Por isso e apesar dos avisos meteorológicos, seguimos com mantimentos, não fosse o diabo tecê-las e a impossibilidade de viajar pela Nacional 2 se tornasse um pesadelo.
Chegámos às cinco da tarde de quarta feira e o sol já tinha passado para detrás do Penedo.
A noite já se instalara. A noite e o frio de vento cortante, seco.
Descemos ao fundo do Lugar. Chave na porta e um frio de tumba. Dentro de casa o termómetro marcava 3 graus. Credo!
Acender o fogão e ligar o aquecimento, a prioridade e tarefas de Marido. Arrumar a tralha, fazer o jantar, a minha. Aproveitar o que viesse, a nossa. E mexer-mo-nos, que quem se mexe aquece.
De manhã, dez horas e upa da cama. Fui espreitar. Estava branco o meu Penedo. De gelo e só lá em cima, que o sol já tinha derretido algum, cá mais abaixo. Respirar o ar frio de 2 graus na serra é muito perigo para «alfacinhas» como eu. O nariz gelou enquanto cliquei. Gelei toda. Impressionante. Apesar disso, não haver chuva, era o melhor dos presentes.
Ir passear. Para onde? Aquele frio, o frio como nunca sentimos naquele Lugar «de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros» como falou José Régio mas do calor, em Portalegre, fez-nos ser prudentes e ficar por ali.
Do Outono, das suas cores, já pouco resta. O Inverno instalou-se. De malas e bagagens.