Adeus Ti'Júlia, até sempre

Júlia, em Setembro quente de 2005: *Vem, senta-te aqui. Vou contar-te estórias de vidas que por aqui passaram…

Partiu hoje a minha prima Ti'Júlia, de manhã cedo. Com Laura-a-pastora, são protagonistas de algumas das minhas estórias. Laura, sem pais nem filhos sente-se orfã. Desde que nasceu viveu com a mãe, todos os dias. Júlia, quase com 93 anos, teve uma vida que chegou a bisnetos.
O fundo do Lugar da Cerdeira de Góis ficou mais pobre, porque se foi uma contadora de estórias-reais, uma pessoa que apesar de *feitiosinho das Antónias* sabia cativar quem a visitava. E que por isso mesmo eu a visitava assiduamente, enquanto por lá, em férias.
Foi testemunho da estória viva das gentes deste povoado. Bastava perguntar-lhe por sicrano ou beltrano do antigamente e ela sabia de tudo. Sim, do antigamente, porque nos últimos anos ela apenas repetia o que lhe contavam. Fazia questão de afirmar: oh! filhinha, eu não estava lá para ver ...
E já agora Ti Júlia, se me estiver a ouvir, pergunto-lhe: já encontrou o guarda republicano???
Até sempre Ti'Júlia. Um último xi-coração de saudade.

2 comentários:

Tina disse...

um xi-coração apertado.

Guidinha Pinto disse...

Obrigada Tina.
Beijo.