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Hoje em dia, já não utilizo.

Tal como a televisão, cumpre-se hoje a inauguração do Metropolitano de Lisboa. Há 50 anos. Eu era uma miúda de 6 anos, mas recordo-me do movimento das pessoas e de ver umas escadas que elas desciam e desapareciam debaixo da rua. Aquele M em fundo encarnado, ao lado do primeiro degrau, o bafo morno com cheiro a electricidade que vinha lá debaixo, foi coisa que sempre ficou na minha memória. Havia medos. E se houver um acidente? Andar lá debaixo da terra com'ás minhocas? Eu não!
Nós aproveitámos e fizemos a nossa primeira viagem indo do Chile até 7 Rios. Fomos visitar a «família» ao Jardim Zoológico. Tivemos de mudar no Marquês de Pombal, subir e descer as escadas para a plataforma em frente. Foi uma aventura. Há uma foto desse dia, no Jardim Zoológico, em casa da senhora minha mãe.
Lembro-me do mapa em Y, que indicava serem Sete-Rios, Campo Pequeno e Rossio as três estações onde se iniciava cada linha. O Marquês de Pombal era o vértice das duas únicas linhas inauguradas.
Lembro-me do aviso eléctrico que estava pendurado nos tectos de todas as estações, indicando qual o destino do próximo comboio e quantos minutos faltavam para a sua chegada.
Lembro-me que havia uma cabine em cada estação e que lá dentro havia um senhor fardado a quem podíamos pedir informações.
Mais tarde, por volta dos meus 9 anos, saímos de casa dos avós e fomos morar para uma casa novinha em folha, em frente ao Jardim Zoológico. Durante muitos anos, o Metropolitano foi o transporte eleito dos lá de casa. Sorte a nossa. Era muito mais rápida a viagem feita no metropolitano que nos autocarros e nos eléctricos que nesse tempo passavam na Estrada de Benfica. Tínhamos paragens perto das escolas, da família que se visitava e dos locais de trabalho.
Recordo que a única estação que tinha escadas rolantes era o Parque (espero não estar equivocada). Algumas vezes eu e coleguinhas minhas desviámos o percurso directo da escola para casa (Rossio - Sete Rios), para andarmos escada acima escada abaixo na estação do Parque. Até que vinha o "fiscal" e corria connosco, dada a algazarra que fazíamos. Inocentes garotices.
Tenho muitas saudades do tempo de andar naquele Metropolitano. Foi um bom tempo. E é do meu tempo esta inauguração.
Aqui está o mapa da ampliação das linhas ao longo dos 50 anos de existência.

Fiz 3 peças para prendas de Natal

Iniciei-me na decoupage, a técnica do guardanapo. É preciso querer fazer, procurar como se faz e ir às compras. Imaginar o quê para quem. E sairam 3 peças para três pessoas muito especiais para mim: Mãe, Sogra e sobrinha-afilhada «madebyquino». Tomei-lhe o gosto. É viciante. O tempo também tem de ajudar. Como parece que estamos em África equatorial, há que esperar por dias mais secos.

Neste momento já tenho mais caixas e mais tintas compradas e uma pequena colecção de guardanapos. À espera.

Kim Peek, the original Rain Man, dies - Times Online

Kim Peek, the original Rain Man, dies - Times Online
O verdadeiro "Rain Man" morreu hoje. Só com 58 anos.

O meu presépio e um poema

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.

– Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!

– Está bem, eu sei!

– E as garrafas de vinho?

– Já vão a caminho!

– Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?

– Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:

– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!


Poema de João Coelho dos Santos, in “Lágrima do Mar” - 1996
Recebi esta prendinha por e-mail. Não posso deixar de o partilhar convosco.
Obrigada Ana Filipa.

Ausências: o LP, o Pai e as Fatias


Quando a Festa de Natal era passada em casa dos Pais, lembro-me que ao entrar carregados de prendas e doces, haver sempre música desta quadra a tocar. A tradicional, em língua inglesa. O som saía das colunas de um velho gira-discos que havia na sala de jantar (sala comum), ornamentada com uma enorme árvore de Natal e um presépio ao lado. Havia muita luz, muita cor e principalmente um ambiente de FESTA e ALEGRIA nos rostos. Um único LP era tocado uma vez por ano, na noite de 24 para 25, de cada Dezembro. Ouvíamos cerca de 12 ou 13 das mais famosas canções de Natal. Umas atrás da outras elas iam tocando. Quando o som se calava, lá ia o senhor meu Pai virar o disco e tocar o mesmo. Era ao som de músicas como It's Beginning to Look Like Christmas, Jingle Bells, We Wish you a Merry Christmas, Santa Clause is Coming to Town, Ruldolph the Red-Nosed-Reindeer, O Come All Ye Faithful, and so on, em tom baixo, que a Consoada era degustada e levantada a mesa e reposta, com os doces e vinhos. A conversa era mantida até chegar a meia-noite e a distribuição das prendas. Eu dava pela falta do som quando o disco terminava. Mas com o barulho das vozes e das luzes, quase que passava despercebida. Mas o senhor meu pai dava por isso, interrompia a conversa e dizia «a música parou». Alguns diziam baixinho «estamos bem sem ela» ou «já chega de música João», mas ele levantava-se e ia até ao aparelho virar o disco. Até que o senhor meu pai achasse que nos devia dar música, ela Com o passar dos anos, os Natais começaram a ser festejados também em casa dos filhos. Porque o Natal é das crianças e entretanto uma «pituzinha» nasceu na família e a canseira da preparação de uma festa de Natal começava a notar-se. Uma ano em cada casa. Mas faltou a música. Deixamos que a TV ditasse as modas.
A modos de guardar e recordar, pedi o disco emprestado e gravei duas cassetes com as músicas do LP. Dei uma ao senhor meu irmão. Guardei a outra.
Com o passar dos anos deixámos de ouvir em fundo, na noite da Consoada, as velhas músicas de Natal.
Cá em casa, a cassete gastou-se. E Pai foi-se, há já 10 Consoadas.
Há pouco tempo, em conversa de telefone, a comentarmos o que acumulamos em nossas casas ao longo das nossas vidas, soube que todos os discos, incluindo o LP de músicas de Natal, tinham sido oferecidos pela senhora minha mãe, a alguém. Esqueceu-se de me perguntar se eu gostaria de ficar com algum, para mim.
No seguimento de perdas, mais uma estória. Por via de uma constipação bastante persistente, não vão haver Fatias da senhora minha mãe. Não as vamos provar pela 1ª vez este ano. Posso afirmá-lo, porque fiz as contas, cerca de meio século pelo menos, houve sempre Fatias. Uma travessa grande, cheia de fatias douradas, macias, húmidas de açucar e canela, que eram distribuidas por todos no final da festa e duravam em minha casa até aos Reis.
Resumindo: A minha maior saudade continua a ser do senhor meu Pai. O seu LP de Christmas Songs também se foi. E até as Fatias Douradas este ano não as provo!
Desejo-me, apesar disto tudo, um FELIZ NATAL!

Aminatou Haidar regressa a casa

Foto roubada de um blog

Uma boa notícia: Mundo - Activista Aminatou Haidar regressa a casa um mês depois - RTP Noticias, Áudio.
Como criatura humana e como mulher, eu penso que os filhos dela estão mais felizes por a terem de regresso a casa viva e não mártir.
Aminatou vai decerto continuar a ser uma activista em prol da República Árabe Sahrawi Democrática e dos direitos humanos.
Como muitas outras, Aminatou esteve disposta a deixar-se finar por uma causa. De volta ao seu País terá oportunidade de lutar pelo que defende, no local certo e viva.
O que pressionou os políticos de Marrocos ou mudou para esta mulher ter autorização para regressar a casa, desconheço. Mas também não me interessa. O pesadelo acabou.
Aminatou foi laureada em 2008 com o «Robert F. Kennedy Human Rights Award».
De todo este mundo louco em que vivemos, não sei que pensar.
Só quero deixar escrito que fico muito feliz.

Dá para rir?

Já agora, que tenho andado com pouco tempo para escrever coisas, mas não ando a dormir (desta vez, não me apeteceu), abalei-me antes do tempo com esta notícia: O Parlamento aprovou, em 11 de Dezembro, a proposta do PSD de alteração ao Orçamento do Estado para 2009 para que a Madeira possa contrair um endividamento até 79 milhões de euros. A proposta inicial do PSD seria a possibilidade de as regiões autónomas da Madeira e dos Açores pudessem contrair um endividamento de até 129 milhões de euros.A proposta foi aprovada com votos a favor do PSD e de um deputado do CDS-PP eleito pela Madeira, José Manuel Rodrigues. A surpresa foi a posição do PS que optou por se abster. /... In ionline.pt

Parece-me que os contenentais cubanos, como Alberto João gosta de nos chamar à laia de insulto, vão ter de continuar a pagar pelo paraíso fiscal da madeira e pelo diálogo sem conflitualidade entre o PS e o PSD. São cerca de 79 ooo ooo €. É muito bago! Se não tem dinheiro, oh senhor Alberto João, não nos imite. Quem não tem dinheiro não tem vícios! Estou desejosa do fim do ano para lhe apreciar a figura e os folguedos.

Eu bem disse que «eles» se iriam entender. Só nunca pensei que fosse tão cedo e às nossas custas. Não há mesmo verticalidade alguma nestes nossos políticos.

Eu sobrevivi ao Sismo de 2009

«E a terra espreguiçou-se. Estava sentada num sofá, a ver um filme na TVI (a única coisa que me leva a clicar no botão 4). Bandits, com Bruce Willis, Cate Blanchett e Troy Garitty. Músicas conhecidas, actores belíssimos e também as paisagens. De repente, senti-me sacudida para a frente e para trás. Assustei-me. Estava sozinha! Tal e qual como quando vamos num carro e há necessidade de travar, de repente. Foram milésimas de segundo. Pasmei. Fui ao quarto e marido dormia. A minha cadelinha nem acordou. Só a água, do jarro de vidro com uma aste de bambu, pareceu nervosa ~~~~. Olhei o relógio. Marcava 01:38H. Esperei mais qualquer coisa, mas não houve mais nada.»
Foi o que escrevi no Facebock.

Tão ridículo, tudo isto.

Imagem roubada de «fliscorno», via email de D. Bacelar ;)))

«Nunca recebi presentes do senhor Manuel Godinho. A não ser quando se deslocou a Vinhais e me ofereceu uma caixa de robalos.», Armando Vara, No DN. «E um equipamento [desportivo do Sporting Club de Esmoriz, clube patrocinado por Manuel Godinho] para o meu filho.»
Ainda:
«Se o dinheiro
custa a ganhar
mais vale roba-
lo»
:)))
Só postei porque achei gira a ilustração. E o poema. Porque as declarações proferidas há dias são muito pobrinhas, ridículas. Para me lembrar de como isto tudo há-de terminar.

BOAS FESTAS

Poema de Vinicius de Morais, interpretado por Camila Morgado e Ricardo Blat. Trecho extraído do filme de Miguel Faria Jr. POEMA DE NATAL

«Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos

–Por isso temos braços
longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos

–Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai

–Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte

–De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem;
da morte, apenas nascemos,
imensamente.»

FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS, OS QUE ME VISITAM

ESTEJAM ATENTOS

Não tem conta no BPN?
Não levante dinheiro nos terminais do Banco Português de Negócios, se tem um cartão de débito com dupla função. Fica sujeito a comissões

SAIU HOJE, DIA 11 DE DEZEMBRO DE 2009, NA PRO TESTE, esta informação.

Como estamos em Portugal, ainda não há a identificação das caixas Netpay e o alerta para as comissões que são cobradas. Podemos ser levados a engano, escusadamente.

O Natal é em Lisboa

Tenho 'ânsias' de aqui vir, a este espaço. Tantas coisas para escrever, mas falta-me o tempo.
A foto foi clicada no início do mês. Mostra Vale Torto, um Lugar vizinho nosso. Convenci-me que este ano, os 4 dias das festas natalícias iriam ser passados a respirar esse ar que se imagina na foto. Isso há uns dias atrás. Até cheguei a convencer algumas pessoas. Agora, com as temperaturas realmente a descer, decidi: O Natal vai ser passado em Lisboa, não na Serra. É mais prudente e os outros meus 5 vão aceitar e ficar contentes. E mais quentinhos. Ainda alguém poderia constipar-se ;).
Tenho estado ocupadíssima, a fazer coisas para oferecer, a comprar (o quê? é o mais difícil), a telefonar, a receber telefonemas. E de vez em quando lá vem a memória lembrar-me os já idos porque sinto a sua falta. Neste tempo sinto-lhes a falta.
Vou trabalhar. Espanto a melancolia e adianto coisas que estou a fazer pela primeira vez na minha vida, como a decoupage. Vamos a ver o que sai daqui.
Até. Até eu teu um bocadinho para estar aqui. Fiquem bem.

Um livro - Uma prenda, um presente


Adquiri - a prenda natalícia de mim 'pra comim' - e comecei a ler «HUMANIDADE. Despertar para a cidadania global solidária» de Fernando Nobre, Presidente da AMI. Recomendo a leitura. Sabe do que escreve. Esteve lá. E relata, sem medos, para nos alertar.
Vou apenas no início da leitura, mas é muito perturbante. Após diversas constatações, na página 84, transcrevo: «Não há mais um segundo a perder! Governantes humanistas, com conhecimentos, estratégias e determinação precisam-se. Urgentemente».
Eu estou a pedir o mesmo, há que tempos.

Para juntar algumas 'provas', encontrei estas. Actualíssimo, tanto o livro como as fotos. São Fotografias de conteúdo dramático. Porque existem homens e mulheres e crianças que sofrem mas também que conseguem o seu máximo e homens e mulheres que os captam, nuns clics, nos momentos certos. Emoções, principalmente.

Porque por cá, a Liberdade existe para as divulgar, e porque por cá, a liberdade existe para tomarmos conhecimento, vou juntar palavras e imagens. São imagens fortes, de sofrimento. Todas retratam o auge de um momento da humanidade. Da guerra na sua maioria. Da esperança em poucas. Da impotência em bastantes. Das reacções da mãe natureza e do desespero nas gentes, em algumas. Dos refugiados, as suficientes. Do desamor pelo outro, noutras tantas. Do esforço humano recompensado, as evidentes. Também do amor, em apenas duas.

A História de uma década em 100 imagens, Fotografias é deste início de século, de conteúdo dramático e muito fortes. Decerto haverá muitas outras 100's para serem divulgadas. Mas esta foi a escolha dos autores. E já sobra pano para mangas.

Nenhuma é sobre Portugal. Deduzo que é um bom sinal, comparando o meu povo com os povos de algumas das imagens. Fazemos as nossas próprias porcarias mas são tão medíocres que não somos notícia para o Mundo. Da demagogia me queixo, porque a considero tal como o poeta: uma ratoeira. Porque há, cada vez mais esta prática. E se há repórteres nacionais que nos mostram a nossa realidade, a maioria vende o que a voz do dono manda.

Estou 100% de acordo com este Senhor. Com o pensar do Dr. Fernando Nobre, pessoa portuguesa que muito admiro pela sua obra, pela sua maneira de ser e de estar na vida. Pelo que nos transmite da sua experiência. E já agora, deixe-me agradecer-lhe a sua dedicatória no seu livro, pela parte que me toca, por não ter sido profícua e ser tia de todos. Escreveu assim:

Dedico este livro .../ aos meus filhos (os biológicos e os de todo o Mundo)
.../. Dedico este livro a todos os seres vivos e ao nosso planeta Terra.


Que prendas? Que Natal!? E nos outros locais do Mundo?

Retirada do site da RTP1, hoje, com a seguinte legenda:
«Imagens do Dia
Insurreição
Uma sequência de atentados à bomba, no coração de Bagdade, fez pelo menos 127 mortos e 500 feridos. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, volta a responsabilizar a Al Qaeda e elementos do partido Baas, afastado do poder após a queda de Saddam Hussein.»
2009-12-08 20:51:11

Merry Christmas

FELIZ NATAL aqui, cantado à moda antiga, com voz quente. Um trabalho de Joshua Held, 2002.

Ouça e divirta-se.

Obrigada GuidaPinto-minha-homónima, que me enviou por e-mail.

Dia de Festa, adiada

Não contaste com a nossa presença no dia do teu aniversário, por ser um dia de semana e de trabalho. No entanto, teimaste em fazer outra festa para nos teres presentes. Assim, no dia 5 de Dezembro juntá-mo-nos e mais uma vez ouviste cantar Parabéns e mais uma vez apagaste as velas do teu bolo, para gáudio da nossa Ana Luísa. Rapariga perseverante esta nossa primeira Afilhada!
Data histórica a do teu 1º aniversário: 25 de Novembro de 1975. Moravas na Baixa de Lisboa, numa das transversais paralelas ao Tejo, perto do Tito Cunha. A noite estava fresca, sem chuva. Nós, os teus Padrinhos, jovens e «inconcientes» embora as notícias nos mandassem ficar em casa, saímos já noite e apanhámos um táxi. Havia recolher obrigatório, barricadas, soldados na rua. Mas fomos e voltámos e ninguém nos mandou parar.

Ainda está por contar ao País a história do 25 de Novembro de 1975.

A tua estória, essa é só tua. Parabéns querida Sofia.

Cadeira Vazia



Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão.


Letra de Lupicínio Rodrigues

Este poema foi cantado por outras mulheres e muito bem. No entanto, é minha convicção de que Mariza faz uma interpretação magnífica. Deixa "o Gordo" pasmado mesmo.

A sorte esteve comigo

Pois foi. Depois da participação à Polícia senti-me vazia. Não tinha um único documento na minha posse que me identificasse. Dormi mal. Não descansei meu corpo nem a minha cabeça. Só durante a madrugada (já se ouvia algum movimento de carros na rua) é que ferrei mesmo. Acordei sobressaltada às 9 e picos. Levantei-me e liguei o telélé - não fosse um anjinho telefonar-me - e comecei os meus afazeres matinais.
Cerca das 9 e meia o telélé tocou. Olhei e não reconheci o número. Atendi: Estou? Do outro lado uma voz masculina respondeu: é a dona fulana de tal? Sou, respondi quase a sorrir, com o coração disparado. Vai de novo a voz: estou a ligar-lhe do Oculista "Opticlasse", ao lado da pastelaria "Califa", sabe onde fica? A senhora perdeu alguma carteira? É que estavamos a abrir a porta e encontrámos um porta documentos com cartões e outras coisas entre a grade de segurança e a porta ... Sim, disse-lhe, perdi ... Pensámos se lhe roubaram a mala também levaram o telemóvel, não pode atender... estavamos a pensar entregar à Polícia, mas como atendendeu ...
Há momentos na minha vida em que digo só - obrigada. Em voz alta para quem me ouve e para dentro de mim. Simplesmente agradecer. O nome da voz, João. Que bem que me soube ouvir aquela voz. Liguei à mãe, à sogra, às amigas que ontem me tinham aturado no meu padecer - Apareceu! disse-lhes. Acordei Marido: Apareceu!
Daí a uma horita, estavamos no passeio da Pastelaria e do Oculista. Comprei um bolinho-rei. Dei uns passos mais e entrei no local indicado. Um jovem senhor, de bata branca vestida e um sorriso na cara dirigiu-se-me porque me identificou mal nos olhámos. Apertámos as mãos com um aperto de cumplicidade. Contou de novo toda a história. Pareceu-me contente consigo mesmo. Encaminhou-me para uma bancada e retirou de uma gaveta a minha carteira castanha. Estendeu-ma. Abri-a. Lá estavam os cartões todos. Dentro de um dos compartimentos com fecho de correr aberto, estava uma nota de 20€, dobrada, bem encaixada no fundo ao lado de outros cartões menos importantes. Eu nem me lembrava dela. Não deram com ela. Não a levaram. Mas os cartões eram mesmo o mais importante.
Agradeci comovida, de novo com um aperto de mão, ofertei o bolo como prova do meu reconhecimento e consideração e desejei-lhe Boas Festas.
Um bem-haja senhor João. Com o seu acto confirmo aqui que afinal não somos todos ladrões, não senhor.
PS: Os nomes do Oculista e da Pastelaria ficam, sem intenção de publicidade. A Pastelaria não precisa. É muito boa mesmo. O Oculista ... tem um senhor João muito bonito lá dentro, que eu preciso não esquecer.

Perdi os cartões

Já voltei do frio há 2 dias mas não tive disponibilidade para estar aqui.
Hoje, 5ª feira dia 3 de Dezembro de 2009, aconteceu-me o mesmo que a muitos de nós: perdi o porta-documentos num Centro Comercial. O Fonte Nova, em Lisboa. Posso afirmar que não fui roubada. Simplesmente não devo ter acertado com o dito da abertura da mala e ficou por lá, nalguma das lojas que visitei ou nos corredores. Já telefonei para as lojas. Não encontraram nada. Na Recepção também nada foi entregue.
Quando eu andei nas escolas e nos locais de trabalho, sempre que alguma coisa desaparecia e não voltava a aparecer, era usual ouvir-se: - é chato! onde há um ladrão somos todos ladrões.
Penso na minha cidade, na minha rua, num local fechado com lojas. Perde-se uma coisa e não aparece. Seremos todos ladrões? Não posso crer.
Todos os meus cartões ficaram perdidos. Todos mesmo. Fui à Esquadra da minha zona apresentar o ocorrido. O senhor agente deu-me a entender que não devo ir já tratar do cartão do cidadão. Que dê um tempo, 5, 8, 15 dias, não pode exactamente precisar, se não necessito urgentemente de usar os cartões perdidos. Talvez alguma alma caridosa olhe e veja um porta documentos castanho no chão, nalguma moita, debaixo de algum carro. E tenha o bom senso de entrar em contacto comigo ou entregar o achado nalgum sítio que faça o encaminhamento.
Achou? Entregue. Não custa nada e todos os que perdem cartões ficarão agradecidos.