castanha da Serra da Lousã, também uma estreia para nós


Cabrito assado no forno, colocado à minha frente só para o clic



«Então, e a sobremesa? A Tigelada ainda está morna.»
«João, já não há espaço para a Tigelada!»
«Mas... têm de provar!» E marchou, com alguma gula à mistura e uns golinhos de café para rematar.
E comemos tudo o que tínhamos direito. Saímos consolados, direitos a casa, que estava um friozinho de rachar e havia imensas coisa para arrumar e amêndoas para distribuir. 

O meu sítio seguro


O entardecer de um dia escaldante de Outubro de 2011.


O lusco-fusco de uma noite que se adivinha mais fresca.


De novo, um amanhecer quente.

Isto não é habitual.

Malhar o feijão




Fim de tarde. Ouvi um som. Fui à procura da origem, porque o conheço. Lá estava Laura. 
Bate. Junta tudo. Torna a bater, com força. Com uma força muito buscada, que a idade trás maleitas, mas tem de se fazer e faz-se. 
Vinga-te, atirei-lhe enquanto a clicava. É uma boa terapia! continuei. Estás zangada com alguém? Aproveita e faz as pazes. Dá-lhe com força que ele não se queixa. O feijão, claro. Nem respondeu. Teria ouvido? Ou entendido? Ou o estado de cansaço dolorido em que se encontrava, limitou o seu bom humor? Pensa em mim rapariga! Nada. Fiquei sem saber.
De joelho direito no chão, bate. Troca de joelho e bate. Senta-se. Não há posição correcta para o antigo «debulhar» do feijão já seco. Vai separando as cascas. Os feijões vão ficando no chão. Mais tarde, ainda tem que erguê-lo numa cesta, acima dos ombros, e soltá-lo lentamente para cima de um resguardo enquanto espera que uma aragem passe e leve os resquícios das cascas. Finalmente os feijões estão prontos para serem guardados. Quase apanhados um-a-um. Espero receber uma tigelinha deles.
Talvez para o próximo feriado, se lá for.



Assim não deixa saudades

Último pôr-do-sol das férias de Verão.

Pela beleza desta despedida, agradeci.

Pelo amanhecer da partida, agradeci também.
A viagem iria ser fresca ...

Vale Torto, pertinho do céu.


Bi à espera que eu suba por essa escada de dois degraus de pedra, antiquíssimos, que eu trepava tão bem quando era miúda.





O Vale Torto. Lugar na encosta de um dos montes que formam a Serra da Lousã, pertinho do céu e dos Penedos. 
Um abraço para a família de Maria.
Um abraço para a família Simões.

A barroca da minha infância

A saudade que tenho da frescura destas águas doces e frias que brotam, um fio, por debaixo duma fraga lá mais acima, se alargam e se estreitam conforme o seu leito feito de pedras, fetos e outras verduras e que chegam aqui. É aqui, na «minha» barroca, que se essas água se expandem, ficam baixinhas. O seu fundo vai subindo de ano para ano, com um acumular de tudo o que as águas trazem e deixam aí depositadas. É um local esquecido. Não por mim. Vai ser bom mergulhar os pés descalços, nas tardes quentes de Verão que ainda estão para vir no próximo Setembro.

Para chegar ao calhau e me sentar - um calhau que rebolou do Penedo há muitos tempos atrás e por ali ganhou cama - sofro um pouco, fazem mossa, as pedras nos meus pés. Ai, ui, algum equilíbrio e sento-me. Sucesso! Olho à volta, aguço o ouvido. Marido na margem seca com Bi ao colo, que a menina não pode molhar-se ... som de águas e pouco mais. Verdes eucaliptos, e mais verdes silvas e moitas e moiteiros e fetos.

Estou ansiosa. Sempre vale a pena ir até lá. Sempre valeu a pena.
Pena mesmo é não ser limpa, aproveitada para todos e por todos...

Estou a 3 dias de mudar de sítio. Lisboa vai de novo encher-se de azáfama. Lá em cima, apenas os silêncios dos que lá moram, o ar respirável, a barroca, o Penedo e pouco mais. Ah! e as courgettes. Já me esquecia das minhas courgettes.

Posted by Picasa

Estar de bem




Acabada a «reportagem» resumida da subida aos Penedos de Góis (neste momento não disponho de mais material para colocar aqui), volto ao que foi o meu fim de semana prolongado, que soube muito bem e retemperou forças para mais uma quinzena de trabalho. São só mais uns dias, vá lá! Estamos a meio do «meu querido mês de Agosto». Quando Lisboa se encher de novo, os emigrantes voltarem ao País do trabalho, lá vamos nós, gozar as restantes férias do ano para a Serra, de onde não me apetecia nada ter saído ontem. Mas a vida apresenta-se assim. Há que encará-la, não?
Como diz a frase: «Há homens que têm patroa. Há homens que têm mulher. E há mulheres que escolhem o que querem ser» ... eu quero ser e sou a mulher que acompanha o seu homem, que convive com o seu homem e que não depende dele, monetariamente. Daí estar de novo em Lisboa. A escrever, a fazer de dona de casa, enfim, por aqui.
Apesar deste meu feitio se adaptar às circunstâncias, sinto que da minha vida irei sair a perder ... entre o que sou e o que queria ser, vai um passo de gigante. Para me explicar melhor dar um exemplo, eu queria muito ter ficado lá em cima, no meu cantinho na Serra, a cuidar das «minhas» courgettes e dos vasos dos tomates e do pimentinho pequenino e do cantinho das aromáticas, que lá estão, sós, à espera duma pinga de água, que eu sei, vão tendo. Mas não sou eu que dou. E queria. E quando a noite chegasse, arranjaria um local à sombra de qualquer luz, ficaria quieta, namorando o som silencioso da Estrada de Santiago, ouvindo apenas cigarras ou ralos, quiçá um mocho ou uma coruja, que vivem nos pinhais e eucaliptos da band'álem. Olhando para cima, àqueles pontinhos minúsculos a vidas de distância, jogaria palavras para o ar, daquelas que eu tanto gosto: «serena, chama, subtil, perfume, alvo, murmurinho, alma, aia, âmbar, cisne»*. Lembraria momentos, pessoas, vozes que por ali já passaram. Até chegar o primeiro sinal de cansaço, um bocejo, ou porque não, a visita de João Pestana. Sem Internet, sem um risquinho sequer na rede do meu telélé.
Lá, onde a calma reina, eu senti-me-ia bem. Mas não fiquei lá. Segui-o. E vou estando por aqui, fazendo daqui o melhor que puder e souber.


* José Eduardo Agualusa - Milagrário pessoal; pag 58

Dia de subida ao Penedo


Domingo, 14 de Agosto. 8 e vinte e dois da manhã. Fui à janela. Senti um arrepiozinho. Respirei fundo. Aquela atmosfera lava até à alma.

Mas onde está o Penedo? E sons de vozes? E as vuvuzelas? Nada. Devem ter ido espreitar à janelas e depois de uma noitada Pedro-o-que manda-no-tempo esteve com o grupo. Não estava dia para subir o Penedo, decididamente. Caminha, de novo. Olha que sorte tiveram!

Colhedora de pedras

Depois de uma cama nova com lençóis frescos e fofos, espero bem que as hortenses se habituem a este canteiro e expandam raízes. Vou esperar florirem. Os vasos, de barro, foram rachando à medida que três Invernos transformaram a terra em gelo e vice-versa, com o calor de cerca de 40 graus C.
Aprecio imenso hortenses. Pelas cores que podem adquirir conforme os nutrientes que as águas carreguem ou acrescentados pela minha mão. E são resistentes. Para se viver num sítio como aquele, tem de se ser resistente.
Sei que o tempo da muda não foi o certo. Enquanto as mudava, fui conversando com elas, que iriam ficar em melhor cama, que desejava muito que se aguentassem e vivessem felizes. Até lhes enfeitei o canteiro. Com pedras. E enquanto o fazia, viajei. Estávamos entre Vila Praia de Âncora e Moledo. Avistámos uma ermida lá ao longe. Encaminhá-mo-nos para uns clics. Por um caminho com nome de rua engraçada - do Caído. Não lhe chamaria melhor, pois todos os passos que demos foi a controlar o chão que pisávamos.
Para lá da Capela de Santo Isidoro, a estória das pedras. O chamamento do mar. Tinha de me aproximar do mar. Só espreitar. Ainda a fazer a digestão, ouvi em tom de admoestação e daí a pouco os pés já molhados, foi sentar-me, ficar a olhar aquele azul e a ouvir aquele som enrolado. Foi bom. E foi também o princípio de uma canseira.
À minha volta, todo a terra era composta de pedras com formato ovo. Nunca tinha olhado nada assim. De grandes como um ovo de Páscoa até pequenas como de codorniz, tinham tons diferentes e eram de diferentes origens. Impossível não trazer algumas. Quando o sol começou a ser incomodativo, levantei-me e virei colhedora de pedras. Para um monte. Depois foi escolher as mais bonitas para um outro monte. Ficaram mais dos que as que trouxe. Mais traria, se Marido não fosse o carregador-mor de tudo o que transportamos quando em viagem.
Até de pedras, lamentou-se! ... Mas eram tão originais!

Posted by Picasa

Transplantei-a

Upa, upa, alfacinha :).
Posted by Picasa

Citronela

Comprada na Plurijardim, na Lousã.
Conhecida por suas propriedades de repelir moscas e mosquitos.
Está perto da porta.
Veremos.
Posted by Picasa

Quand nous en serons au temps des cerises / Et gai rossignol et merle moqueur




As cerejas. Na Serra da Lousã.
E com cantos de melros.
Há coisas que nunca mudam.

Da minha janela. Em 28 de Maio de 2011

A janela é lá na Serra. A da Lousã. Encontrava-me a lavar a louça do jantar, dia 28 de Maio. Um dia especial por mais que um motivo. Entrada em férias e aniversário da minha Pitú. 20 anos de vida cumpridos hoje, neste planeta. O tempo, ai como o tempo passa depressa. Ai como os sentires se modificam. Ai como as escolhas que se fazem e as decisões que se tomam conseguem marcar negativamente a minha vida. Ai como lamento. Ais demais. Valeu-me uma boa viagem - que as estradas são uns tapetes de veludo - o motorista cuidadoso e o trânsito reduzido. É bom estar de novo num cantinho que me faz sentir tão bem, apesar dos pensamentos estarem em Lisboa, num ausente bolo de aniversário.
Ficar aqui, apenas um fim de semana, que as férias neste Junho não serão no Sul, mas no Norte. Na 2ª feira, bem cedo, meter-nos-hemos estrada fora.
Ao entardecer, uma luz diferente entrava pela janela da cozinha, frente ao lava-louça, coada pela cortina que a cobre. Batia-me na face, nas lentes, com uma luminosidade fora do normal. Limpei uma mão e levantei a cortina. Limpei a outra e muni-me do telélé. E fiquei a contemplar durante uns minutos aquela aguarela. Cliquei o momento. Não resisti. Depois de uma tarde de chuva e trovões que ecoaram vindos de longe, ali estava a promessa de um dia seguinte solarengo - este pôr-do-sol glorioso.


Posted by Picasa

Encontrei a foto da postagem de ontem

O amigo ido ontem, Manuel Oliveira, é o 2º a contar da esquerda. À sua frente, a mulher, Geraldina, num clic que registei em Setembro de 1998, por altura de um lanche levado pelos meus primos Afonso e Palmira, a modos de despedida de férias, a um cantinho da Serra da Lousã. Contei a estória aí.

Despedida

Com o passar dos anos e a idade aumentando, vamo-nos com alguma frequência despedindo de amigos e conhecidos.
Soube agora que o Sr. Manuel Oliveira, casado com Geraldina (que é irmã da minha prima Palmira, nascidas nos Ameeiros), faleceu.
O Ti' Manel era natural da Roda Fundeira e criado em Vale d'Abilheira, não da Aguieira, como por engano escrevi. Vamos a ver se acertei desta vez.
Conheci-o na Póvoa da Cerdeira, quando em convívio nos encontrámos. Partilhámos um pic-nic (o último do senhor meu Pai), alguns baptizados, um casamento e algumas despedidas.
Tocava muito bem concertina e acordeão. Dele fica a recordação de um bom homem, simpático, sempre com boas palavras e com quem convivíamos nas festas dos «Canecos». Sinto muito que tivesse ido. Ficámos mais pobres com a sua ausência.
À mulher, Geraldina, e a toda a sua família, os nossos sentidos pêsames.
Até.

PS: Tenho foto e se calhar algum filme que vou procurar. Actualizarei este post mais adiante.

Da minha janela, na Serra da Lousã


Abri os olhos ainda era noite. Eles já cantavam e o som ordenou-me: levanta-te.
De telélé em punho, abri a janela. Este foi o meu acordar no Sábado, 23 de Abril de 2011, 7:13:28, na Cerdeira.

Um dia tenho: - de adquirir uma máquina de filmar «comme il fault».

Entardecer

Cerca das 17:00h

Cerca das 20:00h

A última. 20:23h.

Refrescou. Até amanhã.

Cerca das 20:27h - uma aguarela. Um presente




Voltei. Friozinho que obriga a casaco vestido. Baixou a temperatura. Não apetece ir para dentro. Que espectáculo, gratuito, a natureza nos oferece, se estivermos atentos às mudanças que cada dia nos oferece. É o Presente. Um presente.

Cabrito preto

«Tens de vir ver o cabritinho que nasceu. É todo pretinho.» Peguei na máquina, despedi-me com o olhar da cadeira onde me encontrava sentada com um até já e fui. A tarde estava quente. O céu mostrava-se azul, salpicado de vez em quando por uma negra nuvem, que largava a carga de água e seguia o seu rumo ao sabor do vento.
Valeu a pena olhar e clicar. Tem cerca de uma semana este bichinho. Sorte a dele ter nascido perto da Páscoa. Se fosse mais velho duas semanas, já tinha ido. Que mania horrorosa essa de sacrificar estes pequenos para degustação pascal.



A mãe cabra e um primo pequeno aproximaram-se desconfiados, tal como outros mamíferos quadrúpedes quando um humano deixa o seu odor de colo no pelo da cria.

Manteve-se o bom tempo. Ela esperou-me. A esta hora, a sinfonia da tarde ainda não tinha começado. Os meus ouvidos citadinos parecem ensurdecer perante o silêncio, que é de ouro, prata e pedras preciosas.